Em Pernambuco, o ex-governador Mendonça Filho acumulou sua sexta derrota em eleição majoritária ao terminar em terceiro lugar na disputa pelo Senado em 2026 — marca que nenhum outro político pernambucano atingiu desde a redemocratização. Sua trajetória revela não apenas um teto eleitoral persistente, mas também as consequências de escolhas estratégicas que estreitaram, em vez de ampliar, sua base de apoio. A derrota levanta questões duradouras sobre os limites da fidelidade ideológica como instrumento de crescimento político.
Mendonça Filho atinge recorde de 6 derrotas em eleições majoritárias em PE
Mendonça nunca venceu uma eleição majoritária como candidato principal
Como é possível um político participar de tantas eleições majoritárias e nunca vencer nenhuma?
Mendonça Filho começou como vice-governador, então quando o titular saiu, ele assumiu. Mas quando tentou se reeleger como governador, perdeu. Depois disso, buscou a prefeitura do Recife três vezes e o Senado duas vezes. São seis tentativas, seis derrotas.
Mas ele foi eleito vice duas vezes. Por que não contam como vitórias majoritárias?
Porque ele não era o candidato principal. Eleições majoritárias são aquelas em que você precisa receber o maior número de votos como titular. Vice é diferente.
O que o cientista político diz sobre por que ele não consegue vencer?
Que Mendonça tem um teto de votos que não consegue ultrapassar. E quando chega nesse limite, ele não faz as escolhas certas. Deveria tentar crescer de forma inteligente, escolhendo disputas onde tivesse chance real.
Mas o teto é uma coisa que se mede como? É especulação do cientista político ou há números?
É uma análise dele baseada no padrão de votação. Mendonça sempre fica em segundo, terceiro ou quarto lugar, nunca consegue chegar ao primeiro.
E a questão do bolsonarismo que o especialista menciona?
Segundo Felipe Ferreira Lima, Mendonça se associou de forma muito radical ao bolsonarismo. Mas isso afastou eleitores do centro e centro-direita que ele poderia ter conquistado.
Mendonça disse em algum lugar que discorda dessa análise?
Não. Ele apenas agradeceu aos eleitores e se ofereceu para ajudar Flávio Bolsonaro na campanha presidencial.
Então ele aceita a derrota e segue no jogo político?
Aparentemente sim. Mesmo com seis derrotas, ele continua ativo e se coloca à disposição do partido.
El Pulso
- Mendonça Filho terminou em terceiro lugar no Senado, atrás de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), consolidando um recorde negativo inédito no estado desde a redemocratização.
- Com seis derrotas em eleições majoritárias, o ex-governador igualou o rival Humberto Costa em fracassos — mas enquanto Costa venceu pela terceira vez consecutiva, Mendonça segue sem nenhuma vitória nesse tipo de disputa.
- Cientistas políticos apontam que a aproximação radical com o bolsonarismo foi um erro estratégico: em vez de ampliar o eleitorado para o centro, a campanha apenas consolidou votos que Mendonça já teria de qualquer forma.
- Após a derrota, o ex-governador anunciou que se coloca à disposição para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência no segundo turno de 2026, sinalizando continuidade no campo bolsonarista.
Em Pernambuco, o ex-governador Mendonça Filho acumulou sua sexta derrota em eleição majoritária ao terminar em terceiro lugar na disputa pelo Senado em 2026 — marca que nenhum outro político pernambucano atingiu desde a redemocratização. Sua trajetória revela não apenas um teto eleitoral persistente, mas também as consequências de escolhas estratégicas que estreitaram, em vez de ampliar, sua base de apoio. A derrota levanta questões duradouras sobre os limites da fidelidade ideológica como instrumento de crescimento político.
Mendonça Filho encerrou as eleições de 2026 em Pernambuco com mais uma derrota: terceiro lugar na disputa pelo Senado, atrás de Humberto Costa, do PT, e Marília Arraes, do PDT. O resultado elevou para seis o número de derrotas acumuladas em eleições majoritárias — um recorde no estado desde a redemocratização, e ainda mais notável pelo fato de que ele nunca venceu uma disputa desse tipo como candidato principal.
Sua trajetória política é longa e marcada por tentativas frustradas. Assumiu o governo de Pernambuco em 2006, quando Jarbas Vasconcelos deixou o cargo para disputar o Senado, mas perdeu a reeleição para Eduardo Campos no segundo turno. Tentou a prefeitura do Recife em três ocasiões diferentes — 2008, 2012 e 2020 — sem sucesso. Em 2018, disputou o Senado e ficou em terceiro. Em 2026, repetiu a mesma colocação na mesma disputa.
O cientista político Felipe Ferreira Lima analisa o padrão: todo político tem um teto eleitoral, e Mendonça não conseguiu ultrapassar o seu. Pior: ao se aproximar de forma radical do bolsonarismo, o ex-governador cometeu um erro estratégico. Esse eleitorado já chegaria naturalmente a ele pela ausência de outras opções; o que faltava era moderação para atrair votos do centro e da centro-direita. A campanha extrema apenas consolidou o que já tinha, sem abrir novas fronteiras.
Após a derrota, Mendonça Filho agradeceu aos eleitores em vídeo e anunciou disposição para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência no segundo turno. O pleito pernambucano também trouxe revezes para outros nomes: João Campos perdeu o governo estadual para Raquel Lyra, Eduardo da Fonte ficou em quarto no Senado em sua primeira disputa majoritária, e Túlio Gadêlha terminou em sexto lugar.
Mendonça Filho terminou em terceiro lugar na disputa pelo Senado em Pernambuco nas eleições de 2026, atrás de Humberto Costa, do PT, e Marília Arraes, do PDT. Com essa derrota, o ex-governador e ex-deputado federal atingiu um marco pouco invejável: seis derrotas acumuladas em eleições majoritárias desde que o país retornou à democracia. Ele nunca venceu uma disputa desse tipo como candidato principal.
Mendonça Filho serviu como vice-governador em 1998 e 2002, quando Jarbas Vasconcelos ocupava o cargo de titular. Quando Vasconcelos deixou o cargo para concorrer ao Senado em 2006, Mendonça assumiu como governador. Tentou se reeleger, mas perdeu no segundo turno para Eduardo Campos. Depois disso, buscou a prefeitura do Recife três vezes: ficou em segundo lugar em 2008, em quarto em 2012 e em terceiro em 2020. Também disputou o Senado em 2018, quando ficou em terceira colocação. Agora, em 2026, repetiu o terceiro lugar na mesma disputa.
Com seis derrotas em eleições majoritárias, Mendonça Filho igualou o senador Humberto Costa, que também acumula seis fracassos desse tipo em sua carreira. A diferença é que Costa venceu pela terceira vez consecutiva uma cadeira no Senado, enquanto Mendonça segue sem vitórias em disputas majoritárias.
O cientista político Felipe Ferreira Lima oferece uma análise sobre o padrão de derrotas. Segundo ele, todo político possui um teto de crescimento eleitoral, e Mendonça Filho não conseguiu ultrapassar o seu. Mais que isso, o pesquisador aponta que o ex-governador cometeu erros estratégicos ao chegar nesse limite. Mendonça precisaria ter considerado dois fatores: como crescer além do teto sem perder o que já conquistou, e qual cenário eleitoral ofereceria as melhores chances de vitória diante dos adversários.
Ferreira Lima também critica a aproximação radical de Mendonça com o bolsonarismo. Na avaliação do cientista político, essa estratégia foi equivocada porque o bolsonarismo já chegaria naturalmente aos eleitores de Mendonça pela falta de outras opções. Em vez disso, o ex-governador deveria ter sido mais moderado para atrair votos do centro, centro-direita e até centro-esquerda. Ao fazer uma campanha extrema para o bolsonarismo, Mendonça apenas consolidou o eleitorado que já tinha, sem conseguir expandir além do seu teto.
Após a derrota no domingo, Mendonça Filho divulgou um vídeo agradecendo aos eleitores e se colocando à disposição para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro, do PL, para presidente da República no segundo turno. A eleição de 2026 em Pernambuco trouxe derrotas também para outros nomes de destaque: João Campos, ex-prefeito do Recife, perdeu para a governadora Raquel Lyra na disputa pelo Executivo estadual. Eduardo da Fonte, que havia sido eleito cinco vezes consecutivas para a Câmara dos Deputados, disputou sua primeira eleição majoritária e ficou em quarto lugar na corrida pelo Senado. Túlio Gadêlha, deputado federal por dois mandatos, também perdeu, ficando em sexto lugar.
Citas Notables
Todo político tem o seu teto de crescimento e ele precisa ter consciência desse teto. Quando chega nesse teto, precisa pensar em como crescer sem comprometer o que já conquistou e qual cenário eleitoral oferece chances mínimas de vitória.— Felipe Ferreira Lima, cientista político
Mendonça fez uma campanha extrema para o bolsonarismo, que era o que ele já tinha. Então o teto era aquele e ele precisava crescer.— Felipe Ferreira Lima, cientista político