A menos de três semanas das eleições de 2026, o financiamento público de campanhas no Brasil revela uma geometria do poder já conhecida: metade dos recursos destinados a deputados federais concentra-se em apenas 7% dos candidatos. Desde a proibição das doações empresariais em 2015, o dinheiro público tornou-se o principal combustível da democracia eleitoral — mas sua distribuição, entregue à autonomia dos partidos, reproduz as hierarquias e visibilidades já estabelecidas, deixando a promessa de igualdade de oportunidades como aspiração distante.