Mercadante desmonta mitos fiscais e projeta Lula como líder global da paz

O Brasil não pode ser mero exportador de matéria-prima
Mercadante alertou que minerais críticos e terras raras devem gerar valor localmente, não apenas ser exportados brutos.
Mark

O que Mercadante estava realmente tentando fazer naquele discurso? Parecia uma defesa do BNDES, mas havia algo mais?

Mimi

Havia várias camadas. Sim, ele defendeu o banco — os números sobre taxa de mercado e inadimplência são reais. Mas o discurso era também uma mensagem política: que o Estado pode ser eficiente, que desenvolvimento exige risco compartilhado, e que o Brasil não pode abrir mão de soberania sobre ativos estratégicos.

Luke

Mas espera — ele disse que 68% da carteira opera a taxas de mercado. Isso significa que 32% não opera? Qual é a taxa desse outro terço?

Mimi

Boa pergunta. O discurso não detalha isso. Pode ser crédito subsidiado para setores estratégicos, ou pode ser operações com retorno social. Mas você está certo em questionar.

Mark

E quanto ao argumento sobre minerais críticos e terras raras? Isso é uma questão real de soberania ou é retórica?

Mimi

É real. Esses minerais são fundamentais para tecnologia, baterias, energia renovável. Se o Brasil não agrega valor localmente, está perdendo oportunidade econômica e geopolítica. Mas implementar isso é complexo — exige investimento, tecnologia, cadeia produtiva.

Luke

Ele mencionou a Embraer como exemplo de sucesso. Mas a Embraer é uma exceção, não uma regra. Quantas empresas brasileiras de alta tecnologia existem? E quantas foram construídas com esse modelo de Estado-mercado que ele descreve?

Mimi

Poucas. Muito poucas. A Embraer é realmente uma exceção. Isso torna o argumento mais aspiracional do que descritivo do que já existe.

Mark

Ele também falou sobre pacto fiscal entre os Poderes. Isso é viável? O Congresso vai aceitar limitar emendas?

Luke

Mercadante estava pedindo algo que politicamente é muito difícil. Emendas orçamentárias são moeda de troca política. Dizer que precisa de pacto é correto, mas a realidade é que cada Poder tem incentivos diferentes.

Mimi

Verdade. Mas ele estava falando para empresários, não para congressistas. Era um apelo: vejam que o problema fiscal não é só o Executivo, é estrutural. Talvez isso gere pressão política.

Mark

E a projeção de Lula como líder global da paz? Isso não parecia um pouco fora de tom para um discurso sobre economia?

Mimi

Não, porque para Mercadante — e para o governo — democracia estável é pré-condição para desenvolvimento. Ele estava dizendo: protejam as instituições, porque sem elas não há crescimento sustentável.

Luke

Mas isso também é um apelo emocional. Não há dados ali, não há análise de risco. É convocação política.

  • A narrativa de que bancos públicos são sinônimo de subsídio e ineficiência foi confrontada diretamente com dados: quase 70% da carteira do BNDES opera a taxas de mercado e a inadimplência permanece historicamente baixa.
  • O Brasil corre o risco de repetir no século 21 o papel de simples fornecedor de matéria-prima, desperdiçando a janela geopolítica aberta pelos minerais críticos e terras raras que o mundo industrializado disputa.
  • O ajuste fiscal foi reconhecido como necessário, mas Mercadante recusou que o ônus recaia apenas sobre o Executivo, apontando precatórios e a expansão das emendas parlamentares como passivos que exigem pacto entre todos os Poderes.
  • Mercadante convocou o empresariado a abandonar a neutralidade diante do extremismo, argumentando que crescimento sustentável e respeito à Constituição não são opções separadas — são condições uma da outra.

Diante de mais de 500 líderes do empresariado brasileiro reunidos em São Paulo, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, apresentou uma visão de desenvolvimento nacional que recusa a falsa escolha entre eficiência e Estado. Com números que contradizem narrativas de desperdício e um apelo à responsabilidade partilhada entre Poderes, Mercadante situou a soberania industrial, a transição ecológica e a estabilidade democrática como faces de um mesmo projeto histórico — lembrando que nenhuma nação prosperou no longo prazo sem respeitar a ordem que a sustenta.

Na noite de 25 de setembro, mais de 500 nomes do empresariado, das finanças e da produção brasileira se reuniram em São Paulo para ouvir Aloizio Mercadante em um dos discursos mais estruturados do atual ciclo político. O jantar, promovido pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório, foi um momento de diálogo entre o setor produtivo e o governo federal — e Mercadante chegou com uma mensagem precisa: os mitos sobre ineficiência dos bancos públicos não resistem aos números.

O presidente do BNDES desmontou o dogma do desperdício estatal mostrando que quase 70% da carteira do banco opera com taxas de mercado e que a inadimplência permanece em níveis historicamente baixos. Diante de uma plateia acostumada a questionar instituições estatais, ele argumentou que nenhum país realizou transição ecológica ou inovação de fronteira sem que o Estado compartilhasse riscos — e que o BNDES provou ser possível fazê-lo mantendo solidez financeira.

A neoindustrialização foi o fio condutor do discurso. Mercadante conectou a agenda produtiva à sustentabilidade, citando descarbonização, energia limpa e cooperação público-privada como frentes centrais. Mas havia uma advertência clara: o Brasil não pode ser mero exportador de matéria-prima no século 21. Os minerais críticos e as terras raras precisam gerar valor dentro do país, servindo à soberania nacional e não apenas às cadeias industriais estrangeiras.

No campo fiscal, Mercadante reconheceu o trabalho do ministro Fernando Haddad e o histórico de responsabilidade dos governos Lula, mas recusou que o ajuste seja cobrado apenas do Executivo. Apontou os passivos judiciais e a expansão das emendas parlamentares como desafios estruturais que exigem um pacto de responsabilidade partilhada entre todos os Poderes da República.

Na conclusão, o discurso ganhou dimensão histórica. Mercadante defendeu que a aliança entre Lula e Alckmin foi o alicerce da recuperação democrática brasileira e convocou o empresariado a fechar fileiras contra o extremismo e a violência política. Sua mensagem final foi direta: desenvolvimento, soberania e democracia são inseparáveis — e não há crescimento sustentável onde a Constituição não é respeitada.

Na noite de sexta-feira, 25 de setembro, mais de 500 dos principais nomes do empresariado, das finanças e da produção brasileira se reuniram em São Paulo para ouvir Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em um dos discursos mais estruturados do atual ciclo político e econômico. O jantar, promovido conjuntamente pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório, marcou um momento de diálogo entre o setor produtivo e o governo federal — e Mercadante veio com uma mensagem clara: os mitos sobre a ineficiência dos bancos públicos e o desperdício fiscal não resistem aos números.

O presidente do BNDES começou desmontando um dos principais dogmas que cercam as instituições públicas de crédito. Segundo ele, quase 70% da carteira do banco opera com taxas de mercado, e a inadimplência permanece em níveis historicamente baixos. Esses números, apresentados diante de uma plateia acostumada a questionar a viabilidade de instituições estatais, contradizem frontalmente a narrativa de subsídios desmedidos e ineficiência que circula nos círculos financeiros. Mercadante ressaltou que nenhum país no mundo realizou transição ecológica ou inovação de fronteira sem que o Estado compartilhasse riscos — e o BNDES, segundo ele, provou ser possível fazer isso com crédito indutor, verde e inclusivo, mantendo solidez financeira.

A transformação do banco em alavanca para a neoindustrialização foi o fio condutor do discurso. Mercadante conectou a agenda produtiva à sustentabilidade e à transição energética, apontando três frentes principais: descarbonização e restauração florestal em larga escala, financiamento de energia limpa enquanto a robustez da Petrobras financia a infraestrutura do futuro, e a cooperação público-privada como resposta aos desafios tecnológicos contemporâneos. Mas havia uma advertência subjacente: o Brasil não pode ser mero exportador de matéria-prima no século 21. Os minerais críticos e as terras raras, fundamentais para a geopolítica global e para as cadeias industriais de ponta, precisam gerar valor dentro do país, desenvolvendo a indústria nacional e servindo à soberania brasileira.

Ao abordar o debate fiscal, Mercadante resgatou o histórico de responsabilidade dos governos Lula, lembrando os superávits primários e o trabalho técnico conduzido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Mas fez um ponto crucial: o equilíbrio das contas públicas não pode ser cobrado apenas do Poder Executivo. Ele apontou os desafios estruturais impostos por passivos judiciais, como os precatórios, e a forte expansão das emendas orçamentárias pelo Congresso Nacional, argumentando que é necessário um pacto de responsabilidade partilhada entre todos os Poderes da República. Essa era uma mensagem tanto para o empresariado quanto para os demais atores políticos: a solução fiscal não é unilateral.

Mercadante contrastou a atual inserção do Brasil no Sul Global, na agenda climática e nas grandes mesas multilaterais com o período de isolamento internacional dos anos anteriores. Citou a Embraer como símbolo de capacidade técnica e excelência, lembrando que a indústria nacional de alta densidade tecnológica foi construída a partir de visão estratégica de Estado aliada ao mercado — um modelo que, segundo ele, precisa ser retomado e aprofundado.

Na conclusão, Mercadante elevou o debate para a dimensão histórica. Situou o presidente Lula no panteão dos grandes estadistas e pacificadores mundiais, defendendo que a união entre Lula e Geraldo Alckmin foi o alicerce fundamental para a recuperação da normalidade democrática brasileira. Convocou o empresariado a fechar fileiras em defesa da democracia, alertando contra os riscos do extremismo, da violência política e das tentativas de desestabilização da ordem republicana. Sua mensagem final foi direta: crescimento econômico sustentável só floresce onde a Constituição e o Estado Democrático de Direito são respeitados. Naquele salão em São Paulo, entre os maiores nomes da economia brasileira, Mercadante estava dizendo que não há atalho — que desenvolvimento, soberania e democracia são inseparáveis.

Nenhum país no mundo fez transição ecológica ou inovação de fronteira sem compartilhamento de risco do Estado
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Crescimento econômico sustentável só floresce onde a Constituição e o Estado Democrático de Direito são respeitados
— Aloizio Mercadante
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