No cruzamento entre o poder jurídico e os interesses financeiros, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sugerem uma linha de proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mediada por um advogado comum. O encontro em Londres, os charutos, o uísque e as saudades trocadas por interposta pessoa compõem um quadro que a história do direito conhece bem: o da fronteira tênue entre o convívio legítimo e o comprometimento institucional. Nesta sexta-feira, o Conselho Superior do MPF decide se essa fronteira foi cruzada — e quem deverá r
Mensagens revelam possível interlocução entre PGR Paulo Gonet e ex-banqueiro Daniel Vorcaro
Intermediado por advogado, o procurador-geral celebra charutos e uísque
O que exatamente essas mensagens mostram? São conversas diretas entre Gonet e Vorcaro, ou tudo passa pelo advogado?
Tudo passa pelo advogado Ciro Soares. Ele encaminha fotos, manda recados, facilita as ligações. Mas há ligações telefônicas diretas entre os dois — quatro chamadas curtas e uma conversa de quase quatro minutos.
E quanto tempo duraram essas chamadas? Porque "breve" é o que Gonet diz, mas os números importam.
Três minutos e 49 segundos na conversa mais longa. As outras foram entre 17 e 57 segundos. Não é muito, é verdade.
Mas por que um procurador-geral da República estaria em contato com um ex-banqueiro cujos casos ele pode estar investigando?
Essa é a questão central. Gonet diz que não há conflito, que não tem interesse pessoal nos casos do Master. Mas o padrão das mensagens — as referências a charutos, uísque, viagens — sugere algo mais próximo que uma relação profissional casual.
Espera. Gonet estava em Londres em abril de 2024 como convidado de um evento jurídico. Isso é público. A foto existe. Mas as mensagens de março de 2025 — quase um ano depois — essas sim parecem mais problemáticas. Por que ele estaria pedindo para levar o filho a uma viagem patrocinada pelo banco?
E o banco acabou cancelando o evento?
Sim, a segunda edição prevista para 2025 foi cancelada.
Então não sabemos se Gonet e o filho realmente iriam, ou se havia algo mais sendo negociado. O cancelamento pode significar muita coisa.
Gonet nega tudo. Como isso vai ser investigado?
O Conselho Superior do MPF vai decidir se designa um subprocurador-geral para apurar possível crime comum. E se Gonet deve se afastar dos casos do Master.
Mas aqui está o ponto: ninguém está acusando Gonet de crime ainda. Isso é investigação preliminar. As mensagens existem, mas o que elas provam é ainda uma questão aberta.
Le Pouls
- Mensagens recuperadas pela Polícia Federal revelam que um advogado serviu de ponte entre o ex-banqueiro Vorcaro e o chefe do MPF, Gonet, com referências a viagens, charutos e uísque Macallan.
- Uma fotografia de abril de 2024 mostra Gonet e Vorcaro sorridentes em evento jurídico em Londres patrocinado pelo próprio Banco Master — instituição sob investigação.
- Em março de 2025, o advogado intermediou mensagens em que Gonet teria dito sentir saudade de Vorcaro e manifestado desejo de participar de novo fórum em Londres com o filho.
- O filho do procurador-geral chegou a ser incluído em lista de convidados com despesas custeadas pelo grupo de Vorcaro, antes de o evento ser cancelado.
- Gonet nega amizade com o ex-banqueiro e afirma que a ligação telefônica foi breve e sem conteúdo funcional, mas a pressão institucional já chegou ao Conselho Superior do MPF.
- O Conselho decide nesta sexta-feira se designa investigação formal e se Gonet deve ser declarado suspeito nos casos envolvendo o Banco Master — um momento decisivo para sua permanência à frente da PGR.
No cruzamento entre o poder jurídico e os interesses financeiros, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sugerem uma linha de proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mediada por um advogado comum. O encontro em Londres, os charutos, o uísque e as saudades trocadas por interposta pessoa compõem um quadro que a história do direito conhece bem: o da fronteira tênue entre o convívio legítimo e o comprometimento institucional. Nesta sexta-feira, o Conselho Superior do MPF decide se essa fronteira foi cruzada — e quem deverá responder por isso.
A Polícia Federal extraiu do celular de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, mensagens que documentam uma linha de comunicação entre o banqueiro e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O elo entre os dois era Ciro Soares, advogado que havia defendido a instituição financeira. Os registros trazem referências a viagens internacionais, charutos e uísque — detalhes que levantaram dúvidas sobre a natureza do relacionamento e sobre a atuação de Gonet nas investigações que envolvem o Master.
Em abril de 2024, os dois estiveram juntos em um evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master. Uma fotografia do encontro, encaminhada por Ciro Soares a Vorcaro, mostra Gonet segurando um charuto enquanto Vorcaro está sentado à sua frente, ambos sorrindo, cercados por bebidas alcoólicas. A assessoria de Gonet confirmou a presença no evento, descrevendo-o como uma reunião com diversas autoridades.
Quase um ano depois, em março de 2025, Ciro Soares voltou a intermediar o contato: enviou uma foto de Gonet a Vorcaro e pediu que o ex-banqueiro ligasse. Houve quatro chamadas curtas e uma conversa de quase quatro minutos. Dez dias depois, o advogado encaminhou novas mensagens atribuídas a Gonet, nas quais o procurador dizia sentir saudade de Vorcaro e manifestava desejo de fumar charuto e beber uísque Macallan em uma nova edição do fórum em Londres. No dia seguinte, Gonet teria perguntado se poderia levar o filho na viagem — e recebeu resposta afirmativa.
Em abril de 2025, o nome de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, apareceu em lista de convidados com despesas cobertas pelo grupo de Vorcaro. O evento acabou sendo cancelado. Gonet negou amizade com o ex-banqueiro e afirmou que a ligação telefônica foi breve e sem relação com suas funções. Nesta sexta-feira, o Conselho Superior do MPF decide se abre investigação formal contra o chefe da PGR e se ele deve ser declarado suspeito nos casos que envolvem o Banco Master.
A Polícia Federal extraiu do celular de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, um conjunto de mensagens que documentam o que parece ser uma linha de comunicação entre o banqueiro e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O intermediário foi Ciro Soares, advogado que havia defendido a instituição financeira. Os registros incluem referências a viagens internacionais, charutos e uísque — detalhes que desencadearam questionamentos sobre a natureza do relacionamento entre os dois homens e sobre como Gonet tem atuado nas investigações que envolvem o Master.
Em abril de 2024, Gonet e Vorcaro estiveram presentes juntos em um evento jurídico realizado em Londres, patrocinado pelo Banco Master. Uma fotografia do encontro foi encaminhada a Vorcaro por Ciro Soares. Na imagem, Gonet segura um charuto nas mãos enquanto Vorcaro está sentado à sua frente; ambos sorriem para a câmera, acompanhados por outras duas pessoas, cercados por copos com bebidas alcoólicas. A assessoria de Gonet confirmou que ele compareceu ao evento — que reuniu diversas autoridades — e que isso já havia sido admitido publicamente. Gonet assumiu o cargo de chefe da PGR em dezembro de 2023.
Quase um ano depois, em 15 de março de 2025, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia com Paulo Gonet e em seguida mandou mensagens pedindo que o ex-banqueiro ligasse. "Ele quer falar com você", escreveu o advogado. De acordo com o relatório da Polícia Federal, os dois tiveram quatro chamadas de voz, cada uma durando entre 17 e 57 segundos, além de uma ligação de Vorcaro que não foi completada. Depois conversaram por telefone durante três minutos e 49 segundos.
Dez dias depois, em 28 de março, Ciro voltou a encaminhar mensagens que teria recebido de Gonet, nas quais o procurador-geral dizia estar com saudade de Vorcaro. O ex-banqueiro respondeu agradecendo e sugeriu agendar um novo encontro. As conversas também tocavam em uma possível viagem a Londres para uma nova edição do fórum jurídico. Em uma das mensagens encaminhadas pelo advogado, Gonet teria celebrado o convite e manifestado o desejo de fumar charuto e beber uísque Macallan. No dia seguinte, Ciro informou a Vorcaro que Gonet havia perguntado se poderia levar seu filho à viagem — pergunta que foi respondida afirmativamente.
Em abril de 2025, uma funcionária do banco consultou Vorcaro sobre uma lista de convidados cujas despesas seriam cobertas pelo grupo. Entre os nomes estavam Pedro Gonet, filho do procurador-geral, e Ciro Soares, ambos aprovados pelo empresário. A segunda edição do evento, que estava prevista para 2025, foi posteriormente cancelada.
Gonet respondeu às acusações em manifestação encaminhada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal. Ele negou manter relação de amizade com Vorcaro e afirmou não ter interesse pessoal nos processos que envolvem o ex-banqueiro. O procurador-geral sustentou que a ligação telefônica intermediada por Ciro Soares foi breve e não abordou assuntos relacionados às suas atribuições profissionais.
Nesta sexta-feira, 25 de setembro, o Conselho Superior do MPF analisa o caso e decide se vai designar um subprocurador-geral da República para investigar possível prática de crime comum atribuída ao chefe da PGR. Os conselheiros também vão determinar se Gonet deve se declarar suspeito ou impedido de atuar nos casos que envolvem o Master. A decisão marca um ponto crítico na trajetória de Gonet à frente da instituição e nas investigações que cercam a instituição financeira.
Citations marquantes
Negou manter relação de amizade com Vorcaro e afirmou não ter interesse pessoal nos processos envolvendo o ex-banqueiro— Paulo Gonet, em manifestação ao Conselho Superior do MPF