Num momento em que o país revisita suas apostas em formação e soberania, o Ministério da Educação avalia trazer de volta o Ciência Sem Fronteiras, programa que, entre 2011 e 2017, levou 104 mil estudantes de graduação e pós-graduação para universidades no exterior. A ideia nasce de uma promessa de campanha do presidente Lula e ganharia novos contornos, com foco em inteligência artificial, matemática e engenharias, e com a possibilidade de incluir estudantes do ensino médio. Ainda não há contas fechadas nem datas, e a memória de um projeto que foi considerado caro demais e frágil em seus result
MEC estuda recriar Ciência Sem Fronteiras, com foco em IA, matemática e engenharias
Sem orçamento nem número de bolsas definidos, a volta ainda é só estudo
Por que essa notícia importa agora?
Porque é uma promessa de campanha de Lula saindo do discurso para o estudo dentro do MEC. O programa original atendeu 104 mil estudantes entre 2011 e 2017.
O que muda em relação ao modelo antigo?
O foco em inteligência artificial, matemática e engenharias, a inclusão do ensino médio, com bolsas para olimpíadas internacionais, e temas como defesa, soberania, minerais críticos e terras raras na pós-graduação.
Vale separar: isso é o que o MEC "estuda", segundo o Estadão e o GLOBO. Não é um programa anunciado oficialmente.
E sobre dinheiro?
Não há orçamento definido nem número de vagas. E o ministério ainda tem a pressão do Pé-de-Meia e da ampliação para universitários de baixa renda.
Ou seja, qualquer cifra que apareça por aí ainda não tem base nessa reportagem. Também não se sabe se as seleções começam no ano que vem.
Por que o programa acabou antes?
A gestão Temer o considerou caro demais e apontou a deficiência em inglês e a falta de diretrizes sobre quem financiar.
Essa é a avaliação daquele governo, não um balanço independente. A reportagem não traz dados de resultados do programa.
Então o que observar?
Se o MEC definirá orçamento, número de bolsas e calendário, e como isso convive com as outras promessas da pasta.
Le Pouls
- O MEC estuda relançar o Ciência Sem Fronteiras, promessa de campanha de Lula, mas sem orçamento, número de bolsas ou data de seleção definidos.
- A antiga versão, encerrada na gestão Temer, foi criticada como cara demais e apontada como ineficaz pela fraqueza do inglês dos brasileiros e pela falta de diretrizes claras.
- A nova proposta mira inteligência artificial, matemática, engenharias, defesa, minerais críticos e terras raras, e inclui olímpicos do ensino médio.
- A viabilidade esbarra no peso do Pé-de-Meia e na ampliação prometida para universitários de baixa renda, que já pressionam o orçamento da pasta.
Num momento em que o país revisita suas apostas em formação e soberania, o Ministério da Educação avalia trazer de volta o Ciência Sem Fronteiras, programa que, entre 2011 e 2017, levou 104 mil estudantes de graduação e pós-graduação para universidades no exterior. A ideia nasce de uma promessa de campanha do presidente Lula e ganharia novos contornos, com foco em inteligência artificial, matemática e engenharias, e com a possibilidade de incluir estudantes do ensino médio. Ainda não há contas fechadas nem datas, e a memória de um projeto que foi considerado caro demais e frágil em seus resultados pesa sobre a decisão. O que se decidir dependerá menos do desejo de ampliar horizontes do que da capacidade de o orçamento acomodar mais uma promessa ao lado de outras já em curso.
O Ministério da Educação estuda recriar o Ciência Sem Fronteiras, programa de mobilidade internacional que funcionou entre 2011 e 2017 e levou 104 mil estudantes de graduação e pós-graduação ao exterior. A notícia, publicada pelo Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo, mostra um governo que quer retomar uma bandeira prometida na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
O novo desenho daria prioridade a inteligência artificial, matemática e engenharias. Estudantes de ensino médio, que ficaram de fora da versão de Dilma Rousseff, poderiam disputar olimpíadas internacionais com bolsas, e pós-graduandos teriam apoio para temas como defesa, soberania, minerais críticos e terras raras.
Mas quase tudo ainda está em aberto. Não há definição sobre quantos estudantes seriam atendidos, quanto custaria o programa ou se as seleções começariam no ano que vem. O contexto fiscal pesa: Lula também prometeu universalizar o Pé-de-Meia e ampliar o apoio a universitários de baixa renda, compromissos que disputam o mesmo orçamento.
O programa original, lançado em 2011 com a meta de 101 mil bolsas, buscava fortalecer colaborações internacionais e formar profissionais em áreas estratégicas. Foi encerrado na gestão Temer, quando o governo o considerou caro e apontou a fragilidade do inglês dos brasileiros e a ausência de critérios claros para selecionar os beneficiados. A recriação, agora, dependerá de como o MEC equilibrará ambição e contas públicas.
O Ministério da Educação estuda recriar o Ciência Sem Fronteiras, programa de mobilidade internacional que funcionou entre 2011 e 2017 e contemplou 104 mil estudantes de graduação e pós-graduação. A informação foi publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada por O GLOBO.
O novo desenho daria prioridade a áreas como inteligência artificial, matemática e engenharias. A volta do programa foi promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que em várias entrevistas disse querer retomá-lo para fortalecer a produção acadêmica brasileira. Aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, ele afirmou que pretende reeditar o programa para mandar pessoas a estudar no exterior assuntos de grande importância para o país.
Uma das novidades seria a inclusão de alunos do ensino médio, que não eram atendidos na versão do governo Dilma Rousseff (PT). Estudantes vencedores de olimpíadas nacionais do conhecimento, como a de Matemática, receberiam bolsas para disputar as etapas internacionais dessas competições.
O modelo em estudo também atenderia alunos de graduação-sanduíche em engenharia, matemática aplicada, inteligência artificial e eficiência energética. Na pós-graduação, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos em formato sanduíche poderiam receber bolsas para temas ligados a defesa, soberania, minerais críticos e terras raras.
Há, porém, muito por definir. Não se sabe quantos estudantes seriam atendidos nem qual orçamento seria necessário. Também não está decidido se a seleção para as bolsas começaria já no ano que vem. O cenário fiscal pesa: na campanha, Lula também prometeu universalizar o Pé-de-Meia e ampliar o programa para universitários de baixa renda, o que pressiona o orçamento da pasta.
O Ciência Sem Fronteiras foi lançado em 2011 para promover a mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores brasileiros. A meta inicial era conceder 101 mil bolsas no exterior até 2014, a alunos de graduação e pós-graduação. O foco estava em estreitar colaborações internacionais e estimular a formação em áreas prioritárias, como engenharia, tecnologia da informação, ciências exatas e ciências biomédicas. A gestão era dividida entre a Capes e o CNPq. Para ajudar os brasileiros a cumprir as exigências de proficiência das universidades estrangeiras, o governo criou o programa complementar Inglês sem Fronteiras.
Pela escala, o programa enfrentou desafios de sustentabilidade e apoio. Na gestão de Michel Temer (MDB), sob comando do ministro Mendonça Filho (União-PE), prevaleceu o entendimento de que ele era extremamente caro para o orçamento público. O governo argumentou ainda que ele não deu resultados, por causa da deficiência dos brasileiros em inglês e da falta de diretrizes claras sobre o perfil do estudante a ser financiado.
Sem orçamento, número de bolsas ou calendário de seleção definidos, a viabilidade da recriação dependerá de como o MEC acomodará a medida diante das outras promessas já em curso, sobretudo o Pé-de-Meia.
Citations marquantes
Vou reeditar aquele programa Ciência sem Fronteiras para mandar a pessoa estudar lá fora coisas extremamente importantes para nós.— Lula, aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs