371 trabalhadores aguardam definições sobre o futuro dos empregos
Em Itatiaia, no Rio de Janeiro, uma década de promessas não cumpridas chega ao fim com o encerramento da fábrica da Land Rover — uma montadora britânica de luxo que nunca encontrou seu lugar no mercado brasileiro. Com apenas 757 veículos vendidos em 2025, a operação tornou-se insustentável, e 371 trabalhadores agora aguardam, entre cursos de capacitação e incerteza, o desfecho de negociações que podem entregar a fábrica a uma gigante chinesa. É o retrato de uma aposta industrial que não se converteu em realidade, e de uma comunidade que ainda não sabe se o próximo capítulo será de renovação ou de abandono.
- A Land Rover encerra sua produção em Itatiaia após dez anos operando muito abaixo das metas, com vendas que chegaram a apenas 757 unidades em 2025 — número irrisório para justificar uma fábrica inteira.
- Os últimos Discovery Sport e Range Rover Evoque já saíram da linha e seguem para concessionárias até julho, marcando o fim silencioso de uma operação que nunca decolou.
- 371 trabalhadores diretos vivem em compasso de espera, participando de cursos de especialização enquanto aguardam saber se seus empregos sobreviverão a uma eventual mudança de controle.
- A Chery, montadora chinesa, avança em negociações para assumir a unidade, buscando incentivos fiscais junto à prefeitura de Itatiaia, ao governo estadual e à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
- O futuro da fábrica — e de centenas de famílias — depende agora de acordos tributários e de vontade política, com o sindicato alertando que qualquer transição deve garantir a manutenção dos postos de trabalho.
A fábrica da Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, encerra suas atividades após uma década operando aquém do esperado. Os últimos modelos produzidos — Discovery Sport e Range Rover Evoque — já deixaram a linha de montagem e serão distribuídos às concessionárias até meados de julho. Para 371 trabalhadores diretos, o encerramento abre um período de incerteza.
O desempenho comercial da marca no Brasil nunca sustentou a operação. Em 2025, foram vendidos apenas 757 veículos no país, e nos primeiros cinco meses de 2026, os dois modelos somaram apenas 264 emplacamentos. A fábrica operava no regime SKD, com carrocerias chegando praticamente prontas do exterior e apenas a montagem final sendo realizada localmente — um modelo que exige volume para se justificar, e esse volume jamais chegou.
O Sindireal, sindicato dos metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, acompanha de perto a situação. Seu diretor administrativo, Bruno Mendonça Streva, reconheceu que a Land Rover cumpriu suas obrigações trabalhistas, mas manifestou preocupação com o destino dos empregos em caso de mudança de controle. Enquanto aguardam definições, os funcionários participam de cursos de especialização.
A Chery, montadora chinesa de grande porte, está em negociações avançadas para adquirir a unidade. A prefeitura de Itatiaia já realizou reunião virtual com representantes da empresa, e a Chery formalizou pedido de adesão a incentivos fiscais, mantendo conversas com o governo estadual e a Assembleia Legislativa. Se as condições forem alcançadas, a fábrica pode ter uma segunda vida. Caso contrário, Itatiaia enfrentará o desafio de reabsorver centenas de trabalhadores e uma instalação industrial ociosa.
A Land Rover está fechando as portas de sua fábrica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, depois de uma década operando aquém das expectativas. Os últimos veículos — modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque — já saíram da linha de produção e seguem para as concessionárias até meados de julho. Enquanto isso, 371 trabalhadores diretos aguardam notícias sobre seus empregos, e uma fabricante chinesa avança em negociações para assumir o local.
A montadora de luxo britânica nunca conseguiu atingir as metas que havia estabelecido para a operação brasileira. O desempenho comercial foi o principal culpado: em 2025, a marca vendeu apenas 757 veículos no país — um número insuficiente para justificar a manutenção de uma fábrica. Nos primeiros cinco meses de 2026, os dois modelos produzidos somaram apenas 264 emplacamentos. A operação funcionava no regime SKD, modelo em que as carrocerias chegam praticamente prontas do exterior e recebem apenas a montagem final no Brasil, com a maioria das componentes importadas.
O encerramento deixa em suspenso o futuro de centenas de trabalhadores. Segundo o Sindireal, o sindicato dos metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, a fábrica mantinha 371 empregos diretos. Enquanto aguardam definições, os funcionários estão participando de cursos de especialização. Bruno Mendonça Streva, diretor administrativo do sindicato, expressou preocupação com a preservação desses postos caso a negociação com um novo proprietário avance. Ele ressaltou que a Land Rover cumpriu com suas obrigações trabalhistas e que qualquer transição precisaria garantir a manutenção dos empregos.
A Chery, gigante automóvel chinesa, está em conversas avançadas para comprar a unidade. Na última semana, a prefeitura de Itatiaia realizou uma reunião virtual com representantes da empresa para discutir a aquisição. A Chery formalizou um pedido para aderir a incentivos fiscais e mantém negociações em andamento com o governo estadual do Rio de Janeiro e com a Assembleia Legislativa, focando principalmente em questões tributárias.
O que acontece agora depende de como essas negociações evoluem. Se a Chery conseguir as condições fiscais que busca e fechar a compra, a fábrica pode ganhar uma segunda vida. Se não, Itatiaia enfrentará o desafio de absorver centenas de trabalhadores desempregados e uma instalação industrial ociosa. Por enquanto, a empresa afirma que a produção segue normalmente em junho, conforme planejado, mas não possui informações adicionais para divulgar.
Notable Quotes
A JLR possui acordo coletivo de trabalho vigente e tem cumprido com as obrigações. Nossa preocupação é com os funcionários da JLR, entendo que uma possível negociação precisaria de garantias destes postos de trabalho.— Bruno Mendonça Streva, diretor administrativo do Sindireal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Land Rover não conseguiu vender mais carros aqui no Brasil?
A marca operava com um modelo de montagem que trazia as peças prontas de fora. Isso tornava os veículos caros e menos competitivos no mercado local. Além disso, são carros de luxo — um segmento pequeno em qualquer lugar, mas especialmente em um país com a economia do Brasil.
E esses 371 trabalhadores, o que acontece com eles agora?
Estão em um limbo. Continuam indo para a fábrica, fazendo cursos, mas ninguém sabe se terão emprego daqui a alguns meses. O sindicato está tentando garantir que qualquer novo proprietário mantenha os postos.
A Chery é uma aposta segura?
É uma aposta. A empresa chinesa está negociando incentivos fiscais com a prefeitura e o governo estadual. Se conseguir as condições que quer, pode fazer sentido. Mas ainda há muita incerteza.
Qual é o risco maior aqui?
Que a fábrica fica vazia e os trabalhadores perdem os empregos. Itatiaia depende dessa indústria. Se a Chery não fechar o negócio, a cidade inteira sofre.
Isso é comum no setor automotivo?
Muito. Montadoras fecham fábricas quando não conseguem vender o suficiente. O que é diferente aqui é que há um comprador potencial na fila — a Chery. Nem sempre é assim.