Mina de ouro artesanal desaba no Sudão e deixa mais de 80 mortos

82 mortos e 50 feridos no desabamento; acredita-se haver mais vítimas soterradas sob os escombros.
Se um poço desaba, derruba todos os que estão ao lado
Um mineiro explica por que o desastre foi tão grave: a proximidade extrema entre os poços torna qualquer colapso catastrófico.
Mark

Por que uma mina desaba assim? Não há inspeção, não há segurança?

Mimi

Não, não há. Estas são minas artesanais, não oficiais. Ninguém as regula. Os poços são cavados muito perto uns dos outros porque as pessoas estão desesperadas para extrair ouro rápido. A estrutura é frágil.

Luke

Mas a gente sabe que 82 é o número final? Ou é uma estimativa?

Mimi

É o que as autoridades locais estão dizendo neste momento. Mas há pessoas ainda soterradas, então o número pode subir.

Mark

E por que as pessoas estão tão desesperadas para minerar ouro assim?

Mimi

A guerra. Desde 2023, o conflito destruiu a economia. Não há empregos. O ouro é uma das poucas formas de ganhar dinheiro.

Luke

Então a guerra financia-se com ouro que vem dessas minas perigosas?

Mimi

Exatamente. Os dois lados do conflito — o Exército e as Forças de Apoio Rápido — usam o ouro para financiar a guerra.

Mark

E o resgate? Conseguem tirar as pessoas de lá?

Mimi

Estão tentando, mas com ferramentas muito primitivas. Precisam de máquinas pesadas, que não têm.

Luke

Quem está dizendo que precisam de máquinas pesadas? É um sobrevivente ou uma autoridade?

Mimi

Um dos sobreviventes, Khair al-Sayyed Jabara, foi bem claro sobre isso à imprensa.

Mark

Então ele estava lá quando desabou?

Mimi

Sim. Ele sobreviveu e viu o que acontecia.

  • Os poços da mina Al-Zaraa desabaram em cascata na terça-feira à noite — porque ficam tão próximos uns dos outros que a queda de um arrasta todos os vizinhos.
  • Com 82 mortos confirmados e dezenas possivelmente ainda soterrados, o número de vítimas pode crescer a cada hora que passa sem maquinário adequado.
  • Os resgates avançam com pás, picaretas e mãos nuas — as mesmas ferramentas usadas para extrair ouro, agora usadas para tentar salvar vidas.
  • Sobreviventes no local descrevem um trabalho lento e quase impossível: sem máquinas pesadas, remover rochas e terra é perigoso para quem resgata e fatal para quem espera.
  • Por trás do desabamento está a guerra de 2023, que destruiu a economia sudanesa e lançou milhares em uma corrida do ouro desesperada, em minas sem regulação e sem segurança.

No coração de uma guerra que despojou milhares de suas vidas anteriores, homens e mulheres desceram aos poços da mina Al-Zaraa, no remoto Kordofan Ocidental, em busca de ouro e sobrevivência. Na terça-feira, a terra cedeu, e 82 pessoas foram levadas consigo — mais outras 50 feridas, e um número ainda desconhecido soterrado sob os escombros. O desastre não é apenas geológico: é o retrato de uma nação em guerra que empurrou sua população para as profundezas da terra porque não havia mais nada na superfície.

Na terça-feira à noite, os poços da mina Al-Zaraa, próxima à cidade de El-Nahud no remoto Kordofan Ocidental, começaram a ceder. Quando a terra parou de se mover, 82 pessoas haviam sido soterradas. Outras 50 ficaram feridas. Acredita-se que mais corpos ainda estejam sob os escombros.

O resgate começou na mesma noite, mas sem os recursos necessários. Uma autoridade que falou sob anonimato confirmou o que os próprios mineiros já sabiam: os trabalhos estavam sendo feitos com métodos rudimentares — pás, picaretas, as mãos. Não havia máquinas pesadas, não havia equipamento especializado. O sobrevivente Khair al-Sayyed Jabara descreveu o esforço como difícil e lento. Outro mineiro, Al-Amin Suleiman, explicou a lógica do desastre: os poços ficam muito próximos uns dos outros, e quando um desaba, leva os demais. Ele acreditava que havia pessoas ainda soterradas — mas não acreditava que estivessem vivas.

A presença de tantas pessoas naquele lugar perigoso tem uma explicação direta: a guerra. Desde abril de 2023, o conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido devastou a economia do país. O ouro financia os dois lados do conflito, e a falta de trabalho empurrou milhares para uma mineração artesanal sem regulação e sem segurança — não por escolha, mas por necessidade. Al-Zaraa é o resultado visível dessa equação: 82 mortos, 50 feridos, e o resgate ainda em curso com as mesmas ferramentas insuficientes que não impediram o desastre.

Na terça-feira à noite, os poços da mina de Al-Zaraa começaram a ceder. A mina fica perto de El-Nahud, uma cidade na região de Kordofan Ocidental, no Sudão — um lugar remoto onde homens e mulheres cavam ouro com as mãos e ferramentas simples. Quando a terra desabou, levou consigo 82 pessoas. Outras 50 ficaram feridas. Acredita-se que mais corpos ainda estejam soterrados sob os escombros.

O resgate começou na mesma noite e prosseguiu sem parar, mas com recursos que mal existem. Uma autoridade que falou sob anonimato foi direto ao ponto: os trabalhos de resgate estão sendo realizados com métodos rudimentares. Os operários que tentavam tirar seus colegas de baixo das rochas usavam as mesmas ferramentas primitivas que empregam para extrair ouro — pás, picaretas, as mãos. Não havia máquinas pesadas. Não havia equipamento de resgate especializado.

Khair al-Sayyed Jabara era um dos que sobreviveu. Ele explicou a um repórter da agência France Presse o que via acontecer: todo mundo estava trabalhando muito para recuperar os corpos ou encontrar sobreviventes, mas era difícil. Precisavam de máquinas pesadas para retirar as rochas e a terra. Sem elas, o trabalho era lento, perigoso, quase impossível. Al-Amin Suleiman, outro mineiro que estava perto de Al-Zaraa naquele dia, descreveu a estrutura das minas com uma clareza que explica por que o desastre foi tão grave: os poços ficam muito próximos uns dos outros. Se um desaba, derruba todos os que estão ao lado. Ele acreditava que ainda havia pessoas soterradas. Não acreditava que estivessem vivas.

Por que tantas pessoas estavam ali, cavando ouro em condições tão perigosas? A resposta está na guerra. Desde abril de 2023, o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido travam um conflito que devastou a economia do país. As minas de ouro financiam o esforço bélico das duas partes — cada lado precisa do ouro para pagar soldados, comprar armas, manter a máquina de guerra funcionando. O conflito deixou grande parte do Sudão sem trabalho. Milhares de pessoas foram empurradas para uma corrida do ouro desesperada, buscando qualquer forma de ganhar a vida.

A mineração artesanal e em pequena escala — executada em minas abandonadas ou em áreas não oficiais como Al-Zaraa — responde pela maior parte do ouro que sai do Sudão. Não é mineração regulada. Não é mineração segura. É mineração de sobrevivência, feita por pessoas que não têm outra escolha. E agora, 82 delas estão mortas, 50 feridas, e o trabalho de resgate continua com as mesmas ferramentas que não foram suficientes para evitar o desastre.

Os trabalhos de resgate estão sendo realizados com métodos rudimentares
— Autoridade local ouvida pela France Presse, sob anonimato
Precisamos de máquinas pesadas para retirar as rochas e a terra
— Khair al-Sayyed Jabara, sobrevivente do desabamento
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