Marcelo Viana relata a transformação de Pequim e defende parceria do Impa com universidades chinesas

Uma aposta estratégica na educação e na pesquisa como via para a soberania
Viana explica a prosperidade da China pela aposta em educação e ciência, com lições para o Brasil.
Mark

Por que um matemático escreve sobre ar limpo e carros elétricos numa coluna sobre o Impa?

Mimi

Porque é o pano de fundo que ele usa. Viana conta a transformação de Pequim em três décadas e liga isso à aposta chinesa em educação e pesquisa.

Mark

E o que há de concreto na parceria?

Mimi

Doze estudantes do Impa Tech estão num semestre em Pequim desde agosto, com apoio da Universidade Peking e da Beihang.

Luke

Vale notar que a leitura sobre a China é a avaliação pessoal do autor. É uma coluna de opinião, não uma apuração independente.

Mark

Quem paga o intercâmbio?

Mimi

O financiamento é inteiramente privado. O texto não diz quem são os financiadores.

Luke

Exato, e também não informa valores nem critérios de seleção além de serem "os melhores" alunos, o que é a descrição dele.

Mark

E o que vem a seguir?

Mimi

Um novo acordo em Shijiazhuang, em negociação, e uma viagem de oito cidades que dura mais três semanas.

Luke

Esse acordo ainda é só negociação. Não há confirmação de que será fechado nem de seus termos.

  • Doze alunos do Impa Tech já vivem um semestre inteiro em Pequim, sustentados por recursos inteiramente privados.
  • A cidade que Viana reencontra, com ar mais limpo e avenidas largas, contrasta com a memória da capital de três décadas atrás.
  • Negociações avançam em paralelo: a Universidade Peking e a Universidade Beihang já apoiam o intercâmbio, e um novo acordo está em discussão em Shijiazhuang.
  • A viagem de oito cidades, que se estenderá por mais três semanas, sinaliza que a cooperação pretende se expandir para além dos parceiros atuais.

Num outono de 2026, o matemático Marcelo Viana, do Impa, retorna à China e encontra um país que, em três décadas, transformou suas ruas, seu ar e sua aposta na ciência. Sua viagem não é apenas protocolar: ela testemunha uma convicção antiga, a de que o conhecimento é alicerce do desenvolvimento e da soberania de uma nação. Entre alunos brasileiros que atravessam o oceano para estudar em Pequim e acordos que se desenham em novas cidades, delineia-se uma ponte acadêmica que pode ensinar ao Brasil sobre o caminho que ainda procura.

Após mais de 24 horas de voo, Marcelo Viana, matemático do Impa, desembarcou em Pequim na manhã de 19 de outubro. Ao atravessar a cidade rumo ao centro, ele comparou a capital atual com a que conhecera trinta anos antes: a poluição densa deu lugar a um ar melhor, bairros deteriorados foram substituídos por avenidas e arranha-céus, e as bicicletas cederam espaço a veículos, em sua maioria elétricos. Para ele, essa transformação nasce de décadas de crescimento sustentado e de uma aposta deliberada na educação e na ciência como caminhos para o desenvolvimento e a soberania.

Esta é a segunda visita do matemático em pouco mais de um ano, feita para aprofundar a colaboração entre o Impa e as principais instituições chinesas. O esforço já produz resultados. Desde agosto, doze dos melhores alunos do Impa Tech, a nova escola de graduação do instituto, cursam um semestre em Pequim, com financiamento totalmente privado e apoio da Universidade Peking, fundada em 1898, e da Universidade Beihang, criada em 1952 como a primeira instituição de ensino superior da República Popular.

Em Pequim, Viana acompanhou o progresso dos estudantes em conversas com eles e com professores locais, e considera que viver num país tão distinto do Brasil será um diferencial para a formação deles. No fim de semana, o grupo visitou a Grande Muralha.

A agenda segue. Em Shijiazhuang, capital de Hebei, o matemático participa de uma conferência científica e negocia um novo acordo que poderá beneficiar futuros alunos do Impa. A viagem abrange oito cidades e se estenderá por mais três semanas.

O voo durou mais de 24 horas. Marcelo Viana, matemático do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), pousou no aeroporto internacional de Pequim às 6h da manhã de segunda-feira, 19 de outubro, para mais uma visita de trabalho à China. No trajeto pelas amplas rodovias até o centro, ele se pôs a comparar a cidade de agora com a que conheceu na primeira viagem, três décadas atrás.

Na avaliação dele, a poluição densa que cobria a capital no fim do século passado deu lugar a um ar que, sem ser perfeito, causa inveja a qualquer grande cidade brasileira. Quadras inteiras de prédios deteriorados e superlotados foram removidas por ondas de renovação imobiliária, que abriram largas avenidas e ergueram arranha-céus. As bicicletas velhas, aglomeradas à espera do semáforo, cederam lugar a veículos modernos de todos os tipos, na maioria elétricos.

Viana atribui essa prosperidade a décadas de crescimento econômico sustentado e a uma aposta estratégica das autoridades chinesas na educação e na pesquisa científica e tecnológica, vistas como caminho para o desenvolvimento e para a consolidação da soberania. Ele enxerga aí lições para um Brasil em busca de seu próprio caminho como nação.

Faz pouco mais de um ano desde a última visita do matemático ao país, feita para intensificar a colaboração acadêmica e científica entre o Impa e as melhores instituições chinesas de ensino superior e pesquisa. Segundo ele, o esforço já rende frutos concretos, e agora o objetivo é consolidar os avanços e estender a cooperação a outros parceiros.

Um desses frutos é o intercâmbio em curso. Desde agosto, 12 dos melhores estudantes do Impa Tech, a recém-criada escola de graduação do instituto, passam um semestre letivo em Pequim. O financiamento é inteiramente privado, e há apoio das anfitriãs: a Universidade Peking e a Universidade Beihang.

A Peking foi fundada em 1898, durante a dinastia Qing, com o nome de Universidade Imperial de Pequim. Teve papel marcante na história política e cultural chinesa e hoje figura entre as mais conceituadas do mundo, em especial em matemática, filosofia, economia e medicina. A Beihang, criada em 1952, foi a primeira instituição de ensino superior fundada pela República Popular da China e hoje lidera, no mundo, áreas como aeronáutica, astronáutica e tecnologias avançadas.

Em Pequim, Viana acompanhou o progresso dos alunos conversando com eles e com os professores chineses. Para ele, além do conhecimento técnico, viver um intercâmbio internacional em um país tão diferente do Brasil será um trunfo na formação deles. No sábado, 24, o grupo visitou junto a Grande Muralha.

No dia seguinte, o matemático seguiu para Shijiazhuang, capital da província de Hebei, onde participa de uma conferência científica e negocia outro acordo de parceria institucional, que poderá beneficiar futuros estudantes do Impa. A viagem inclui oito cidades e ainda se estenderá por mais três semanas.

O esforço de colaboração com instituições chinesas já está dando frutos concretos; agora importa consolidar os avanços e ampliar a parceria a outros parceiros.
— Marcelo Viana, matemático do Impa (paráfrase)
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