Mensagens revelam que Vorcaro priorizou financiamento de filme sobre Bolsonaro

o mais importante disparado entre seus compromissos
Vorcaro descreveu assim o financiamento do filme Dark Horse quando soube que o aporte ainda não havia sido realizado.
Mark

O que exatamente essas mensagens mostram que é novo? Já não sabíamos que Vorcaro estava financiando o filme?

Mimi

Sabíamos que havia financiamento. O que é novo é a sequência: as cobranças diretas de Flávio, a mudança imediata no comportamento de Vorcaro, e ele próprio dizendo que era "o mais importante disparado" entre seus compromissos.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. A mensagem atribuída a Flávio foi encaminhada por Miranda, não vem diretamente do senador. Vorcaro viu uma mensagem que Miranda disse que era de Flávio.

Mimi

Verdade. Mas o ponto é que Vorcaro respondeu à cobrança mudando suas prioridades. Independentemente de quem exatamente enviou a mensagem, ele a recebeu como uma cobrança e agiu.

Mark

E o Banco Master estava em dificuldades naquela época?

Mimi

Sim. Desde o final de 2024, a instituição enfrentava questionamentos regulatórios sobre liquidez e capitalização. Então Vorcaro estava priorizando um filme enquanto seu banco tinha problemas.

Luke

Mas não sabemos se esses problemas eram críticos ou apenas questões de rotina regulatória. O Intercept não detalha o grau de severidade das dificuldades do Banco Master.

Mark

Quanto dinheiro estamos falando?

Mimi

Pelo menos 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos até maio de 2025. E havia negociações para mais 24 milhões de dólares adicionais.

Luke

Esses números vêm de fontes diferentes. Os 10,6 milhões vêm da série "Vaza Flávio", não das mensagens agora reveladas. E os 24 milhões são de áudios de negociações, não de transferências confirmadas.

Mark

Qual foi o impacto político disso tudo?

Mimi

Desgaste significativo. A pré-candidatura de Flávio enfrentou incertezas, perdeu apoiadores, e a campanha perdeu seu coordenador.

Luke

Mas não está claro se o desgaste veio especificamente dessas mensagens ou do conjunto todo de revelações sobre o filme e as operações policiais relacionadas.

  • Mensagens internas revelam que Daniel Vorcaro declarou o financiamento do filme Dark Horse como 'o mais importante disparado' entre seus compromissos, mesmo com o Banco Master sob pressão regulatória.
  • O intermediador Thiago Miranda pressionou Vorcaro diretamente, encaminhando uma mensagem atribuída ao senador Flávio Bolsonaro a cobrar agilidade no processo de liberação dos recursos.
  • Ao descobrir que os pagamentos ainda não haviam sido efetuados, Vorcaro interveio pessoalmente junto ao cunhado Fabiano Zettel, declarando que o repasse 'não pode falhar mais'.
  • O volume financeiro envolvido é expressivo: ao menos 10,6 milhões de dólares já transferidos ao fundo Havengate, com negociações para um aporte adicional de cerca de 24 milhões de dólares.
  • As revelações provocaram turbulência política imediata — a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro vacila, sua campanha perdeu o coordenador Duda Lima e questionamentos jurídicos se acumulam.

Em meio a fragilidades financeiras de uma instituição bancária, um ex-banqueiro escolheu elevar o financiamento de um filme político a sua prioridade máxima — decisão que, à luz de mensagens internas reveladas, sugere que pressões oriundas do círculo familiar de um ex-presidente moldaram o fluxo de recursos privados em favor de um projeto de propaganda eleitoral. O episódio, situado em janeiro de 2025, coloca em evidência a zona turva onde o dinheiro, a política e o cinema se encontram, com consequências que já reverberam nas ambições eleitorais de Flávio Bolsonaro.

Em janeiro de 2025, enquanto o Banco Master enfrentava questionamentos sobre liquidez e capitalização, Daniel Vorcaro passou a acompanhar pessoalmente a liberação de recursos para o Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A razão, agora revelada pelo Intercept Brasil, estava nas cobranças que chegavam de dentro do círculo bolsonarista.

No dia 20 de janeiro, Thiago Miranda — intermediador entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro — enviou ao banqueiro uma mensagem cobrando o primeiro aporte ao projeto e encaminhou uma mensagem atribuída ao próprio senador, pedindo agilidade ao departamento jurídico responsável. Vorcaro respondeu que verificaria a situação.

Nos dias seguintes, sua postura mudou de forma reveladora. Ao constatar, em conversa com o cunhado Fabiano Zettel, que os recursos ainda não tinham sido transferidos, Vorcaro foi categórico: aquele era 'o mais importante disparado' entre seus compromissos, e o pagamento 'não pode falhar mais' — declaração que ganha peso ao considerar que dezenas de milhões em outros pagamentos aguardavam na fila.

Os valores totais envolvidos no projeto são consideráveis. Documentos anteriores da série 'Vaza Flávio' já indicavam ao menos 10,6 milhões de dólares transferidos ao fundo Havengate até maio de 2025. Em maio de 2026, novos áudios divulgados pelo Intercept apontaram negociações para um aporte adicional de cerca de 24 milhões de dólares — aproximadamente 134 milhões de reais.

As consequências políticas foram imediatas. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro passou a enfrentar incertezas, a campanha perdeu o coordenador Duda Lima e surgiram questionamentos jurídicos ligados a pesquisas eleitorais. Vorcaro, Zettel, Flávio Bolsonaro, Miranda e Paulo Calixto foram procurados pelo Intercept e pelo Correio Braziliense, mas nenhum se manifestou até o fechamento da matéria.

Em janeiro de 2025, enquanto o Banco Master enfrentava questionamentos regulatórios sobre sua liquidez e capitalização, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro começou a acompanhar pessoalmente a liberação de recursos para um projeto cinematográfico chamado Dark Horse — um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram que essa priorização não era casual. Ela veio após cobranças diretas relacionadas ao financiamento do projeto.

No dia 20 de janeiro de 2025, Thiago Miranda, identificado como intermediador nas negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro, enviou uma mensagem ao banqueiro cobrando a realização do primeiro aporte previsto para o filme. Miranda também encaminhou a Vorcaro uma mensagem que teria sido enviada pelo próprio senador, na qual Flávio solicitava agilidade na resposta do departamento jurídico responsável pelo financiamento. A resposta de Vorcaro foi breve: ele verificaria a situação.

Nos dias seguintes, o comportamento mudou. Vorcaro passou a monitorar diretamente o andamento dos pagamentos, conversando com Fabiano Zettel, seu cunhado e colaborador de confiança. Quando descobriu que os recursos ainda não haviam sido transferidos para o projeto, sua reação foi inequívoca. Segundo as mensagens divulgadas, Vorcaro respondeu que aquele era "o mais importante disparado" entre seus compromissos financeiros e acrescentou que o pagamento "não pode falhar mais". Essa declaração é particularmente significativa considerando que dezenas de milhões em outros pagamentos estavam pendentes naquele momento.

O contexto financeiro do Banco Master tornava essa priorização ainda mais notável. A instituição já enfrentava dificuldades relacionadas à liquidez e à capitalização no final de 2024, justamente quando o cronograma do filme Dark Horse previa a realização do primeiro aporte. Apesar dessas pressões internas, Vorcaro elevou o financiamento do projeto a uma posição de destaque em suas prioridades de caixa.

Os números envolvidos no projeto eram substanciais. Segundo documentos revelados anteriormente pela série "Vaza Flávio", pelo menos 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do filme, até maio de 2025. Em maio de 2026, o Intercept divulgou áudios indicando negociações para um financiamento adicional de aproximadamente 24 milhões de dólares — cerca de 134 milhões de reais à época — para o projeto cinematográfico.

A divulgação dessas mensagens e áudios gerou consequências políticas imediatas. O episódio resultou em desgaste político significativo, com reflexos no esvaziamento da base aliada do governo. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro enfrentou incertezas, e a campanha perdeu Duda Lima de sua coordenação. Além disso, surgiram questionamentos jurídicos relacionados a pesquisas eleitorais pela defesa do senador.

O Intercept Brasil procurou Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para comentar as informações divulgadas, mas não houve manifestação até a publicação da matéria. O espaço permanece aberto para posicionamentos. O Correio Braziliense também tenta contato com os envolvidos, e qualquer manifestação resultará na atualização do texto.

o mais importante disparado entre seus compromissos financeiros e que o pagamento não pode falhar mais
— Daniel Vorcaro, em mensagens reveladas pelo Intercept Brasil
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