Na madrugada de outubro, um isótopo radioativo usado para salvar vidas desapareceu nas ruas de São Paulo, levado por criminosos que talvez não soubessem — ou não se importassem — com o que carregavam. Quatro dias depois, o Actínio-225 foi encontrado abandonado em um terreno baldio na zona leste, como se a própria matéria tivesse resistido ao destino que lhe tentaram impor. O episódio expõe a fragilidade das cadeias de transporte de materiais sensíveis e a sorte, tênue e imprevisível, que separa um incidente de uma tragédia.
Material radioativo roubado em SP é encontrado em terreno baldio na zona leste
Material radioativo abandonado em terreno baldio quatro dias após roubo
Por que esse roubo é tão preocupante? É só um material médico, certo?
Actínio-225 é radioativo. Se cair nas mãos erradas, pode ser usado para fazer uma bomba suja ou contaminar uma área. Por isso a ANSN se envolveu tão rápido.
Mas o material foi recuperado intacto em um terreno baldio. Isso sugere que os ladrões não sabiam o que tinham ou não conseguiram vendê-lo.
O motorista passou a noite inteira com esses criminosos. Como ele está?
A fonte não diz. Sabemos que foi deixado em Itaim Paulista na manhã seguinte, mas não há informação sobre ferimentos ou trauma.
E isso é um vazio importante. Também não sabemos se o roubo foi direcionado — se alguém encomendou o Actínio-225 especificamente ou se foi oportunista.
Então os investigadores ainda estão no escuro sobre quem fez isso?
Completamente. Nenhuma prisão, nenhum suspeito nomeado. Só sabem que eram quatro pessoas, duas em carro, duas em moto.
E o fato de o material ter sido abandonado tão rápido é estranho. Por que roubar algo tão valioso e depois deixar em um terreno baldio?
Talvez tenham percebido que era radioativo e tiveram medo. Ou talvez não conseguissem movimentar sem ser detectados.
A ANSN vai conseguir descobrir quem fez isso?
Não é função deles. Eles confirmam o material e orientam sobre segurança. A investigação criminal é com a Polícia Civil, e até agora não há pistas públicas.
O Pulso
- Um motorista de 58 anos foi rendido por quatro criminosos armados enquanto transportava material radioativo de uso médico pela zona norte de São Paulo, permanecendo em cativeiro por toda a noite.
- O Actínio-225, avaliado em R$ 30 mil e essencial em tratamentos oncológicos, desapareceu por quatro dias — tempo suficiente para gerar alerta máximo nas autoridades de segurança nuclear do país.
- A van foi encontrada desmontada em um desmanche rastreado pelo GPS do veículo, mas a embalagem com o isótopo estava ausente, sugerindo que os criminosos separaram deliberadamente o material do carro.
- A Polícia Civil localizou o material em um terreno baldio no bairro São Rafael; a ANSN confirmou a identidade do isótopo por meio de contato direto com o fabricante nos Estados Unidos.
- Nenhum suspeito foi preso até o momento, e as motivações por trás do roubo — e do posterior abandono do material — seguem sem resposta nas investigações em curso.
Na madrugada de outubro, um isótopo radioativo usado para salvar vidas desapareceu nas ruas de São Paulo, levado por criminosos que talvez não soubessem — ou não se importassem — com o que carregavam. Quatro dias depois, o Actínio-225 foi encontrado abandonado em um terreno baldio na zona leste, como se a própria matéria tivesse resistido ao destino que lhe tentaram impor. O episódio expõe a fragilidade das cadeias de transporte de materiais sensíveis e a sorte, tênue e imprevisível, que separa um incidente de uma tragédia.
Na noite de 1º de outubro, um motorista de 58 anos foi abordado por quatro criminosos na rodovia Presidente Dutra, na Vila Maria, zona norte de São Paulo. Dois chegaram de carro, dois de moto. Ele foi mantido em cativeiro até a manhã seguinte, quando foi abandonado no Itaim Paulista. Com ele, desapareceu uma carga de Actínio-225 — isótopo radioativo usado em tratamentos médicos, avaliado em cerca de R$ 30 mil.
Quatro dias depois, na noite de segunda-feira, a Polícia Civil encontrou o material em um terreno baldio na rua Um do Cruzeiro, no bairro São Rafael, também na zona leste. A ANSN orientou os policiais sobre o manuseio correto e confirmou a identidade do isótopo por meio de contato com o fabricante nos Estados Unidos, que reconheceu a embalagem como compatível com o padrão utilizado no transporte desse material.
O roubo apresenta sinais de planejamento: os criminosos abordaram o motorista logo após ele retirar a carga, por volta das 22 horas. A van foi localizada em um desmanche graças ao rastreador do veículo, mas a embalagem radioativa não estava lá — o que indica que o isótopo foi descartado separadamente. Nenhum suspeito foi preso. O material está sob custódia da Polícia Civil e aguarda avaliação técnica final da ANSN, enquanto as investigações continuam abertas na delegacia de Guarulhos.
Na noite de quinta-feira, 1º de outubro, um motorista de 58 anos foi abordado por quatro criminosos enquanto transportava uma carga de Actínio-225 pela rodovia Presidente Dutra, na Vila Maria, zona norte de São Paulo. Dois dos assaltantes estavam em um carro; os outros dois, em uma motocicleta. O condutor permaneceu sob o poder desses homens até a manhã de sexta-feira, quando foi abandonado nas proximidades da avenida Marechal Tito, no Itaim Paulista, zona leste. O material roubado — um isótopo radioativo usado em tratamentos médicos, avaliado em cerca de 30 mil reais — desapareceu naquela noite.
Quatro dias depois, na noite de segunda-feira, 5 de outubro, a Polícia Civil localizou o Actínio-225 em um terreno baldio na rua Um do Cruzeiro, bairro São Rafael, também na zona leste. A descoberta foi confirmada pela ANSN, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, que orientou os policiais sobre como proceder: o material deveria ser retirado do local com uso de luvas para que fossem feitas imagens detalhadas.
A confirmação da identidade do material ocorreu através de um contato entre a ANSN e o fabricante do Actínio-225 nos Estados Unidos. O fabricante reconheceu o volume como compatível com a embalagem padrão utilizada no transporte desse isótopo. Embora o volume esteja agora sob custódia da Polícia Civil e aguarde avaliação técnica completa da ANSN para verificação final da fonte, já foi confirmado que se trata da mesma embalagem que estava na van roubada.
O caso revela detalhes sobre o roubo que sugerem planejamento. Segundo o relato do motorista aos policiais civis, os criminosos o abordaram logo após ele pegar a carga, por volta das 22 horas. Partes do veículo foram posteriormente encontradas em um desmanche, descoberta facilitada pelo rastreador do carro — mas a embalagem com o material radioativo não estava lá, o que indica que os assaltantes podem ter descartado ou ocultado o isótopo em local diferente do resto do veículo.
Até o momento, nenhuma prisão foi realizada. As investigações continuam em andamento, com o caso registrado como roubo pela delegacia de Guarulhos. A recuperação do material radioativo representa um alívio em termos de segurança nuclear, mas deixa em aberto a questão de quem estava por trás do roubo e por que o Actínio-225 foi abandonado em um terreno baldio dias depois.
Citações Notáveis
O motorista afirmou ter ficado em poder dos criminosos até a manhã de sexta-feira, quando foi deixado nas proximidades da avenida Marechal Tito, no Itaim Paulista— Relato do motorista à Polícia Civil