Micron prevê RAM cara até 2028 com capacidade comprometida pela demanda de IA

A demanda por IA está consumindo a capacidade que abastecia PCs e consoles
A Micron alerta que a escassez de RAM pode se estender até 2028 enquanto a produção de memória para IA reduz disponibilidade para consumidores.
Mark

Por que a IA está causando essa escassez de RAM? Não há memória suficiente no mundo?

Mimi

Há memória suficiente, mas a IA precisa de um tipo específico e muito mais caro — a HBM. Os fabricantes estão desviando suas linhas de produção para atender essa demanda, deixando menos RAM tradicional para PCs e consoles.

Luke

Mas a Micron está expandindo a capacidade. Por que não vai resolver o problema?

Mimi

Porque a demanda por IA está crescendo mais rápido do que a capacidade nova que está sendo adicionada. É uma corrida onde a demanda sai na frente.

Mark

Então os preços vão ficar altos até quando, exatamente?

Mimi

Até 2028, segundo a Micron. Mas mesmo depois disso, não há garantia de queda imediata nos preços.

Luke

Quem está dizendo isso? Só a Micron, ou outros fabricantes também?

Mimi

A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados. Dois dos maiores fabricantes apontam para o mesmo cenário.

Mark

Qual é o impacto real para quem quer comprar um console ou um PC novo?

Mimi

Preços mais altos. PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 já tiveram reajustes de preço em diversos mercados. Computadores também ficaram mais caros.

Luke

Mas esses reajustes são só por causa da RAM, ou há outros fatores?

Mimi

A RAM é um fator importante, mas a pressão afeta diferentes tipos de memória e armazenamento. É uma disputa mais ampla por capacidade industrial.

Mark

A Micron está fazendo algo para resolver isso?

Mimi

Sim, vai investir US$ 25 bilhões em novas fábricas a partir de 2028. Mas os executivos alertam que isso não vai causar queda imediata nos preços.

Luke

Então basicamente estamos presos nessa situação por mais alguns anos?

Mimi

Parece que sim. A demanda por IA continua crescendo em paralelo à oferta, então o equilíbrio pode levar mais tempo do que se espera.

  • A Micron já vendeu grande parte da produção de 2027 e não consegue prever quando oferta e demanda voltarão ao equilíbrio — a incerteza é oficial.
  • A memória HBM, vital para IA e data centers, consome linhas de produção inteiras, deixando menos chips disponíveis para PCs, consoles e eletrônicos de consumo.
  • PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 já sofreram reajustes de preço em diversos mercados, e computadores também ficaram mais caros como efeito direto dessa disputa industrial.
  • A Micron planeja investir US$ 25 bilhões em novas fábricas a partir de 2028, mas os próprios executivos admitem que a expansão não derrubará os preços imediatamente.
  • A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados, consolidando um consenso setorial: a pressão sobre os preços pode se estender bem além de 2028.

Em um momento em que a inteligência artificial redefine as prioridades da indústria tecnológica, a Micron — uma das maiores fabricantes de memória do mundo — sinalizou que o desequilíbrio entre oferta e demanda de RAM deve persistir até 2028. A capacidade produtiva que antes abastecia PCs e consoles é agora absorvida pela memória HBM, essencial para data centers e sistemas de IA, deixando consumidores comuns a pagar o preço de uma transformação que não escolheram. É a antiga tensão entre progresso coletivo e custo individual, desta vez inscrita em silício.

A Micron entregou um recado pouco animador durante sua apresentação de resultados: os preços elevados de RAM não devem ceder tão cedo. A empresa alertou que a escassez global de memória pode se estender até 2028, enquanto a demanda segue acelerada. O cenário reflete uma tensão estrutural do mercado atual — a inteligência artificial está consumindo a capacidade produtiva que antes abastecia PCs, consoles e outros eletrônicos de consumo.

O CEO Sanjay Mehrotra foi direto: a Micron já comercializou grande parte da produção prevista para 2027, e os clientes devem se preparar para custos superiores aos de 2026. A empresa admite não ter visibilidade sobre quando oferta e demanda voltarão a um equilíbrio razoável — e essa incerteza mantém fabricantes de hardware sob pressão constante.

O principal responsável pelo desequilíbrio é a memória HBM, tecnologia essencial para aceleradores de IA e data centers, cuja demanda cresce muito mais rápido do que a oferta. À medida que os fabricantes dedicam mais linhas de produção ao HBM, sobra menos capacidade para chips de RAM tradicionais. O impacto é visível: PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 sofreram reajustes de preço em vários mercados, e computadores também encareceram.

Os números revelam a magnitude do movimento. A margem bruta da unidade de memória para nuvem da Micron atingiu 83% no quarto trimestre, ante 59% no mesmo período anterior. Para DRAM em data centers, chegou a 90%, comparada a 41% antes. As vendas de SSDs para data centers se aproximaram de US$ 10 bilhões em um trimestre, com crescimento superior a 1.000% na comparação anual.

A Micron planeja investir cerca de US$ 25 bilhões em novas fábricas com operação prevista a partir de 2028, mas os próprios executivos reconhecem que a expansão não causará queda imediata nos preços. A demanda por IA cresce em paralelo à oferta, e o equilíbrio pode levar mais tempo do que se imagina. A Samsung chegou à mesma conclusão em sua apresentação de resultados — com dois dos maiores fabricantes do setor apontando para oferta limitada, o recado para consumidores é claro: quem planeja montar um PC ou comprar um console nos próximos anos deve se preparar para preços elevados por um bom tempo.

A Micron, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, entregou um recado pouco animador aos investidores e consumidores: os preços altos de RAM não devem cair tão cedo. Durante apresentação de resultados, a empresa alertou que a escassez global de memória pode se estender até 2028, com custos permanecendo elevados enquanto a demanda continua acelerada. O cenário reflete uma realidade incômoda do mercado de tecnologia atual: a inteligência artificial está consumindo a capacidade produtiva que antes abastecia PCs, consoles e outros eletrônicos.

O CEO Sanjay Mehrotra foi direto ao ponto. A Micron já vendeu grande parte da produção prevista para 2027, e os clientes devem se preparar para pagar mais do que pagaram em 2026. Pior ainda, a empresa não consegue prever quando oferta e demanda voltarão a um equilíbrio razoável. Essa incerteza explica por que fabricantes de computadores, consoles e periféricos continuam sob pressão de custos — não é especulação, é falta de visibilidade sobre quando as coisas vão normalizar.

O culpado principal é a memória HBM, sigla para High-Bandwidth Memory. Essa tecnologia é essencial para data centers e aceleradores de inteligência artificial, e a demanda por ela está crescendo muito mais rápido do que a oferta. Conforme os fabricantes de memória dedicam uma fatia cada vez maior de suas linhas de produção para HBM, sobra menos capacidade para chips de RAM tradicionais usados em computadores pessoais e videogames. O resultado é visível nas prateleiras: PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2 sofreram reajustes de preço em diversos mercados. Computadores também ficaram mais caros. A disputa por capacidade industrial não afeta apenas RAM — diferentes tipos de memória e armazenamento enfrentam a mesma pressão.

Os números revelam a magnitude do movimento. Na unidade de memória para nuvem da Micron, que inclui HBM, a margem bruta atingiu 83% no quarto trimestre, contra 59% no mesmo período do ano anterior. Para DRAM em data centers, a margem chegou a 90%, comparada a 41% antes. Esses ganhos refletem preços mais altos e demanda voraz. As vendas de SSDs para data centers se aproximaram de US$ 10 bilhões em um trimestre, com crescimento superior a 1.000% na comparação anual, impulsionadas principalmente por infraestrutura de IA e pela necessidade de armazenar grandes volumes de dados em memória de contexto.

A Micron não está de mãos atadas. A empresa planeja investir cerca de US$ 25 bilhões em despesas de capital no primeiro semestre do novo ano fiscal, com novas fábricas entrando em operação a partir de 2028. Mas há um porém importante: os próprios executivos da companhia reconhecem que essa expansão não causará uma queda imediata nos preços. A demanda por IA continua crescendo em paralelo à oferta, então o equilíbrio pode levar mais tempo do que se imagina. Mehrotra observou que o consumo de HBM avança mais rapidamente do que o de DRAM para servidores, enquanto a empresa tenta melhorar a rentabilidade desse segmento de alto valor.

A Micron também está apostando em tecnologia de ponta. A empresa destacou sua parceria com a Nvidia no desenvolvimento do NV-HBM, uma implementação personalizada de HBM4E voltada para futuras GPUs e plataformas baseadas em NVLink Fusion. Simultaneamente, o crescimento das aplicações de IA amplia a procura por SSDs baseados em NAND, especialmente em ambientes de data center que precisam armazenar e processar grandes volumes de informação rapidamente.

A Samsung chegou a conclusão semelhante em sua própria apresentação de resultados. Com dois dos principais fabricantes do setor apontando para um cenário de oferta limitada, o quadro fica claro: consumidores que pretendem montar um PC novo ou comprar um console nos próximos anos devem se preparar para preços elevados. A indústria está trabalhando para aumentar capacidade, mas o ritmo da demanda por IA pode manter a pressão sobre preços até bem depois de 2028.

A Micron já comercializou grande parte da produção esperada para 2027 e clientes devem se preparar para custos superiores aos registrados em 2026
— Sanjay Mehrotra, CEO da Micron
A entrada de nova capacidade não deve provocar uma queda imediata nos preços, já que a demanda continua crescendo em paralelo
— Executivos da Micron
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