Marco Silva analisa vitória goleada: Pavlidis, Schjelderup e o dilema da baliza

Não há lugares garantidos no Benfica
Marco Silva recusa garantir continuidade a Prestianni apesar da boa exibição na goleada ao Herts.
Mark

Porque é que a segunda parte começou tão mal, se a primeira tinha sido tão controlada?

Mimi

O adversário mudou de estrutura, passou para três centrais, e nós demorámos a ajustar o posicionamento e os momentos de pressão. Os jogadores que entraram também levaram tempo a encontrar o ritmo. Mas quando conseguimos estabilizar, voltámos a ter o controlo claro.

Mark

A saída de Barrenechea foi uma crítica ao desempenho dele ou uma decisão de gestão?

Mimi

Puramente gestão. Ele estava a fazer um excelente jogo na primeira parte. A decisão foi consciente — tínhamos um jogo no domingo e precisávamos de o poupar. Nada a ver com questões táticas.

Mark

Pavlidis tem rumores de saída para a Turquia. Como é que ele está mentalmente?

Mimi

Como um grande profissional que respeita o clube e gosta de estar onde está. O mercado aberto traz sempre rumores, é verdade, mas ele tem-se regido de forma exemplar. Nós temos que estar estáveis e transmitir essa estabilidade.

Mark

Schjelderup em 26 minutos marcou e assistiu. Isso muda a forma como o vê?

Mimi

Não preciso desses 26 minutos para perceber a qualidade que ele tem. Já sabia disso. O que vejo é um jogador com capacidade de decisão em espaços curtos, calma para escolher bem. Ainda não está no seu melhor fisicamente, mas quando estiver, será muito mais consistente.

Mark

Prestianni estava castigado e entra logo no onze. Isso é garantia de lugar no domingo?

Mimi

Não há lugares garantidos no Benfica. Mas Prestianni trabalhou de forma exemplar durante as semanas em que não jogava, consciente de que tinha que trabalhar mais que os outros. Merecia a oportunidade.

Mark

Rafa Silva começou na direita, mas é um jogador de corredor central. Qual é o plano?

Mimi

Neste jogo precisávamos de um jogador totalmente aberto no corredor esquerdo — era o Prestianni. Rafa, se joga num corredor, não é para estar sempre aberto. Mas mesmo começando na direita, vai entrar em zonas interiores. É algo que pode acontecer naturalmente conforme a equipa se adapta.

  • Uma primeira parte de circulação fluida e golo cedo contrastou com uma segunda metade instável, em que o Herts criou oportunidades e o Benfica demorou a responder à mudança tática do adversário.
  • Os rumores em torno de Trubin e Pavlidis criaram ruído externo, mas Silva fechou ambas as questões com firmeza: decisões técnicas e profissionalismo exemplar, respetivamente.
  • Schjelderup marcou e assistiu em 26 minutos, confirmando a qualidade que Silva já conhecia, mesmo sem estar no pico físico — um sinal do que está por vir.
  • Prestianni regressou ao onze após castigo e correspondeu, enquanto a gestão de Barrenechea revelou uma equipa a pensar já no domingo e na segunda mão na Escócia.
  • A trajetória de Rafa Silva para o interior do meio-campo foi explicada como inevitável — uma adaptação em curso à medida que o plantel recupera a sua forma natural.

Na noite de quinta-feira, o Benfica goleou o Herts por 5-0 na Liga Europa, mas Marco Silva escolheu a conferência de imprensa não para celebrar, mas para calibrar. Por entre as questões sobre rotações, rumores de mercado e ajustes táticos, o treinador deixou claro que uma vantagem confortável não dispensa a seriedade — há uma segunda mão na Escócia à espera, e o trabalho continua.

A conferência de imprensa de Marco Silva após a goleada ao Herts foi menos uma celebração e mais um exercício de calibração. Cinco golos de vantagem deixam a eliminatória encaminhada, mas o treinador recusou qualquer facilitismo: o domingo seguia-se imediatamente, e depois viria a segunda mão na Escócia, num ambiente que exigiria preparação séria.

A primeira parte tinha sido de qualidade genuína — circulação fluida, exploração inteligente do adversário e um golo cedo a estabelecer o tom. A segunda metade, porém, começou mal. O Herts criou oportunidades, o Benfica perdeu bolas desnecessárias e demorou a ajustar-se à mudança para três centrais. Só após o quinto golo regressou a estabilidade.

As rotações geraram questões. A titularidade de Samuel Soares em vez de Trubin foi classificada como decisão puramente técnica, sem qualquer relação com rumores de saída. A substituição de Barrenechea, que fazia uma excelente primeira parte, foi assumida como gestão de esforço a pensar nos próximos jogos. Sobre Pavlidis, alvo de rumores de transferência para a Turquia e com cinco golos em três jogos, Silva foi direto: um grande profissional, alguém que respeita o clube e que se tem comportado de forma exemplar.

Schjelderup precisou de pouco mais de 26 minutos para marcar e assistir. Silva já conhecia a sua qualidade — a capacidade de decidir em espaços curtos, a calma no último terço — mas reconheceu que o norueguês ainda não estava no seu melhor fisicamente. Quando estivesse, seria capaz de fazer isto de forma muito mais consistente.

Prestianni regressou ao onze após cumprir castigo e foi colocado totalmente aberto no corredor esquerdo, conforme o plano exigia. Teve um bom desempenho, apesar de algum cansaço na segunda parte, e o golo foi importante para a sua confiança. Quanto a Rafa Silva, Silva explicou que a sua utilização pelo flanco tinha sido uma necessidade da pré-temporada, mas que o seu lugar natural é o interior — uma transição que acontecerá de forma progressiva à medida que a equipa se adapte.

A conferência de imprensa de Marco Silva depois da goleada do Benfica ao Herts, quinta-feira à noite na Liga Europa, foi menos sobre celebração e mais sobre calibração. Cinco golos de vantagem em casa deixam a eliminatória praticamente resolvida, mas o treinador das águias recusou-se a falar em facilitismo. Havia um jogo pelo meio — o domingo seguinte — e depois viria a segunda mão na Escócia, num ambiente hostil que exigiria preparação séria, independentemente da vantagem acumulada.

A primeira parte tinha sido de qualidade genuína. Silva insistiu nisso: entrada forte, circulação de bola fluida de corredor a corredor, exploração inteligente da organização defensiva do adversário. O primeiro golo cedo estabeleceu o tom. Mas a segunda metade começou mal. O Herts criou oportunidades, a equipa perdeu bolas que não deveria ter perdido, e quando o adversário mudou para três centrais, o Benfica demorou a ajustar-se. Os jogadores que entraram do banco levaram tempo a encontrar o ritmo. Só depois do quinto golo é que a estabilidade regressou e o controlo do jogo ficou claro.

A escolha de Samuel Soares na baliza em vez de Trubin gerou questões sobre uma possível saída do ucraniano. Silva cortou a especulação: a decisão era puramente técnica, nada mais. Trubin tinha começado os primeiros dois jogos, Soares tinha começado contra o Villarreal, Trubin contra o Flamengo. Hoje tocou a Samuel. Ponto final. A saída de Enzo Barrenechea no meio-campo, mantendo o duplo pivô com Leandro Barreiro e Richard Ríos, foi consciente e admitida. O Enzo estava a fazer um excelente jogo na primeira parte, mas a decisão foi de gestão — preparar a equipa para o domingo, para outro jogo que era para ganhar. Nada a ver com questões táticas.

Sobre Pavlidis, que levava cinco golos em três jogos oficiais e era alvo de rumores sobre uma possível saída para a Turquia, Silva foi direto: estado de espírito de um grande profissional que respeita o clube e gosta de estar onde está. O mercado aberto traz rumores e situações concretas, é verdade, mas o Benfica tinha que estar estável e transmitir essa estabilidade aos jogadores e aos adeptos. Pavlidis tinha-se regido como um grande profissional, como alguém realmente importante para o clube.

Schjelderup precisou de pouco mais de 26 minutos para marcar e assistir. Silva não precisava daqueles minutos para perceber a qualidade do norueguês — já sabia disso. Mas o que viu confirmou o que já suspeitava: um jogador com capacidade de decisão em espaços curtos e no último terço, calma para escolher bem, características muito importantes para a forma como o Benfica queria jogar. Ainda não estava no seu melhor fisicamente, mas quando estivesse, seria capaz de fazer isto de forma muito mais consistente. Era um excelente jogador, de grande qualidade.

Prestianni, que tinha cumprido castigo, foi incluído imediatamente no onze inicial. Silva explicou: não há lugares garantidos no Benfica, mas Prestianni tinha tido uma excelente pré-temporada e tinha trabalhado de forma exemplar durante as semanas em que não jogava, consciente de que tinha que trabalhar mais que os outros para demonstrar o seu valor. A decisão não foi fácil — Andreas Schjelderup não estava pronto para 90 minutos mas precisava de minutos — mas Silva não teve dúvida. Prestianni foi colocado totalmente aberto no corredor esquerdo, conforme o plano do jogo exigia. Teve um bom nível, um pouco mais cansado na segunda parte porque era praticamente o primeiro jogo que jogava há muito tempo. O golo foi importante para ganhar confiança.

Rafa Silva tinha sido usado muito mais pelo flanco durante a pré-temporada por necessidade — com Schjelderup, Kokçu no Mundial e Prestianni impedido de jogar os primeiros dois jogos oficiais, Silva testou Rafa muito mais por fora. Mas Rafa era claramente um jogador de corredor central, um terceiro médio ou segundo avançado, a zona onde se sentia mais confortável. A decisão de o manter na direita neste jogo foi porque Prestianni era o jogador para estar totalmente aberto no corredor esquerdo. Rafa, se jogasse num corredor, não era jogador para estar sempre aberto. Mas mesmo começando num corredor, acabaria por entrar em zonas interiores, e com o perfil dos laterais-direitos do Benfica, era algo que podia acontecer naturalmente: Rafa a vir ser o quarto médio mais por dentro, dando o corredor para o lateral.

Sobre Durán, Silva foi claro: dois jogadores diferentes, dois excelentes avançados de enorme qualidade. Jhon vinha de uma época abaixo do seu nível, mas Silva acreditava que este ano faria melhor. Eram compatíveis em alguns momentos — Pavlidis podia jogar numa zona um pouco mais baixa, quase como segundo avançado. Um golo dava sempre confiança a qualquer avançado. Durán era mais explosivo, mais rápido, muito explosivo com espaço. Silva estava satisfeito com o começo de pré-temporada de Pavlidis e era o momento de dar minutos aos outros. Jhon tinha vindo a trabalhar bem, estava melhor fisicamente, mas ainda não ao nível desejado. Teria que continuar a melhorar, trabalhar forte para ser uma opção real.

Estado de espírito de um grande profissional, de um jogador que respeita muito o clube onde está e que gosta de estar no clube onde está
— Marco Silva, sobre Pavlidis
Eu não preciso destes 25 minutos para perceber a qualidade que o Andreas tem, aquilo que nos pode dar
— Marco Silva, sobre Schjelderup
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