Num fim de manhã de outubro de 2025, o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio trocaram uma conversa breve e cordial, que reabre um canal de diálogo em meio a um dos atritos mais tensos entre Brasília e Washington. Como tantas vezes na diplomacia, o gesto pequeno carrega um peso maior: a disputa sobre o tarifaço e as sanções ligadas ao processo contra Jair Bolsonaro segue viva, e a promessa de um encontro presencial ainda não tem data. Resta saber se a aproximação entre os dois chanceleres conseguirá transformar a desconfiança do Planalto em negociação
Mauro Vieira e Rubio têm conversa 'boa e objetiva' e combinam encontro em Washington
Rubio deve deixar o tom combativo de lado, apostam fontes
O que aconteceu de concreto nesta quinta?
Mauro Vieira e Marco Rubio conversaram por telefone por cerca de 15 minutos e combinaram um encontro em Washington, sem data marcada.
Por que a escolha de Rubio incomoda o governo Lula?
Porque ele é ligado ao setor mais radical da Casa Branca. O entorno de Lula acha que a equipe dele convenceu Trump a adotar as sanções sugeridas pela família Bolsonaro, incluindo o tarifaço e as sanções contra membros do STF.
Vale separar as coisas: essa avaliação é do entorno de Lula, não um fato confirmado pelo texto.
E a conversa foi mesmo "boa e objetiva"?
É a descrição de interlocutores do governo brasileiro. A nota do Itamaraty fala em "diálogo muito positivo".
Ou seja, o retrato vem do lado brasileiro. Não temos a versão americana.
Houve alguma discrepância sobre a data da ligação?
Sim. Lula disse numa rádio que a conversa foi na véspera, mas o Itamaraty informou que foi nesta manhã.
E o texto não resolve isso. Também é só aposta de fontes que Rubio será sereno; o que há de concreto é a conversa de julho.
O que falta definir?
A data da reunião e a composição da delegação brasileira, ainda em definição.
Le Pouls
- A conversa de cerca de quinze minutos entre Vieira e Rubio foi descrita como boa e objetiva, mas ainda sem data para a reunião presencial em Washington.
- O Planalto resiste à escolha de Rubio, vendo nele a ligação com o setor mais radical da Casa Branca e temendo sua influência nas sanções.
- Lula e Trump já haviam conversado na segunda-feira, e a ligação entre os chanceleres surge como sequência direta desse movimento.
- A divergência sobre a data do telefonema revela o ritmo apressado da diplomacia, com versões distintas circulando antes da confirmação oficial.
- Fontes apostam que Rubio adotará tom sereno nas reuniões, apoiando-se em um encontro anterior de julho em que ambos defenderam o diálogo.
Num fim de manhã de outubro de 2025, o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio trocaram uma conversa breve e cordial, que reabre um canal de diálogo em meio a um dos atritos mais tensos entre Brasília e Washington. Como tantas vezes na diplomacia, o gesto pequeno carrega um peso maior: a disputa sobre o tarifaço e as sanções ligadas ao processo contra Jair Bolsonaro segue viva, e a promessa de um encontro presencial ainda não tem data. Resta saber se a aproximação entre os dois chanceleres conseguirá transformar a desconfiança do Planalto em negociação concreta.
Na manhã desta quinta-feira (9), o chanceler Mauro Vieira atendeu um telefonema do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Interlocutores do governo brasileiro descreveram a conversa, de cerca de quinze minutos, como "muito boa e objetiva". Rubio foi o nome escolhido por Donald Trump para conduzir as negociações com o Brasil em torno do tarifaço, e o contato veio poucos dias depois de Lula falar com Trump na segunda-feira (6).
Durante a ligação, os dois combinaram equipes reunidas em Washington em data ainda a definir. Rubio convidou Vieira a integrar a delegação, o que abriria espaço para um encontro presencial sobre os temas prioritários da relação bilateral. A composição da equipe brasileira segue em definição.
No Palácio do Planalto, porém, a escolha de Rubio não foi bem recebida. No entorno de Lula, ele é visto como ligado ao setor mais radical do governo americano e é apontado como peça central na adesão de Trump às sanções sugeridas pela família Bolsonaro, incluindo o tarifaço e medidas contra ministros do STF. Ainda assim, fontes avaliam que Rubio deve adotar uma postura serena, lembrando a conversa de julho em Washington, quando ambos concordaram sobre a importância de manter o diálogo. O tom que ele levará à mesa é o que agora está em observação.
Na manhã desta quinta-feira (9), o chanceler Mauro Vieira atendeu um telefonema do secretário de Estado americano, Marco Rubio. A conversa, de cerca de 15 minutos, foi descrita por interlocutores do governo brasileiro como "muito boa e objetiva". Rubio é o nome escalado pelo presidente Donald Trump para conduzir, do lado americano, as negociações com o Brasil em torno do tarifaço.
O contato aconteceu poucos dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversar com Trump, na segunda-feira (6). A ligação entre os dois chanceleres dá seguimento a esse movimento. Vieira e Rubio combinaram de se encontrar em Washington nos próximos dias, mas a data ainda não foi definida.
Houve uma divergência sobre o momento da conversa. Em entrevista a uma emissora de rádio, mais cedo, Lula disse que os dois haviam falado na véspera. O Ministério das Relações Exteriores, que confirmou o telefonema, informou que ele ocorreu na manhã de quinta.
Em nota, a pasta afirmou que, depois de um "diálogo muito positivo sobre a agenda bilateral", os dois acordaram que equipes dos dois governos se reunirão em breve em Washington, em data a definir. O objetivo é dar seguimento ao tratamento das questões econômico-comerciais, conforme definido pelos presidentes.
Rubio convidou Vieira a integrar a delegação, o que permitiria uma reunião presencial entre os dois para tratar dos temas prioritários da relação entre Brasil e Estados Unidos. Auxiliares de Lula dizem que a composição da equipe brasileira ainda está em definição, em paralelo à formação do lado americano.
A escolha de Rubio não agradou ao Palácio do Planalto. Como o Valor mostrou no início da semana, a cúpula do governo torcia para que outro nome da Casa Branca fosse designado. A resistência vem do fato de Rubio ser ligado ao setor mais radical do governo americano. No entorno de Lula, avalia-se que a equipe dele foi a principal responsável por convencer Trump a aderir às sanções sugeridas pela família Bolsonaro contra o Brasil, o que inclui o tarifaço sobre produtos brasileiros e as sanções contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar dessas ressalvas, fontes apostam que Rubio deixará de lado o tom combativo e adotará uma postura serena nas reuniões. Para sustentar essa expectativa, interlocutores lembram a conversa que ele teve com Vieira no fim de julho, em Washington, quando ambos concordaram sobre a necessidade de manter o diálogo para resolver os problemas bilaterais.
Falta agora definir a data do encontro e quem comporá a delegação brasileira. O tom que Rubio adotará à mesa será o ponto a observar.
Citations marquantes
Após diálogo muito positivo sobre a agenda bilateral, acordaram que equipes de ambos os governos manterão reunião proximamente em Washington.— Nota do Ministério das Relações Exteriores