Em Mogi das Cruzes, o ex-vereador paulistano Milton Leite entregou-se voluntariamente à polícia para cumprir mandado de prisão temporária de 30 dias, um dia após agentes não o encontrarem em casa. A investigação o situa no centro de uma trama que conecta empresas de ônibus com concessões públicas ao PCC — acusação que ele rejeita com veemência, invocando a inocência como escudo e a prova como destino. O caso ilumina uma questão mais ampla sobre os limites entre poder político, capital privado e o crime organizado que permeia o cotidiano das cidades.
Milton Leite se entrega à polícia e nega crimes em Mogi das Cruzes
Só se arrepende quem comete crime
Por que um ex-vereador de São Paulo seria investigado por ligações com transporte coletivo e PCC?
A operação investigava um padrão: empresas de ônibus que ganharam licitações em municípios paulistas começaram a ser administradas por integrantes do PCC. Leite é suspeito de ser o verdadeiro dono da Transwolff, que operou linhas em São Paulo.
Mas em que se baseia essa suspeita? O texto diz "duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros". Isso é bem vago. Quem mencionou? Em que contexto?
Ele negou tudo. Como alguém se entrega à polícia se está sendo acusado de crime organizado?
Leite disse que se apresentaria em 24 horas e cumpriu. Seu advogado insiste que ele está tranquilo, que não tem nada a ver com a história. Ele nega conhecer qualquer membro do PCC.
Verdade, mas o advogado também não teve acesso ao processo ainda. Ele está dizendo que está tranquilo sem saber quais são as acusações específicas. Isso é uma posição de defesa, não uma confirmação de inocência.
E quanto ao dinheiro que apreenderam? 740 mil reais é muito.
Apreenderam em Sorocaba durante buscas na sexta-feira. Mas o advogado disse que desconhecia o endereço onde as buscas ocorreram, o que é estranho.
Exatamente. Não sabemos se o dinheiro estava em nome de Leite, se era da empresa, ou qual era a origem. A apreensão é um fato, mas o significado dela ainda está em aberto.
Quanto tempo ele fica preso?
Até 30 dias. É uma prisão temporária enquanto a investigação prossegue. A defesa não recorreu da medida por enquanto.
Isso também é interessante. Se o advogado acredita que é inocência clara, por que não recorrer? Talvez ele esteja esperando ver as provas antes de fazer qualquer movimento.
Le Pouls
- Leite foi considerado foragido na quinta-feira, mas se apresentou no dia seguinte cumprindo promessa pública — um gesto calculado de quem quer controlar a própria narrativa.
- Investigadores suspeitam que ele seria o dono oculto da Transwolff, empresa de ônibus cujo contrato foi rescindido por suspeita de infiltração do PCC.
- A base do mandado de prisão é frágil aos olhos da defesa: apenas duas menções do nome de Leite feitas por terceiros durante o inquérito.
- Enquanto o ex-vereador se entregava, agentes apreendiam 740 mil reais em Sorocaba — dinheiro cujo vínculo com o caso ainda não foi esclarecido publicamente.
- A defesa recusa recorrer por ora e aposta no acesso integral às provas, sinalizando que a batalha real será travada nos autos, não nas ruas.
Em Mogi das Cruzes, o ex-vereador paulistano Milton Leite entregou-se voluntariamente à polícia para cumprir mandado de prisão temporária de 30 dias, um dia após agentes não o encontrarem em casa. A investigação o situa no centro de uma trama que conecta empresas de ônibus com concessões públicas ao PCC — acusação que ele rejeita com veemência, invocando a inocência como escudo e a prova como destino. O caso ilumina uma questão mais ampla sobre os limites entre poder político, capital privado e o crime organizado que permeia o cotidiano das cidades.
Na noite de sexta-feira, Milton Leite saiu da delegacia de Mogi das Cruzes proclamando inocência. O ex-vereador de São Paulo havia cumprido a promessa feita um dia antes — quando policiais não o encontraram em casa — e se apresentou voluntariamente à Dise por volta das 16h, acompanhado de seu advogado Aloísio Lacerda Medeiros. Ao ser questionado sobre arrependimento, respondeu com firmeza: "Só se arrepende quem comete crime".
Contra Leite pesa um mandado de prisão temporária de 30 dias, fundamentado em suspeitas de que ele seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de ônibus que operou linhas de transporte coletivo em São Paulo e que teria passado a ser administrada por integrantes do PCC após vencer licitações. O contrato da empresa foi rompido exatamente por essas suspeitas. A defesa, porém, ressalta que o pedido de prisão se apoia apenas em duas menções do nome de Leite feitas por terceiros durante o inquérito — e que ainda não teve acesso ao conjunto de provas.
O político, filiado ao União Brasil, nega qualquer vínculo com o crime organizado. Afirma que sua relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, e descarta ser dono da Transwolff. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida", disse à Folha na quinta-feira, quando ainda era considerado foragido.
Enquanto Leite se entregava, agentes realizavam buscas em Sorocaba e apreendiam 740 mil reais — valor cujo vínculo com o caso permanece obscuro. A defesa optou por não recorrer da prisão por ora, preferindo aguardar acesso integral ao processo antes de qualquer movimento. Leite permanecerá na cadeia pública de Mogi das Cruzes enquanto esse próximo capítulo se desenrola.
Milton Leite saiu da delegacia de Mogi das Cruzes na noite de sexta-feira proclamando sua inocência. O ex-vereador de São Paulo havia se apresentado voluntariamente à polícia horas antes, cumprindo uma promessa feita um dia anterior quando agentes não o encontraram em seu endereço residencial. Enquanto caminhava acompanhado de policiais, após submeter-se ao exame de corpo de delito, Leite afirmou ser "inocente de todas as acusações" e declarou que teria "oportunidade de provar tudo". Questionado se sentia arrependimento, respondeu com uma frase que ecoaria pela noite: "Só se arrepende quem comete crime".
O político filiado ao União Brasil chegou à sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) por volta das 16h, acompanhado de seu advogado Aloísio Lacerda Medeiros. Contra ele pesava um mandado de prisão temporária válido por 30 dias. A defesa informou que não recorreria da medida no momento, preferindo focar no acesso integral ao processo. Medeiros reiterou a tranquilidade de seu cliente e afirmou que a defesa seguiria "o rito normal", mas deixou claro que ainda não tinha acesso ao conteúdo das acusações. "Não tive acesso a nada. Precisamos ter acesso ao conjunto de provas, sem nenhuma correria", disse o advogado.
As suspeitas contra Leite giram em torno de sua ligação com a Transwolff, empresa de ônibus que operou linhas de transporte coletivo em São Paulo por anos. Investigadores acreditam que ele seria o verdadeiro proprietário da companhia, que teria passado a ser administrada por integrantes do PCC após obtenção de licitações. O contrato da Transwolff foi rompido justamente por suspeitas de envolvimento com a facção. O pedido de prisão se baseou em duas circunstâncias em que o nome de Leite foi mencionado por terceiros durante o inquérito.
Quando foi considerado foragido na quinta-feira, Leite negou veementemente as acusações por telefone. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida", disse à Folha. Explicou que sua relação com o setor de transportes havia sido institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, e descartou qualquer possibilidade de ser dono da Transwolff. A operação policial que levou à sua prisão investigava um padrão mais amplo: empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas teriam passado a ser administradas por membros da facção após vencerem licitações.
Na sexta-feira, enquanto Leite se apresentava em Mogi das Cruzes, agentes realizaram buscas em um endereço em Sorocaba, no interior paulista, e apreenderam 740 mil reais. O advogado disse desconhecer o local onde as buscas ocorreram. Leite permanecerá preso na cadeia pública de Mogi das Cruzes enquanto a defesa trabalha para acessar as provas contra ele. A próxima etapa será conhecer o conteúdo integral do processo que fundamentou o mandado de prisão temporária.
Citations marquantes
Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas.— Milton Leite, em entrevista à Folha
Milton está tranquilo. Não tem nada a ver com a história.— Aloísio Lacerda Medeiros, advogado de Leite