Mensagens revelam orquestração de ataques midiáticos contra Itaú por Vorcaro e publicitário

Eu quero fazer uma bomba atômica com esse cara
Vorcaro descreveu sua intenção de coordenar uma campanha midiática concentrada contra o CEO do Itaú.
Mark

Por que Vorcaro teria razão em atacar o Itaú especificamente? Qual era a disputa real entre os dois bancos?

Mimi

O Master dependia muito de depósitos cobertos pelo FGC, e o Itaú, como maior banco do país, era o maior associado do fundo. Quando o BC começou a questionar o modelo de negócios do Master, Vorcaro precisava de uma estratégia para se defender — e atacar o Itaú era uma forma de criar ruído regulatório.

Luke

Mas as mensagens não dizem explicitamente que Vorcaro estava tentando se defender do BC. Ele diz que Maluhy "está me causando muito problema", mas não sabemos se isso era uma ameaça regulatória ou uma disputa comercial. Poderia ser os dois.

Mark

E Miranda? Ele era apenas um executor, ou tinha seus próprios interesses?

Mimi

Miranda era sócio e CEO do Portal LeoDias, então tinha controle editorial. As mensagens mostram que Vorcaro pedia coisas específicas — dossiês, timing de publicações, alinhamento de campanhas — e Miranda concordava. Mas Miranda também tinha seus próprios parceiros de mídia, segundo ele mesmo disse.

Luke

Verdade, mas não sabemos quem eram esses "outros parceiros" que Miranda mencionou. As mensagens confirmam que ele coordenou com Vorcaro, mas não revelam a extensão real da rede de mídia envolvida.

Mark

O pedido de dossiê pessoal sobre Maluhy — isso é crime?

Mimi

Depende do que foi feito com essas informações e como foram obtidas. Se foram usadas para chantagem ou se foram obtidas ilegalmente, sim. Mas as mensagens mostram apenas que Vorcaro pediu e Miranda concordou em "deixar comigo".

Luke

Exatamente. Não sabemos se Miranda realmente conseguiu essas informações, se as usou, ou se simplesmente não as forneceu. A Operação Compliance Zero pode ter respostas, mas as mensagens sozinhas não provam crime.

Mark

E quanto ao timing? Por que Vorcaro insistia tanto em "alinhar antes de soltar"?

Mimi

Porque uma campanha coordenada é mais eficaz que ataques aleatórios. Se você publica no Portal LeoDias, depois em outros veículos, depois nas redes sociais, tudo no mesmo período, cria uma impressão de que há um problema real e generalizado.

Luke

Verdade, mas as mensagens não mostram que essa "campanha concatenada" foi realmente executada. Sabemos que Miranda postou sobre Setubal e que Vorcaro pediu para focar em Maluhy, mas não temos prova de que o plano de "bomba atômica" saiu do papel.

  • Mensagens de Vorcaro obtidas pelo Valor mostram coordenação com Miranda desde fim de 2024
  • Vorcaro pediu dossiê pessoal sobre Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, incluindo CPF e dados pessoais
  • Em 4 de maio de 2025, Vorcaro propôs uma 'campanha concatenada' em 'vários veículos' contra Maluhy
  • Miranda foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero por ações coordenadas em redes sociais

Vorcaro e Thiago Miranda planejaram campanhas coordenadas contra CEO Milton Maluhy, solicitando dossiês pessoais e alinhando publicações em múltiplos veículos. Os diálogos ocorrem enquanto grandes bancos alertavam o BC sobre modelo de negócios do Master apoiado em depósitos cobertos pelo FGC, do qual Itaú é maior associado.

Conversas de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram coordenação com publicitário para orquestrar ataques midiáticos contra o Itaú Unibanco e seus executivos desde fim de 2024.

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma campanha coordenada contra o Itaú Unibanco que se estendeu por pelo menos nove meses, começando no final de 2024. Os diálogos mostram que Vorcaro trabalhou em estreita colaboração com Thiago Miranda, publicitário e empresário que foi sócio e CEO do Portal LeoDias, para orquestrar ataques midiáticos contra a instituição e seus principais executivos e acionistas.

O contexto dessa estratégia é importante para entender o que estava em jogo. Na época em que essas conversas ocorriam, os grandes bancos brasileiros já vinham alertando o Banco Central sobre o modelo de negócios do Master, que dependia fortemente de depósitos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. O Itaú, como o maior banco do país, era também o maior associado do FGC — o que o tornava um alvo natural para Vorcaro, cujo banco enfrentava pressão regulatória.

Em 8 de dezembro de 2024, logo após a revelação de uma disputa envolvendo o Itaú e seu ex-CFO Alexsandro Broedel, Miranda enviou a Vorcaro um link para uma publicação no Portal LeoDias com um título que fazia referência a supostos "escândalos internos" na instituição. Vorcaro respondeu dizendo que os editores do site estavam "pegando fogo", usando um emoji de fogueira. Dois meses depois, em fevereiro de 2025, Vorcaro pediu explicitamente um dossiê sobre Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú. "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema", escreveu. Miranda respondeu: "Deixa comigo." Os dados solicitados incluíam informações de identificação civil, número de CPF e dados pessoais.

No mesmo mês, quando Miranda enviou uma prévia de uma matéria sobre reajuste em planos de saúde, Vorcaro pediu que ele não a publicasse. "Não solta não. Pelo amor de Deus. Segura isso. Vamos olhar com calma e estratégia", escreveu. Isso sugere que a campanha não era apenas reativa, mas cuidadosamente planejada em torno de um cronograma específico.

Em 2 de maio, Miranda fez uma postagem no Instagram do Portal LeoDias sobre o divórcio de Roberto Setubal, copresidente do conselho de administração do Itaú. Vorcaro imediatamente orientou seu interlocutor a mudar o alvo. "Temos que bater no Milton", disse. Miranda concordou: "Vou bater muito". Vorcaro então reforçou a importância do timing: "Vamos alinhar antes de soltar. Porque os 'timings' são importantes".

Dois dias depois, em 4 de maio, Miranda enviou outro link de matéria. Vorcaro respondeu que precisavam conversar e combinar uma "campanha concatenada". "Temos que juntar os esforços em vários veículos e vir com artilharia pra cima dele. [...] Eu quero fazer uma bomba atômica com esse cara", escreveu. Miranda concordou prontamente: "Fechado. Eu orquestro isso e vamos pra cima com todos os veículos que temos e com os meus outros parceiros."

Essas mensagens agora fazem parte de uma investigação mais ampla. Miranda foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apura indícios de ações coordenadas em redes sociais voltadas a comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central. A operação sugere que o que começou como uma disputa entre dois bancos pode ter implicações muito mais amplas para a integridade das instituições financeiras e da comunicação pública no Brasil.

Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema
— Daniel Vorcaro, em mensagem a Thiago Miranda em fevereiro de 2025
Temos que juntar os esforços em vários veículos e vir com artilharia pra cima dele. Eu quero fazer uma bomba atômica com esse cara
— Daniel Vorcaro, descrevendo sua estratégia de campanha coordenada
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