Em um momento em que a inteligência artificial redefine as prioridades da indústria tecnológica, a Micron — uma das maiores fabricantes de memória do mundo — sinalizou que o desequilíbrio entre oferta e demanda de RAM deve persistir até 2028. A capacidade produtiva que antes abastecia PCs e consoles é agora absorvida pela memória HBM, essencial para data centers e sistemas de IA, deixando consumidores comuns a pagar o preço de uma transformação que não escolheram. É a antiga tensão entre progresso coletivo e custo individual, desta vez inscrita em silício.
Micron prevê RAM cara até 2028 com capacidade comprometida pela demanda de IA
A demanda por IA está consumindo a capacidade que abastecia PCs e consoles
Por que a IA está causando essa escassez de RAM? Não há memória suficiente no mundo?
Há memória suficiente, mas a IA precisa de um tipo específico e muito mais caro — a HBM. Os fabricantes estão desviando suas linhas de produção para atender essa demanda, deixando menos RAM tradicional para PCs e consoles.
Mas a Micron está expandindo a capacidade. Por que não vai resolver o problema?
Porque a demanda por IA está crescendo mais rápido do que a capacidade nova que está sendo adicionada. É uma corrida onde a demanda sai na frente.
Então os preços vão ficar altos até quando, exatamente?
Até 2028, segundo a Micron. Mas mesmo depois disso, não há garantia de queda imediata nos preços.
Quem está dizendo isso? Só a Micron, ou outros fabricantes também?
A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados. Dois dos maiores fabricantes apontam para o mesmo cenário.
Qual é o impacto real para quem quer comprar um console ou um PC novo?
Preços mais altos. PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 já tiveram reajustes de preço em diversos mercados. Computadores também ficaram mais caros.
Mas esses reajustes são só por causa da RAM, ou há outros fatores?
A RAM é um fator importante, mas a pressão afeta diferentes tipos de memória e armazenamento. É uma disputa mais ampla por capacidade industrial.
A Micron está fazendo algo para resolver isso?
Sim, vai investir US$ 25 bilhões em novas fábricas a partir de 2028. Mas os executivos alertam que isso não vai causar queda imediata nos preços.
Então basicamente estamos presos nessa situação por mais alguns anos?
Parece que sim. A demanda por IA continua crescendo em paralelo à oferta, então o equilíbrio pode levar mais tempo do que se espera.
O Pulso
- A Micron já vendeu grande parte da produção de 2027 e não consegue prever quando oferta e demanda voltarão ao equilíbrio — a incerteza é oficial.
- A memória HBM, vital para IA e data centers, consome linhas de produção inteiras, deixando menos chips disponíveis para PCs, consoles e eletrônicos de consumo.
- PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 já sofreram reajustes de preço em diversos mercados, e computadores também ficaram mais caros como efeito direto dessa disputa industrial.
- A Micron planeja investir US$ 25 bilhões em novas fábricas a partir de 2028, mas os próprios executivos admitem que a expansão não derrubará os preços imediatamente.
- A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados, consolidando um consenso setorial: a pressão sobre os preços pode se estender bem além de 2028.
Em um momento em que a inteligência artificial redefine as prioridades da indústria tecnológica, a Micron — uma das maiores fabricantes de memória do mundo — sinalizou que o desequilíbrio entre oferta e demanda de RAM deve persistir até 2028. A capacidade produtiva que antes abastecia PCs e consoles é agora absorvida pela memória HBM, essencial para data centers e sistemas de IA, deixando consumidores comuns a pagar o preço de uma transformação que não escolheram. É a antiga tensão entre progresso coletivo e custo individual, desta vez inscrita em silício.
A Micron entregou um recado pouco animador durante sua apresentação de resultados: os preços elevados de RAM não devem ceder tão cedo. A empresa alertou que a escassez global de memória pode se estender até 2028, enquanto a demanda segue acelerada. O cenário reflete uma tensão estrutural do mercado atual — a inteligência artificial está consumindo a capacidade produtiva que antes abastecia PCs, consoles e outros eletrônicos de consumo.
O CEO Sanjay Mehrotra foi direto: a Micron já comercializou grande parte da produção prevista para 2027, e os clientes devem se preparar para custos superiores aos de 2026. A empresa admite não ter visibilidade sobre quando oferta e demanda voltarão a um equilíbrio razoável — e essa incerteza mantém fabricantes de hardware sob pressão constante.
O principal responsável pelo desequilíbrio é a memória HBM, tecnologia essencial para aceleradores de IA e data centers, cuja demanda cresce muito mais rápido do que a oferta. À medida que os fabricantes dedicam mais linhas de produção ao HBM, sobra menos capacidade para chips de RAM tradicionais. O impacto é visível: PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 sofreram reajustes de preço em vários mercados, e computadores também encareceram.
Os números revelam a magnitude do movimento. A margem bruta da unidade de memória para nuvem da Micron atingiu 83% no quarto trimestre, ante 59% no mesmo período anterior. Para DRAM em data centers, chegou a 90%, comparada a 41% antes. As vendas de SSDs para data centers se aproximaram de US$ 10 bilhões em um trimestre, com crescimento superior a 1.000% na comparação anual.
A Micron planeja investir cerca de US$ 25 bilhões em novas fábricas com operação prevista a partir de 2028, mas os próprios executivos reconhecem que a expansão não causará queda imediata nos preços. A demanda por IA cresce em paralelo à oferta, e o equilíbrio pode levar mais tempo do que se imagina. A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados — com dois dos maiores fabricantes do setor apontando para oferta limitada, o recado para consumidores é claro: quem planeja montar um PC ou comprar um console nos próximos anos deve se preparar para preços elevados por um bom tempo.
A Micron, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, entregou um recado pouco animador aos investidores e consumidores: os preços altos de RAM não devem cair tão cedo. Durante apresentação de resultados, a empresa alertou que a escassez global de memória pode se estender até 2028, com custos permanecendo elevados enquanto a demanda continua acelerada. O cenário reflete uma realidade incômoda do mercado de tecnologia atual: a inteligência artificial está consumindo a capacidade produtiva que antes abastecia PCs, consoles e outros eletrônicos.
O CEO Sanjay Mehrotra foi direto ao ponto. A Micron já vendeu grande parte da produção prevista para 2027, e os clientes devem se preparar para pagar mais do que pagaram em 2026. Pior ainda, a empresa não consegue prever quando oferta e demanda voltarão a um equilíbrio razoável. Essa incerteza explica por que fabricantes de computadores, consoles e periféricos continuam sob pressão de custos — não é especulação, é falta de visibilidade sobre quando as coisas vão normalizar.
O culpado principal é a memória HBM, sigla para High-Bandwidth Memory. Essa tecnologia é essencial para data centers e aceleradores de inteligência artificial, e a demanda por ela está crescendo muito mais rápido do que a oferta. Conforme os fabricantes de memória dedicam uma fatia cada vez maior de suas linhas de produção para HBM, sobra menos capacidade para chips de RAM tradicionais usados em computadores pessoais e videogames. O resultado é visível nas prateleiras: PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 sofreram reajustes de preço em diversos mercados. Computadores também ficaram mais caros. A disputa por capacidade industrial não afeta apenas RAM — diferentes tipos de memória e armazenamento enfrentam a mesma pressão.
Os números revelam a magnitude do movimento. Na unidade de memória para nuvem da Micron, que inclui HBM, a margem bruta atingiu 83% no quarto trimestre, contra 59% no mesmo período do ano anterior. Para DRAM em data centers, a margem chegou a 90%, comparada a 41% antes. Esses ganhos refletem preços mais altos e demanda voraz. As vendas de SSDs para data centers se aproximaram de US$ 10 bilhões em um trimestre, com crescimento superior a 1.000% na comparação anual, impulsionadas principalmente por infraestrutura de IA e pela necessidade de armazenar grandes volumes de dados em memória de contexto.
A Micron não está de mãos atadas. A empresa planeja investir cerca de US$ 25 bilhões em despesas de capital no primeiro semestre do novo ano fiscal, com novas fábricas entrando em operação a partir de 2028. Mas há um porém importante: os próprios executivos da companhia reconhecem que essa expansão não causará uma queda imediata nos preços. A demanda por IA continua crescendo em paralelo à oferta, então o equilíbrio pode levar mais tempo do que se imagina. Mehrotra observou que o consumo de HBM avança mais rapidamente do que o de DRAM para servidores, enquanto a empresa tenta melhorar a rentabilidade desse segmento de alto valor.
A Micron também está apostando em tecnologia de ponta. A empresa destacou sua parceria com a Nvidia no desenvolvimento do NV-HBM, uma implementação personalizada de HBM4E voltada para futuras GPUs e plataformas baseadas em NVLink Fusion. Simultaneamente, o crescimento das aplicações de IA amplia a procura por SSDs baseados em NAND, especialmente em ambientes de data center que precisam armazenar e processar grandes volumes de informação rapidamente.
A Samsung chegou a conclusão semelhante em sua própria apresentação de resultados. Com dois dos principais fabricantes do setor apontando para um cenário de oferta limitada, o quadro fica claro: consumidores que pretendem montar um PC novo ou comprar um console nos próximos anos devem se preparar para preços elevados. A indústria está trabalhando para aumentar capacidade, mas o ritmo da demanda por IA pode manter a pressão sobre preços até bem depois de 2028.
Citações Notáveis
A Micron já comercializou grande parte da produção esperada para 2027 e clientes devem se preparar para custos superiores aos registrados em 2026— Sanjay Mehrotra, CEO da Micron
A entrada de nova capacidade não deve provocar uma queda imediata nos preços, já que a demanda continua crescendo em paralelo— Executivos da Micron