Governo identifica inconsistências e suspende divulgação de dados salariais
Em fevereiro de 2026, o Brasil registrou 62,2 milhões de vínculos formais de trabalho — um crescimento de 3,6% em um ano que revela tanto a vitalidade quanto as contradições de uma economia em expansão desigual. O setor público avançou com força incomum, enquanto o mercado privado cresceu em ritmo mais contido, e as mulheres conquistaram espaço histórico no emprego formal. Mas por trás dos números de crescimento, uma sombra de incerteza: inconsistências nos dados salariais levaram o governo a suspender parte das divulgações, lembrando que toda estatística carrega, em si, os limites do que conseguimos enxergar.
- O setor público criou 1,09 milhão de postos entre dezembro e fevereiro, crescendo 8,6% em um ano — ritmo quase quatro vezes maior que o do mercado privado.
- Enquanto o emprego formal total avançava, os registros com remuneração válida caíam de 55,26 milhões para 53,53 milhões, revelando uma contradição que o próprio governo não consegue ainda explicar.
- Mulheres chegaram a 46,1% do mercado formal, com crescimento de 4,7% em seus vínculos — avanço que supera o ritmo masculino e sinaliza uma reconfiguração gradual do perfil do trabalho no Brasil.
- Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideraram o crescimento proporcional, mas São Paulo e Minas Gerais continuam dominando em volume absoluto de novos empregos.
- Diante das inconsistências nos dados salariais, o Ministério do Trabalho suspendeu divulgações além de dezembro de 2025, deixando em aberto como os números reais se comportarão após a revisão.
Em fevereiro de 2026, o Brasil contabilizou 62,2 milhões de trabalhadores com vínculos formais — 2,17 milhões a mais do que no mesmo mês do ano anterior, um crescimento de 3,6%. O avanço, porém, não foi uniforme: o verdadeiro motor da expansão foi o setor público, que saltou 8,6% em doze meses e criou 1,09 milhão de postos apenas entre dezembro e fevereiro. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que somam 48 milhões de pessoas, cresceram apenas 2,2% no mesmo período.
Parte do crescimento inicial do ano segue um padrão sazonal conhecido — recontratações após férias coletivas e recesso. Mas mesmo descontado esse efeito, a diferença entre o ritmo público e o privado chama atenção. Geograficamente, Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideraram em termos proporcionais, enquanto Minas Gerais e São Paulo dominaram em volume absoluto, adicionando juntas mais de 400 mil vínculos.
O período também marcou avanços importantes em inclusão. As mulheres chegaram a 28,6 milhões de empregos formais, crescimento de 4,7% — superando o ritmo masculino de 2,7% — e elevaram sua participação no mercado formal de 45,6% para 46,1%. Jovens entre 18 e 24 anos, trabalhadores indígenas, pretos e pardos também registraram crescimento acima da média.
Nos dados salariais, a remuneração média mensal chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, e a massa salarial total alcançou R$ 240,7 bilhões. Mas esses números carregam uma ressalva importante: o Ministério do Trabalho identificou inconsistências nos registros enviados pelos empregadores. Enquanto o total de vínculos crescia, a quantidade de registros com remuneração válida caía — de 55,26 milhões para 53,53 milhões. Diante disso, o governo suspendeu a divulgação de dados salariais além de dezembro de 2025, sinalizando que a fotografia do mercado de trabalho brasileiro ainda está sendo revelada.
Em fevereiro de 2026, o Brasil tinha 62,2 milhões de pessoas trabalhando formalmente — um número que cresceu 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse avanço de 2,17 milhões de vínculos representa uma economia que continua a absorver trabalhadores, ainda que em ritmos desiguais entre os setores.
O motor desse crescimento foi o setor público. Os agentes públicos — servidores estatutários, contratados por tempo determinado e ocupantes de cargos em comissão — somavam 13,8 milhões de vínculos em fevereiro, um salto de 8,6% em um ano. Apenas entre dezembro e fevereiro, o setor público criou 1,09 milhão de postos. Em contraste, os trabalhadores com carteira assinada, que representam a maior fatia do mercado formal com 48 milhões de pessoas, cresceram apenas 2,2% no mesmo período, adicionando 1,04 milhão de vínculos. A diferença é significativa: enquanto o setor público acelerava, o mercado privado mantinha um ritmo mais contido.
Parte dessa expansão inicial do ano reflete um padrão sazonal bem conhecido. Os primeiros meses trazem recontratações após férias coletivas e períodos de recesso, quando setores inteiros retomam suas operações. Entre dezembro e fevereiro, o mercado formal ganhou 1,39 milhão de trabalhadores no total. Mas quando se olha apenas para o setor privado, o crescimento foi modesto: de 47,6 milhões em dezembro para 48 milhões em fevereiro, uma alta de apenas 0,81%.
O crescimento não foi uniforme pelo país. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram os maiores aumentos proporcionais, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente. Em números absolutos, porém, Minas Gerais e São Paulo dominaram, adicionando 271,2 mil e 148,5 mil vínculos formais cada uma. Mulheres ganharam espaço no mercado formal: 28,6 milhões delas estavam empregadas formalmente em fevereiro, um crescimento de 4,7% em relação a fevereiro de 2025. Homens cresceram 2,7%, chegando a 33,5 milhões. Com isso, a participação feminina no mercado formal subiu de 45,6% para 46,1%. Jovens entre 18 e 24 anos também tiveram destaque, com 1,21 milhão de novos vínculos em 12 meses. Trabalhadores indígenas, pretos e pardos também registraram crescimento mais forte que a média.
Nos dados salariais, a massa salarial mensal — a soma de todos os rendimentos pagos — passou de R$ 235,7 bilhões em janeiro de 2025 para R$ 240,7 bilhões em dezembro do mesmo ano, uma alta de 2,1%. A remuneração média mensal chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, contra R$ 4.208,6 em fevereiro, um aumento de 3,8%. O setor de serviços concentrou a maior parte dessa massa salarial, com aproximadamente R$ 155 bilhões no último mês analisado.
Mas há uma sombra sobre esses números. O Ministério do Trabalho e Emprego identificou inconsistências nos dados de remuneração enviados pelos empregadores. Enquanto o número total de vínculos formais cresceu de 60 milhões para 62,2 milhões em um ano, a quantidade de registros com remuneração válida caiu de 55,26 milhões para 53,53 milhões. Diante dessa divergência, o governo decidiu divulgar dados salariais apenas até dezembro de 2025 e aprofundar a análise das informações antes das próximas atualizações da Relação Anual de Informações Sociais Mensalizada. A decisão deixa em aberto a questão de como esses números se comportarão quando a análise for concluída.
Notable Quotes
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento do número de servidores públicos, que superou o ritmo de expansão dos empregos com carteira assinada— Ministério do Trabalho e Emprego
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o setor público cresceu tão mais rápido que o privado?
Parte é sazonal — o início do ano sempre traz recontratações. Mas há algo mais: o governo estava expandindo seus quadros. Quase 887 mil das novas contratações públicas foram por tempo determinado, o que sugere projetos ou iniciativas temporárias.
E o que explica as mulheres ganharem mais espaço?
Elas cresceram 4,7% enquanto homens cresceram 2,7%. Não é uma reversão completa, mas é um movimento real. Passaram de 45,6% para 46,1% do mercado formal. Ainda há desequilíbrio, mas a tendência é clara.
Os salários subiram de verdade?
A massa salarial cresceu 2,1% e a remuneração média subiu 3,8%. Mas há um problema: o governo descobriu que muitos registros de remuneração estão inconsistentes. Então esses números podem não contar a história completa.
Qual é o risco disso?
Se há 53,53 milhões de registros com remuneração válida de um total de 62,2 milhões, quase 9 milhões de pessoas têm dados salariais questionáveis. O governo pausou as divulgações para investigar. Isso deixa incerteza sobre a saúde real dos salários.
E as regiões? Por que Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresceram mais?
Proporcionalmente, sim. Mas em números absolutos, Minas Gerais e São Paulo criaram muito mais empregos. Pode ser que as regiões menores estejam partindo de bases menores, então percentuais altos representam números menores em termos reais.