No cruzamento entre o jogo e a ciência, investigadores da Universidade de Binghamton revelaram que a matemática da incerteza — a entropia de Shannon — pode transformar um passatempo quotidiano numa equação quase sempre resolvível. O que parece um simples jogo de palavras torna-se, sob este olhar, um laboratório onde a informação supera a intuição, e onde escolher o palpite mais revelador vale mais do que escolher o mais provável.
Matemáticos descobrem estratégia para ganhar Wordle em 99% das vezes
Um palpite não precisa ser a resposta mais provável, apenas informativo
Então, basicamente, o computador está a fazer batota ao usar informação que um jogador humano não consegue processar?
Não é bem batota. É que o computador consegue avaliar centenas de milhares de palavras em segundos. Um humano não consegue fazer isso na cabeça. Mas a lógica por trás é a mesma — escolher palpites que eliminam mais possibilidades.
Espera, mas qual é a diferença real entre 99% e 90%? Em termos práticos, quantas vezes é que alguém falha o Wordle?
Se jogares todos os dias, com 90% de sucesso falhas cerca de três vezes por mês. Com 99%, falhas uma vez por mês. É uma diferença real.
E o algoritmo consegue sempre resolver em menos tentativas?
Em média, sim. Mas há casos em que ambos precisam de seis tentativas — o limite máximo.
Mas o estudo menciona que o método tem problemas com anagramas. Quantos puzzles do Wordle são anagramas? Porque se forem muitos, essa taxa de 99% pode estar inflacionada.
O estudo não especifica isso. É uma limitação que eles identificaram, mas não quantificaram.
Então, na prática, alguém poderia usar isto para ganhar sempre?
Se tivesse um computador ao lado enquanto jogava, sim. Mas isso não é exatamente o espírito do jogo.
E quanto ao tempo? Quanto tempo leva o algoritmo a calcular cada palpite?
O estudo não diz. Só que é prático com um computador, o que sugere que é rápido, mas não temos números.
El Pulso
- A taxa de sucesso humana no Wordle estagna nos 90% — uma em cada dez partidas termina em derrota, mesmo com estratégias cuidadosas.
- O algoritmo baseado na entropia de Shannon rompe esse limite, resolvendo mais de 99% dos puzzles dentro das seis tentativas permitidas.
- A tensão central está na inversão de lógica: em vez de adivinhar a palavra mais provável, o método escolhe o palpite que elimina mais incerteza — mesmo que não seja candidato à solução.
- A limitação é real e prática: o cálculo exige avaliar centenas de milhares de palavras, tornando o método dependente de computador e vulnerável a grupos de anagramas.
- O estudo, publicado no Northeast Journal of Complex Systems, posiciona a teoria da informação como ferramenta legítima para desafios aparentemente triviais do quotidiano.
No cruzamento entre o jogo e a ciência, investigadores da Universidade de Binghamton revelaram que a matemática da incerteza — a entropia de Shannon — pode transformar um passatempo quotidiano numa equação quase sempre resolvível. O que parece um simples jogo de palavras torna-se, sob este olhar, um laboratório onde a informação supera a intuição, e onde escolher o palpite mais revelador vale mais do que escolher o mais provável.
Investigadores da Universidade de Binghamton descobriram que um algoritmo baseado na entropia de Shannon resolve o Wordle em mais de 99% das tentativas — superando claramente os 90% alcançados pelos jogadores que seguem estratégias convencionais. O estudo foi publicado na revista Northeast Journal of Complex Systems.
O Wordle oferece seis tentativas para adivinhar uma palavra de cinco letras, com feedback a verde, amarelo e cinzento após cada palpite. A abordagem habitual consiste em começar com palavras ricas em vogais comuns e refinar os palpites com base no que o jogo revela — tentando sempre aproximar-se da palavra mais provável.
O algoritmo matemático inverte esta lógica. Em vez de procurar a resposta mais provável, prioriza o palpite mais informativo — aquele que maximiza a redução de incerteza, mesmo que a palavra escolhida não seja candidata à solução. Donald Stephens, doutorando e coautor do estudo, sublinhou que um palpite não precisa de ser a resposta certa, apenas precisa de revelar o máximo de informação possível.
A desvantagem é significativa: avaliar o valor informativo de centenas de milhares de palavras exige computador, tornando o método inaplicável à mão. Os investigadores identificaram ainda uma fragilidade — o algoritmo pode falhar com anagramas, palavras que partilham as mesmas letras em ordens diferentes.
Para quem joga com papel e caneta, a estratégia tradicional continua a ser a única opção. Mas para quem quer garantir a vitória com apoio computacional, a matemática oferece agora uma vantagem difícil de ignorar.
Investigadores da Universidade de Binghamton descobriram que um algoritmo baseado num conceito matemático chamado entropia de Shannon consegue resolver o Wordle em mais de 99% das vezes — uma taxa de sucesso significativamente superior aos 90% alcançados pelos jogadores que seguem estratégias convencionais. O estudo, publicado na revista Northeast Journal of Complex Systems, testou esta abordagem contra o método típico que a maioria das pessoas usa quando senta à frente do jogo de palavras online.
O Wordle funciona de forma simples: o jogador tem seis tentativas para adivinhar uma palavra de cinco letras. Após cada palpite, o jogo oferece feedback — as letras corretas na posição certa aparecem a verde, as letras corretas mas mal posicionadas a amarelo, e as letras que não fazem parte da palavra a cinzento. A estratégia convencional que a maioria segue é começar com uma palavra que contenha várias vogais comuns e depois refinar os palpites com base no feedback recebido, tentando adivinhar qual é a palavra mais provável.
Mas é aqui que a abordagem matemática muda de rumo. Em vez de procurar a palavra mais provável, o algoritmo baseado na entropia de Shannon — um conceito que mede a incerteza em teoria da informação — escolhe palpites que revelam a máxima quantidade de informação, mesmo que essas palavras não sejam candidatas reais à solução. Donald Stephens, estudante de doutoramento na Universidade de Binghamton e coautor do estudo, explicou o princípio fundamental: um palpite não precisa ser a resposta mais provável, apenas precisa ser informativo. Ao maximizar a redução esperada da incerteza após cada tentativa, o algoritmo elimina de forma mais eficaz as possibilidades incorretas do que os métodos tradicionais baseados na frequência das letras.
A desvantagem prática é considerável: este método exige a avaliação do valor informativo de centenas de milhares de palavras possíveis, o que torna impossível aplicá-lo manualmente. É necessário um computador para fazer os cálculos em tempo útil. Além disso, os investigadores identificaram uma limitação específica — o algoritmo pode ter dificuldades quando se depara com grupos de anagramas, palavras que partilham as mesmas letras em ordens diferentes, tornando difícil distinguir eficientemente entre elas.
Apesar desta ressalva, o estudo conclui que a estratégia baseada na entropia requer, em média, menos palpites do que os métodos convencionais inspirados no comportamento humano. Para quem joga Wordle regularmente com papel e caneta, a estratégia tradicional continua a ser a única viável. Mas para quem quer garantir a vitória — e tem um computador ao lado — a matemática oferece agora uma vantagem clara.
Citas Notables
Um palpite não tem de ser a resposta mais provável; basta que seja informativo— Donald Stephens, estudante de doutoramento na Universidade de Binghamton