Midterms nos EUA: eleição de 3 de novembro pode mudar o controle do Congresso e o rumo do segundo mandato de Trump

Trump não está na cédula, mas o resultado pesa sobre ele
As midterms de 3 de novembro podem alterar o apoio do Congresso ao presidente na segunda metade do mandato.
Mark

Por que uma eleição sem Trump na cédula importa tanto para ele?

Mimi

Porque o Congresso é o que sustenta a agenda dele. Com maioria pequena, já enfrentou republicanos votando contra. Perder uma Casa abre espaço para barrarem ações do governo.

Mark

E os números são favoráveis aos democratas?

Mimi

Na Câmara, sim, em todas as projeções citadas. A Reuters/Ipsos mostra 47% a 35% na intenção de voto, e a desaprovação a Trump está em 66%.

Luke

Vale separar: pesquisa e projeção não são resultado. Cada projeção usa método próprio, e a chance de 92,2% é estimativa de uma plataforma, não um fato.

Mark

No Senado a leitura é igual?

Mimi

Não. Os republicanos têm 53 a 47 hoje, e as projeções vão de 49 democratas a 52 ou 53, até um empate em 48.

Luke

Exatamente, e há de 4 a 5 disputas indefinidas. Quem controlará o Senado ainda é uma incógnita.

Mark

E o voto pelo correio?

Mimi

Trump assinou um decreto em março para restringi-lo, alegando fraude. A Suprema Corte manteve em setembro o bloqueio a uma norma que o aplicaria antes da eleição.

Luke

O texto traz a alegação de fraude como posição de Trump, sem apresentar prova. E a disputa judicial continua.

Mark

Quando saberemos o resultado?

Mimi

Os primeiros números saem na noite de 3 de novembro, mas em 2022 a Câmara levou mais de uma semana.

  • A desaprovação de 66% a Trump e as projeções favoráveis aos democratas na Câmara acendem o alerta de uma derrota que pode reconfigurar o poder em Washington.
  • O Senado se mostra quase empatado nas estimativas, e cada cadeira disputada pode decidir se o governo mantém controle ou perde força.
  • Trump foi a campanha em comícios na Geórgia e promete resultados, enquanto seu decreto sobre voto pelo correio já está travado na Justiça.
  • A apuração fragmentada entre os estados, com fechamentos de urnas em horários diferentes, faz com que o controle das Casas possa levar dias para ser definido.

Em 3 de novembro de 2026, o eleitorado americano escolhe, nas midterms, todos os 435 deputados e 35 senadores, além de governadores de 36 estados. Trata-se de um ponto de virada no meio do mandato de Donald Trump: a eleição não o coloca na cédula, mas decide se ele governará com maioria capaz de sustentar sua agenda ou se terá de enfrentar um Congresso que possa barrá-la. Os sinais atuais, marcados por forte desaprovação ao presidente e pela vantagem democrata nas projeções, sugerem uma mudança de maré, embora a contagem lenta e a disputa judicial sobre o voto pelo correio ainda possam prolongar a incerteza por dias.

Em 3 de novembro, os americanos vão às urnas nas eleições de meio de mandato. Em muitos estados a votação já começou, com voto antecipado e cédulas enviadas pelo correio. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 do Senado e os governos de 36 estados.

O nome vem do calendário: Trump tomou posse em janeiro de 2025 e estará na metade do mandato. Ele não aparece na cédula, mas o resultado pesa diretamente sobre ele. Uma derrota em uma ou nas duas Casas permitiria ao Congresso frear o governo, por isso ele tem feito campanha intensa, como no comício em Dalton, na Geórgia.

O cenário é desfavorável. Pesquisa Reuters/Ipsos mostrou 66% de desaprovação, o pior índice de seus dois mandatos, impulsionado pela economia e pelo custo de vida. As projeções apontam vantagem democrata na Câmara e um Senado bastante disputado.

O voto pelo correio se tornou o centro da disputa. Um decreto de Trump criou uma lista federal de eleitores habilitados, mas estados e entidades foram à Justiça, e a Suprema Corte manteve o bloqueio a parte da medida. Como não há um órgão nacional de apuração, os resultados podem demorar. Em 2022, a Câmara só foi definida mais de uma semana depois.

Em 3 de novembro, eleitores americanos vão às urnas nas eleições de meio de mandato, as midterms. Em muitos estados, porém, a votação já começou: a antecipada está aberta em alguns lugares, e parte do eleitorado já enviou a cédula pelo correio. Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 do Senado e os governos de 36 estados.

O nome vem do calendário. Donald Trump tomou posse em janeiro de 2025, depois de vencer a eleição de 2024, e seu mandato termina em janeiro de 2029. Em novembro de 2026, ele estará perto da metade do período. Os eleitos tomarão posse em janeiro de 2027. Deputados têm mandatos de dois anos e senadores, de seis, o que faz o Congresso ser renovado em partes a cada dois anos. A próxima eleição presidencial será em 2028.

Trump não está na cédula, mas o resultado pesa sobre ele. Em 2024, os republicanos conquistaram as duas Casas, por margem pequena. Isso deu ao presidente apoio para avançar com a agenda, mas a vantagem apertada limitou a força do partido e expôs divisões internas, com parlamentares republicanos votando contra ele em temas sensíveis. Uma derrota na Câmara, no Senado ou nas duas abriria espaço para o Congresso barrar ações do governo. Por isso Trump tem investido pesado na campanha e feito promessas. Em 16 de outubro, discursou num comício em Dalton, na Geórgia, em apoio ao candidato ao Senado Mike Collins e ao candidato a governador Rick Jackson.

O clima não o favorece. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro mostrou 66% de desaprovação ao governo e 31% de aprovação, o menor índice da empresa nos dois mandatos de Trump e abaixo do registrado por Joe Biden. A insatisfação está ligada sobretudo à condução da economia e ao alto custo de vida.

Na Câmara, os republicanos têm hoje 218 cadeiras, os democratas, 214, além de um independente e duas vagas abertas. Na mesma pesquisa, 47% dos entrevistados disseram que pretendem votar em democratas e 35% em republicanos. As projeções acompanham essa tendência. O Center for Politics, da Universidade da Virgínia, apontava em 20 de outubro 223 cadeiras democratas, 200 republicanas e 12 indefinidas. O Race to the WH, plataforma de Logan Phillips, previa em 22 de outubro 236 a 199, com 92,2% de chance de vitória democrata. O 270toWin trazia 220 a 200, com 15 indefinidas.

No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras e os democratas, 47, incluindo dois independentes que costumam votar com o partido. O quadro é mais equilibrado. O Center for Politics, em 14 de outubro, via 49 democratas, 46 republicanos e 5 disputas indefinidas. O Race to the WH, em 22 de outubro, projetava 52 ou 53 democratas contra 47 ou 48 republicanos, com 72,5% de chance de vitória democrata. Na projeção consultada do 270toWin, havia empate em 48 a 48, com 4 indefinidas.

O voto pelo correio virou tema central. Todos os 50 estados permitem alguma forma dele, e 37, mais Washington, D.C., aceitam pedidos sem justificativa, segundo o Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral. Trump defende restrições e diz que o sistema é suscetível a fraudes. Em março, assinou um decreto que prevê uma lista federal de cidadãos aptos a votar por correspondência, elaborada pelo Serviço de Cidadania e Imigração e pela Administração da Seguridade Social, com cédulas enviadas só a quem constasse nela. Estados e organizações de defesa do voto foram à Justiça, argumentando que a Constituição dá aos estados e ao Congresso, não ao presidente, o poder de definir regras eleitorais. Em setembro, a Suprema Corte manteve o bloqueio a uma norma do Serviço Postal que implementaria parte do decreto antes da eleição.

Não há órgão nacional como o TSE: cada estado apura seus votos, e os fechamentos de urnas variam, como 19h na Flórida e 21h em Nova York. Os primeiros resultados devem sair na noite de 3 de novembro, mas definir o controle das Casas pode levar dias. Em 2022, a Câmara só foi decidida mais de uma semana depois, em parte pela contagem lenta de votos pelo correio em alguns estados.

Trump defende restrições ao voto pelo correio e afirma que o sistema é suscetível a fraudes.
— Posição de Donald Trump, segundo o g1
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