Mensagens revelam interações entre Moraes e banqueiro do Master sobre contrato milionário

Banqueiro Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em novembro sob acusação de fraudar R$ 12,2 bilhões do sistema bancário.
Contrato mais importante que temos, não deixe atrasar um dia
Vorcaro instruía funcionária do banco sobre prioridade absoluta aos pagamentos do escritório da esposa de Moraes.
Mark

O que exatamente essas mensagens mostram sobre a relação entre Moraes e Vorcaro?

Mimi

Mostram uma dinâmica onde o banqueiro cobrava pessoalmente atenção aos pagamentos de um contrato milionário com o escritório da esposa do ministro, e depois, quando enfrentava investigação, consultava Moraes sobre operações policiais e ordens de prisão.

Luke

Mas a questão é: as mensagens provam que Moraes interferiu, ou apenas que Vorcaro o consultava? Há diferença importante.

Mimi

Verdade. As mensagens mostram as perguntas de Vorcaro — "Conseguimos fazer algo?", "Conseguiu ter notícia ou bloquear?" — mas não capturam respostas que indicassem ação direta do ministro.

Mark

E quanto ao contrato de R$ 131 milhões? Havia algo ilegal nele?

Mimi

O escritório argumenta que consultou Moraes sobre impedimentos legais e que nenhum foi encontrado. Mas o padrão de pressão de Vorcaro para que os pagamentos não atrasassem sugere que havia algo sensível ali.

Luke

O escritório diz que Moraes nunca julgou causa do Banco Master. Isso é verificável? Ou é apenas a afirmação deles?

Mimi

É a afirmação deles na nota. A investigação da PF pode ter dados mais completos, mas não foram divulgados ainda.

Mark

E os cartões de crédito para os filhos? Isso parece mais direto.

Mimi

Sim. Um funcionário do escritório pediu a Vorcaro para emitir cartões com limite de R$ 300 mil cada para os filhos do ministro, e Vorcaro respondeu "Ok". É um benefício concreto à família.

Luke

Mas emitir cartão de crédito é crime? Ou apenas eticamente questionável?

Mimi

Eticamente questionável, certamente. Legalmente, depende se havia quid pro quo ou se violava normas de compliance do banco. A PF está investigando.

Mark

O que vem agora?

Mimi

A PGR tem cinco dias para se manifestar sobre o relatório da PF. Depois disso, pode haver denúncia ou arquivamento.

  • Contrato de R$ 131 milhões entre Banco Master e escritório Barci de Moraes
  • Banqueiro Daniel Vorcaro preso em novembro de 2025 por fraude de R$ 12,2 bilhões
  • Filhos do ministro receberam cartões de crédito com limite de R$ 300 mil cada
  • Mensagens indicam consultas de Vorcaro a Moraes sobre Operação Compliance Zero e ordem de prisão

Banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos de contrato milionário firmado com escritório comandado pela esposa do ministro do STF. Diálogos indicam que Moraes discutiu com Vorcaro sobre operação da Polícia Federal e estratégia para frustrar ordem de prisão preventiva.

Mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam interações com o ministro Alexandre de Moraes sobre contrato de R$ 131 milhões com escritório da esposa do ministro e possível interferência em operação policial.

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam um padrão de interações diretas com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Os diálogos, inicialmente divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente com sigilo suspenso por determinação do ministro André Mendonça, integram investigação da Polícia Federal que levou à abertura de procedimento na Procuradoria-Geral da República. Mendonça concedeu cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o relatório da corporação.

Em fevereiro de 2024, Vorcaro cobrava pessoalmente a execução do contrato. Em 8 de fevereiro, pediu ao cunhado Fabiano Zettel que enviasse o documento assinado e questionou quando seria o primeiro pagamento. No mesmo dia, Ângelo Silva, tesoureiro do Master e também investigado pela PF, confirmou a transferência de R$ 3.422.268,14 da instituição para a conta do escritório. Quando houve atraso nos repasses, Vorcaro pressionou seus subordinados com tom de urgência, escrevendo a Silva: "Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas."

Em conversa com a funcionária Romy Goerck Gentina Klenquen, Vorcaro determinou que os pagamentos ao escritório não sofressem qualquer atraso, instruindo que o valor fosse processado "sem nota" e "do jeito que for". Romy confirmou a transferência de R$ 3.422.268,14 para o escritório de Viviane Barci de Moraes. O escritório respondeu às revelações afirmando que seu setor de compliance havia consultado o ministro sobre possíveis impedimentos legais para a celebração do contrato, justamente porque Moraes era marido de uma das sócias-diretoras. Segundo a nota divulgada, nenhum impedimento foi identificado e o ministro jamais julgou causa envolvendo o Banco Master.

Mas as mensagens revelam interações que vão além da execução contratual. Entre novembro de 2025 e a prisão de Vorcaro, os diálogos indicam discussões sobre a Operação Compliance Zero da Polícia Federal e estratégias para evitar o cumprimento de ordem de prisão preventiva. Em 15 de novembro, dois dias antes de sua detenção, Vorcaro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". No mesmo dia, questionou se o juiz Ricardo estava envolvido e se o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo sabia da situação, indagando: "Conseguimos fazer algo?". Um dia depois, voltou a consultar o ministro sobre a possibilidade de a prisão ocorrer na manhã seguinte.

Em 17 de novembro, quando seria preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, Vorcaro enviou novas mensagens. Pela manhã, afirmou estar "tentando antecipar investidores" para concluir negociação envolvendo a venda do Banco Master. Horas depois, escreveu: "Se tiver alguma novidade vamos falar". Às 17h26, perguntou diretamente a Moraes: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?". O banqueiro foi preso preventivamente sob acusação de fraudar R$ 12,2 bilhões do sistema bancário.

Outra dimensão das interações envolve benefícios diretos à família do ministro. Em 2 de outubro de 2025, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, contatou Vorcaro para tratar da emissão de cartões de crédito para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro. Vorcaro encaminhou o contato de Adriana Solano, superintendente executiva comercial do banco. Solano consultou o banqueiro sobre a concessão dos cartões com limite de R$ 300 mil cada. Vorcaro respondeu simplesmente: "Ok". As mensagens sugerem uma relação de proximidade e influência que transcende a formalidade de um contrato comercial, levantando questões sobre possíveis conflitos de interesse e a natureza das interações entre o ministro e o banqueiro durante período crítico de investigação policial.

Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas.
— Daniel Vorcaro, em mensagem ao tesoureiro do Banco Master
Conseguiu ter notícia ou bloquear?
— Daniel Vorcaro, perguntando a Moraes horas antes de sua prisão em 17 de novembro
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