Em Joinville, o que começou como uma solução provisória — cookies vendidos por delivery enquanto uma médica argentina aguardava o reconhecimento de seu diploma — revelou-se um projeto com vida própria. Florencia Pérez e Otávio da Cunha Alcântara transformaram cinco meses de validação digital na Manzu, uma confeitaria física no Centro da cidade, inaugurada em fevereiro de 2026. A história deles lembra que os negócios mais duradouros raramente nascem de planos grandiosos, mas de necessidades reais encontrando respostas possíveis.
Médica argentina transforma delivery de cookies em confeitaria física em 5 meses
De operação digital para confeitaria física em cinco meses
Por que uma médica argentina começaria a vender cookies?
Porque precisava de renda enquanto se preparava para o Revalida, o exame que reconheceria seu diploma no Brasil. Era um complemento, algo para fazer enquanto estudava.
E por que isso virou uma confeitaria de verdade?
Porque funcionou. Os pedidos cresceram. O que começou como teste deixou de ser apenas complemento e começou a exigir organização real — receitas, produção escalável, capacidade de atender demanda maior.
Eles tinham dinheiro para abrir a loja?
Não muito. Por isso Florencia e Otávio fizeram parte da reforma eles mesmos — pintaram, construíram móveis, fizeram as intervenções. Era pragmatismo, não romantismo. Era o que podiam fazer com o que tinham.
Como alguém aprende a padronizar cookies?
Otávio estudou o processo como um problema técnico. Temperaturas, tempos de forno, congelamento, modelagem da massa. Cada variável interferia no resultado. O objetivo era transformar artesanato em algo repetível.
Manter delivery e loja física ao mesmo tempo não é complicado?
Muito. Exige administrar produção, estoque e atendimento para dois fluxos de venda diferentes simultaneamente. Mas eles não queriam abandonar o que os originou.
Florencia ainda quer ser médica?
Ela diz que sim, que pretende voltar a fazer o Revalida. Mas a Manzu já é mais do que um complemento de renda. É um negócio de verdade agora.
Il Polso
- Uma médica estrangeira sem renda estável encontrou nos cookies uma saída temporária — e descobriu que a saída podia ser um destino.
- Em cinco meses, a demanda cresceu além do que um delivery informal conseguia sustentar, pressionando os fundadores a estruturar processos, padronizar receitas e pensar em escala.
- Sem capital para terceirizar a reforma, Florencia e Otávio pintaram paredes, montaram bancadas e construíram móveis — transformando limitação financeira em participação direta na criação do espaço.
- A operação híbrida — loja física e delivery simultâneos — exige administrar dois fluxos de venda ao mesmo tempo, enquanto Otávio mantém emprego formal e Florencia planeja retomar o Revalida.
- A Manzu já discute uma segunda unidade, mas os fundadores escolhem consolidar antes de expandir — um sinal de maturidade raro em negócios ainda jovens.
Em Joinville, o que começou como uma solução provisória — cookies vendidos por delivery enquanto uma médica argentina aguardava o reconhecimento de seu diploma — revelou-se um projeto com vida própria. Florencia Pérez e Otávio da Cunha Alcântara transformaram cinco meses de validação digital na Manzu, uma confeitaria física no Centro da cidade, inaugurada em fevereiro de 2026. A história deles lembra que os negócios mais duradouros raramente nascem de planos grandiosos, mas de necessidades reais encontrando respostas possíveis.
Florencia Pérez chegou ao Brasil com diploma médico argentino e a necessidade de esperar pelo Revalida, o exame que reconheceria sua formação no país. Para gerar renda nesse intervalo, ela e Otávio da Cunha Alcântara começaram a vender cookies por delivery no fim de setembro de 2025. Era um complemento, um teste — não um plano de negócios.
Os pedidos cresceram. O que era informal passou a exigir organização: receitas desenvolvidas, produção padronizada, capacidade de escalar. Os dois perceberam que tinham um produto que funcionava e começaram a pensar em como estruturá-lo de verdade. Em 7 de fevereiro de 2026, a Manzu abriu uma loja física na Rua XV de Novembro, no Centro de Joinville.
A transição não veio com recursos abundantes. O imóvel precisou de dois meses de preparação, e os fundadores fizeram grande parte da reforma eles mesmos — pintaram, construíram bancadas, produziram móveis. Foi pragmatismo, não romantismo. Era o que podiam fazer com o que tinham.
Enquanto isso, Otávio mergulhou nos detalhes técnicos da produção: temperaturas, tempos de forno, congelamento, modelagem da massa. O objetivo era transformar uma produção artesanal em algo repetível e consistente entre lotes. Os cookies permaneceram como carro-chefe — feitos com manteiga, chocolate de verdade e baunilha italiana —, mas o cardápio cresceu com cafés, sodas italianas e empanadas argentinas.
A operação híbrida, com loja e delivery funcionando ao mesmo tempo, adicionou complexidade. Otávio mantém seu trabalho como gerente em uma indústria de Joinville e atua na Manzu em gestão, produtos e marketing. Florencia participa do dia a dia da confeitaria e afirma que pretende retomar o Revalida — mas a Manzu já é mais do que uma renda complementar.
Com a primeira unidade consolidando-se, os fundadores discutem a abertura de uma segunda loja, potencialmente maior, com espaço para ampliar a cozinha e desenvolver mais produtos salgados. Não há data nem endereço definidos. A prioridade, por ora, é crescer com controle — e entender o que a marca pode se tornar antes de comprometer novos recursos.
Florencia Pérez chegou ao Brasil como médica formada na Argentina, mas precisava de renda enquanto se preparava para o Revalida — o exame que reconheceria seu diploma no país. No fim de setembro de 2025, ela e Otávio da Cunha Alcântara começaram a vender cookies por delivery, um negócio simples, sem loja, sem estrutura. Era um complemento. Era um teste. Cinco meses depois, em 7 de fevereiro de 2026, a Manzu abriu suas portas em um endereço na Rua XV de Novembro, no Centro de Joinville. O que começou como uma operação digital virou uma confeitaria de verdade.
Os primeiros meses de delivery funcionaram como validação. Enquanto os pedidos cresciam, o negócio deixou de ser apenas uma fonte secundária de renda e começou a exigir organização real: receitas desenvolvidas, produção escalável, capacidade para atender demanda maior. Florencia e Otávio perceberam que tinham algo que funcionava. A pergunta deixou de ser se as pessoas queriam cookies e passou a ser como estruturar um negócio que pudesse crescer.
A transição para o varejo presencial não foi um salto de recursos ilimitados. O imóvel precisou de aproximadamente dois meses de preparação, e os fundadores não tinham capital abundante para terceirizar tudo. Então eles mesmos pintaram, construíram bancadas, produziram móveis, fizeram as intervenções necessárias. Essa decisão — de executar parte da reforma internamente — não foi escolha de purismo ou romantismo. Foi pragmatismo. Era o que podiam fazer com o que tinham.
Enquanto a estrutura física avançava, Otávio estudava o processo de produção como se fosse um problema técnico a ser resolvido. Temperaturas, tempos de forno, congelamento, modelagem da massa — cada variável interferia no resultado final. O objetivo era transformar uma produção artesanal em algo repetível, padronizado, capaz de manter características semelhantes entre lotes diferentes. Quando você vende por delivery e presencialmente ao mesmo tempo, a consistência deixa de ser um detalhe.
Os cookies permaneceram como carro-chefe da confeitaria. Florencia e Otávio usam manteiga, chocolate de verdade em lugar de cobertura fracionada, baunilha italiana. Mas o cardápio não ficou preso ao produto que deu origem ao empreendimento. Cafés, sodas italianas, empanadas argentinas — a Manzu ampliou as categorias de venda, criando novas possibilidades de consumo dentro da loja e além dela.
A operação híbrida — loja física e delivery funcionando simultaneamente — adicionou uma camada operacional que muitos pequenos negócios subestimam. Não era questão de substituir um canal pelo outro. Era questão de administrar produção, estoque e atendimento para dois fluxos de venda diferentes, ao mesmo tempo, sem abandonar a origem digital do negócio. Florencia participa da operação cotidiana da confeitaria. Otávio mantém seu trabalho como gerente em uma indústria de Joinville, mas atua na Manzu em gestão, desenvolvimento de produtos, marketing e em períodos específicos da operação. Essa divisão de funções é característica comum a empresas que ainda estão consolidando sua primeira unidade.
A formação médica de Florencia explica como o negócio começou, mas já não explica o que se tornou. Mesmo removendo da história o Revalida e a profissão médica, permanece uma operação comercial que saiu do delivery, validou um produto, alugou um ponto, reformou o imóvel, criou processos e passou a trabalhar com dois canais de venda. Florencia afirma que pretende voltar a realizar o Revalida e seguir também a profissão médica, mas a Manzu já é mais do que um complemento de renda.
Com a primeira loja em funcionamento, os fundadores já discutem expansão. Mencionam a possibilidade de abrir pelo menos mais uma unidade própria, potencialmente maior, com espaço para ampliar a cozinha e desenvolver mais produtos salgados. Não há data, endereço ou investimento definido. Franquias não fazem parte de um plano confirmado. A estratégia é consolidar primeiro a operação atual, acompanhar o crescimento da marca antes de comprometer recursos com uma nova unidade. Em aproximadamente cinco meses, a Manzu passou de uma estrutura baseada em delivery para uma confeitaria física, mantendo os pedidos online e incorporando um ponto comercial construído com forte participação dos próprios fundadores. Agora enfrenta o desafio de crescer com controle.
Citazioni salienti
Florencia se formou em Medicina na Argentina e começou a produção enquanto estudava para o Revalida, mas afirma que pretende voltar a realizar a prova e seguir também a profissão médica— Informações da reportagem