A metformina, um dos medicamentos mais prescritos no mundo para o diabetes tipo 2, carrega em si uma tensão familiar à medicina moderna: é ao mesmo tempo eficaz e potencialmente perigosa para quem já é vulnerável. Ao agir diretamente no fígado para reduzir a produção de glicose, o fármaco toca o órgão que, em certos pacientes, pode não suportar esse contato sem consequências. A sabedoria clínica aqui não está em evitar o remédio por medo, nem em usá-lo sem vigilância, mas em reconhecer que o cuidado individualizado é o que transforma um risco em segurança.