A corrida presidencial de 2026 ganhou corpo real com a oficialização das chapas e a definição do tempo de TV, mas a colunista Malu Gaspar, em O Globo, observa que, fora as intervenções de Argentina e Estados Unidos, o que se vê é a repetição de velhos hábitos. Entre Lula e Flávio Bolsonaro, o embate se alimenta de crises, inquéritos e trocas de farpas, enquanto temas como dívidas, segurança, contas públicas e educação aguardam uma conversa que ainda não chegou. É o retrato de uma eleição que caminha com muito barulho e pouca promessa de futuro.
Mesmo com interferência estrangeira, disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo
Os dois evitam apresentar um projeto concreto de futuro
O que a colunista quer dizer com "cheira a mofo"?
Que, apesar do barulho, a campanha repete as anteriores: tretas, denúncias e debates vazios, sem os temas de fundo, como dívida das famílias, segurança, contas públicas e educação.
E o que mudou, de concreto, nas últimas semanas?
Flávio escolheu Alfredo Gaspar como vice e, segundo a Genial/Quaest, recuperou um pouco de terreno. Do lado de Lula, três inquéritos no STF miram Lulinha e Marcola.
Convém separar as coisas. Os inquéritos são suspeitas de tráfico de influência, não condenações. O texto só afirma que Marcola admitiu ter recebido R$ 249 mil de Roberta Luchsinger.
E a estratégia de Lula, evitar debates, é fato?
A coluna diz que essa é a ordem no comando da campanha, com prioridade para podcasts. Flávio só iria aonde Lula for.
Isso é a leitura da colunista sobre a orientação interna, sem fonte identificada. Também é opinião que Lula "nem acredita" no que disse na convenção.
Há algo sobre o impacto eleitoral do caso INSS?
Auxiliares dizem que o caso de Lulinha estava "precificado", mas Marcola não estava.
E o texto admite que ainda é difícil dizer o tamanho do dano. Que virão novas denúncias contra Flávio é previsão, não fato.
Le Pouls
- O campo de Flávio Bolsonaro, abalado pelo caso Dark Horse e pela briga pública com Michelle, buscou fôlego na escolha de Alfredo Gaspar como vice e viu a pesquisa Genial/Quaest mostrar recuperação parcial.
- Novos inquéritos no STF miram Lulinha e Marcola, e a admissão de Marcola sobre R$ 249 mil recebidos de um lobista ligado ao caso do INSS abala o entorno do presidente.
- A campanha de Lula evita debates e sabatinas da imprensa profissional, apostando em podcasts onde pode falar sem pressão, enquanto Flávio segue os passos do adversário.
- Analistas esperam que novas denúncias surjam antes do primeiro turno, em uma disputa apertada na qual cada lance pode decidir o resultado.
A corrida presidencial de 2026 ganhou corpo real com a oficialização das chapas e a definição do tempo de TV, mas a colunista Malu Gaspar, em O Globo, observa que, fora as intervenções de Argentina e Estados Unidos, o que se vê é a repetição de velhos hábitos. Entre Lula e Flávio Bolsonaro, o embate se alimenta de crises, inquéritos e trocas de farpas, enquanto temas como dívidas, segurança, contas públicas e educação aguardam uma conversa que ainda não chegou. É o retrato de uma eleição que caminha com muito barulho e pouca promessa de futuro.
A corrida presidencial de 2026 começou a valer de fato quando as chapas foram oficializadas e o tempo de TV e rádio foi definido. Discursos de convenção, escolhas de vices e coligações ocuparam o noticiário, mas a colunista Malu Gaspar, em O Globo, vê pouco de novo nisso tudo.
Do lado de Flávio Bolsonaro, o PL viveu dias de tumulto, com o caso Dark Horse e a briga pública com Michelle Bolsonaro. A escolha de Alfredo Gaspar como vice trouxe uma trégua, e a pesquisa Genial/Quaest mostrou que essa calma ajudou o candidato a recuperar parte do terreno perdido. A colunista, porém, prevê que novas confusões nas redes não devem demorar.
Lula disputa com o mesmo vice e prometeu, na convenção, ser ousado num eventual quarto mandato. Para a colunista, ele mesmo não acredita muito nisso. Até o primeiro turno, a estratégia real está no Palácio do Planalto, com programas como Desenrola 2.0, Gás do Povo e Move Brasil. Na campanha, Lula evita debates e sabatinas da imprensa e prefere os podcasts, enquanto Flávio decidiu acompanhá-lo onde for.
O ponto mais delicado veio com o STF, que abriu três inquéritos sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, filho do presidente, e Marcola, ex-chefe de gabinete e coordenador de campanha. Marcola admitiu ter recebido R$ 249 mil de uma lobista ligada ao caso do INSS. Sua saída da campanha não acalmou o entorno de Lula, e há quem aposte que virão outros episódios.
Para a colunista, o rumo segue o das eleições anteriores: tretas, denúncias e debates estéreis, sem discussão séria sobre endividamento, segurança, contas públicas ou educação. É o ponto em comum entre os dois candidatos, que se esforçam para chegar ao fim da corrida sem apresentar um projeto concreto de futuro.
A corrida presidencial de 2026 passou a valer de verdade quando os candidatos e suas chapas foram oficializados e o tempo de TV e rádio de cada um ficou definido. É o que escreve a colunista Malu Gaspar, em O Globo. Discursos de convenção, escolhas de vices e coligações (ou a falta delas) tomaram o noticiário, como em qualquer ano eleitoral. Para ela, porém, com exceção das tentativas de Argentina e Estados Unidos de se meter no processo eleitoral, que ainda podem ter consequências, tudo o mais tem cheiro de mofo.
O campo de Flávio Bolsonaro (PL) vinha em tumulto, primeiro com as revelações do caso "Dark Horse" e depois com a briga pública com Michelle Bolsonaro. Houve uma trégua quando o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi escolhido vice. A pesquisa Genial/Quaest divulgada na véspera mostra que essa calma relativa ajudou o candidato a recuperar um pouco do terreno perdido para Lula. A colunista avisa, no entanto, que novas confusões nas redes não devem demorar.
Lula concorre de novo com o mesmo vice. No palco da convenção que confirmou sua candidatura, disse que agora vai: no quarto mandato, será "ousado", vai "mudar coisa nesse país" e "vai ter briga com emenda parlamentar". Para a colunista, nem ele acredita nisso, mas não importa. Até o primeiro turno, a ideia é jogar a bola para o lado e evitar tomar gol, enquanto a estratégia real corre pelo Palácio do Planalto, com Desenrola 2.0, Gás do Povo e o impulso do Move Brasil, entre outros programas.
A ordem no comando da campanha é que Lula fique fora de debates e sabatinas promovidos pela imprensa profissional. A prioridade são os podcasts, onde ele costuma falar sem ser pressionado e passar recados sem interferência. Flávio, por sua vez, decidiu ir apenas aonde Lula for. Tudo isso favorece a manutenção da polarização entre os dois, com pouca diferença nas intenções de voto, a menos que o imponderável apareça.
E ele, diz o texto, sempre aparece. Nesta semana, visitou Lula. O Supremo Tribunal Federal abriu três inquéritos para investigar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete e coordenador de campanha de Lula. Marcola, companheiro de Lula desde antes da prisão, teve de admitir que recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, lobista do "Careca do INSS" em Brasília.
Que Lulinha apareça em novos casos, depois de tudo o que já se documentou desde o caso Gamecorp, não surpreende quem o conhece. Segundo o que se ouve na campanha, o impacto de revelações ligando-o ao escândalo do INSS já estava "precificado". Em um dos podcasts recentes, Lula repetiu a frase ensaiada: "Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei".
O que não estava precificado era o envolvimento de Marcola. A saída dele da campanha não acalmou a ansiedade no entorno de Lula, e quem conhece a história aposta que vem mais. Até que ponto isso machuca Lula nas urnas, ainda é difícil dizer. Ninguém que entenda de eleição duvida, ao mesmo tempo, que Flávio será alvo de novas denúncias antes do primeiro turno. Numa disputa apertada, cada lance conta pontos.
Por isso, conclui a colunista, não é contraditório falar em mofo em meio a tanto agito. O rumo é o das eleições anteriores: tretas, denúncias e debates estéreis, sem discussão séria sobre endividamento, segurança pública, problema fiscal ou educação. Entre tantas divergências, é o único ponto comum dos dois candidatos com votos: ambos se esforçam para chegar ao fim da corrida sem apresentar um projeto concreto de futuro.
Citations marquantes
Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas.— Lula, em podcast