Milton Leite é investigado por suspeitas de ligação com PCC no transporte de SP

Responsável direto pela operação de empresas controladas pelo PCC
Acusação central contra Milton Leite conforme relatório da Polícia Civil anexado ao processo.
Mark

Por que Milton Leite é tão importante nessa investigação? Ele é só mais um nome na lista?

Mimi

Não. Segundo a polícia, ele não é apenas um intermediário — ele seria responsável direto pela operação de empresas controladas pelo PCC. Isso o coloca em um papel de gestor, não apenas de facilitador.

Luke

Mas espera. O relatório diz que ele é "citado nominalmente por diversas vezes" — isso significa que há evidência direta ou é principalmente atribuição de terceiros?

Mimi

É principalmente baseado em declarações de policiais militares e em diálogos interceptados onde outras pessoas mencionam a necessidade de avisar Leite sobre mudanças. Não há documentação que o mostre assinando contratos ou dando ordens diretas.

Mark

E a Transwolff? A polícia diz que ele é o dono de fato. Isso é comprovado?

Mimi

A defesa da Transwolff nega completamente. Diz que Leite nunca teve participação societária, nunca participou da gestão. O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco é apontado como o dono real.

Luke

Então temos duas narrativas opostas. A polícia diz uma coisa, a defesa diz outra. Qual tem mais peso em termos de prova?

Mimi

Ainda não sabemos. Leite não foi encontrado para ser interrogado, o que complicou as coisas. Ele diz que estava viajando, não foragido.

Mark

Qual é o padrão aqui? Por que o PCC estaria interessado em controlar empresas de transporte especificamente?

Mimi

Transporte público é um setor que movimenta muito dinheiro, tem contatos diretos com prefeituras, permite movimentação de pessoas e bens pela cidade. É uma base de poder.

Luke

E quanto aos outros presos? Levi dos Santos e Danilo Marco — eles têm conexões diretas com Leite ou são investigações paralelas?

Mimi

Parecem ser investigações paralelas dentro da mesma operação. Levi teria tido encontros periódicos com José Daniel sobre interesses da facção. Danilo teria recebido financiamento do PCC para sua campanha.

Mark

Então a operação está mapeando toda uma rede — não só transporte, mas política também?

Mimi

Exatamente. Começou com uma fintech em 2024, depois descobriram campanhas de vereadores patrocinadas pela facção, servidores públicos envolvidos. Agora chegou ao transporte.

  • Investigadores do Gaeco e da Polícia Civil apontam Milton Leite como operador direto de empresas de ônibus controladas pelo PCC e dono de fato da Transwolff — acusação que sua defesa rejeita com veemência.
  • Quando policiais chegaram à sua residência com mandado de busca, Leite não estava; a polícia o considerou foragido, enquanto ele prometia se apresentar em 24 horas alegando estar em viagem.
  • A operação prendeu ainda o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a prefeito cuja campanha teria sido financiada pelo crime organizado.
  • Diálogos interceptados revelam que José Daniel, figura central do esquema, sentia necessidade de manter Milton Leite informado sobre mudanças nas operações de transporte — evidência que reforça o papel atribuído ao ex-vereador.
  • A Vectura Corrupta é desdobramento de uma cadeia investigativa iniciada em 2024 que já desarticulou uma fintech que movimentou cerca de 8 bilhões de reais e expôs o braço político do PCC em prefeituras paulistas.

Em São Paulo, a fronteira entre o poder público e o crime organizado volta a ser questionada com a investigação do ex-vereador Milton Leite, apontado como figura central na infiltração do PCC no transporte coletivo. A Operação Vectura Corrupta não é um episódio isolado, mas o capítulo mais recente de uma longa cadeia de apurações que revela como facções criminosas teriam tecido laços profundos com empresários, políticos e gestores públicos. O caso convida a refletir sobre a fragilidade das instituições quando o poder econômico e o poder do crime se encontram nos mesmos corredores.

Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, tornou-se alvo da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Gaeco para apurar a infiltração do PCC no setor de transporte público. Relatórios policiais o descrevem como responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção e como dono de fato da Transwolff, companhia já investigada em 2024 pela Operação Fim da Linha. Declarações prestadas no Tribunal de Justiça Militar reforçam essas alegações. A defesa da empresa, porém, nega qualquer vínculo de Leite com a companhia, afirmando que ele jamais teve participação societária ou gerencial.

Quando policiais foram à sua casa para cumprir o mandado de busca, não o encontraram. A polícia passou a considerá-lo foragido. Em nota, Leite disse estar viajando e prometeu se apresentar em até 24 horas, garantindo que provaria sua inocência. Diálogos interceptados após a Operação Fim da Linha mostram José Daniel — apontado como personagem central do esquema — mencionando a necessidade de avisar Leite sobre mudanças nas operações de transporte, o que os investigadores interpretam como evidência de sua influência no setor.

A operação também resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, acusado de manter encontros periódicos com Daniel para tratar de interesses da facção. Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e teve o registro de candidato a deputado cassado, também foi preso — investigadores identificaram vínculos com o PCC e indícios de financiamento criminoso de sua campanha.

A Vectura Corrupta é o capítulo mais recente de uma cadeia investigativa que começou em agosto de 2024 com a Operação Decurio, após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. As investigações subsequentes revelaram uma fintech que movimentou cerca de 8 bilhões de reais usada pelo PCC para se infiltrar em prefeituras, além de uma rede de doleiros e operadores de criptoativos. A operação atual expõe ainda o braço político da organização, com campanhas de vereadores financiadas pela facção e servidores comissionados envolvidos — um retrato de como o crime organizado teria penetrado estruturas públicas e privadas ao longo de anos.

Milton Leite, ex-vereador de São Paulo e ex-presidente da Câmara Municipal, está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Gaeco — Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado — por suspeitas de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital no setor de transporte público da cidade. A investigação, batizada Operação Vectura Corrupta, apura como a facção criminosa teria se infiltrado em empresas de ônibus e suas conexões com empresários, políticos e advogados.

Segundo relatórios da Polícia Civil anexados ao processo, Leite seria responsável direto pela operação de algumas das empresas que estariam sob controle do PCC. Os investigadores apontam ainda que ele seria o dono de fato da Transwolff, uma das companhias que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em 2024. Declarações de policiais militares prestadas no Tribunal de Justiça Militar reforçam essa alegação, conforme consta na documentação da investigação.

Quando policiais foram à residência de Leite para cumprir mandado de busca, não o encontraram. A polícia passou então a considerá-lo foragido. Em resposta, o ex-vereador divulgou nota afirmando estar viajando e prometendo se apresentar às autoridades em até 24 horas, declarando que provaria sua inocência em todas as acusações. A defesa da Transwolff, por sua vez, negou categoricamente qualquer participação de Leite na empresa, afirmando que ele nunca teve participação societária, nunca participou da gestão e nunca deu ordens na companhia, qualificando as acusações como completamente equivocadas e dissociadas da realidade.

A investigação também identificou que uma empreiteira ligada a Leite teria contratos sob investigação com empresas de transporte ligadas ao PCC, embora o documento não especifique qual seria a empreiteira nem detalhe quais contratos seriam esses. Em diálogos interceptados após a Operação Fim da Linha, José Daniel — apontado como um dos personagens centrais do esquema — teria mencionado a necessidade de avisar Milton Leite sobre possíveis mudanças nas operações de transporte. A polícia descreve Leite como uma pessoa de forte influência no ramo dos transportes, conforme relatado por Daniel.

A operação também resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, apesar de Levi não aparecer como interlocutor direto de José Daniel, os dois teriam mantido encontros periódicos com o objetivo de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a Operação Fim da Linha. A defesa de Levi argumenta que ele não possui antecedentes e construiu uma trajetória de relevantes serviços públicos à cidade ao longo de décadas, consolidando-se como referência técnica em sua área.

Também preso foi Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual antes de ter seu registro cassado. Danilo já havia sido alvo de mandado de busca na Operação Decurio. A Polícia Civil identificou um forte vínculo dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.

A Operação Vectura Corrupta é desdobramento de investigações anteriores que começaram em agosto de 2024 com a Operação Decurio. Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção, o que levou à identificação e prisão de chefes da chamada Sintonia Final e à descoberta de uma fintech que chegou a movimentar cerca de 8 bilhões de reais. Em abril de 2026, a Operação Contaminatio focou na estrutura dessa fintech, que o PCC usava para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos e taxas. Naquela etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e operadores de criptoativos usada na lavagem de dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André.

A investigação também revelou evidências do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado. A Operação Vectura Corrupta representa o avanço mais recente nessa cadeia de investigações que mapeia como o crime organizado teria penetrado estruturas públicas e privadas do transporte e da administração municipal.

Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações
— Milton Leite, em nota divulgada
Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou deu ordens na empresa
— Defesa da Transwolff
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