Marcas aprendem a vender para agentes de IA, novo paradigma do marketing digital

Você simplesmente não será exibido
O risco de uma marca não estar preparada para agentes de IA é desaparecer das recomendações de chatbots.
Mark

Por que as marcas não podem simplesmente deixar os agentes de IA navegarem por seus sites normais, como fazem os humanos?

Mimi

Porque agentes leem diferente. Eles precisam de conteúdo estruturado, factual, com muitas estatísticas. Um site bonito para humanos pode ser ilegível para um bot.

Luke

Mas quanto disso é realmente comprovado? A Adobe relatou 393% de crescimento, mas em qual base? Tráfego de IA ainda é uma fração pequena do total?

Mimi

Verdade, ainda é pequeno agora. Mas as projeções do Morgan Stanley — US$ 385 bilhões até 2030 — sugerem que as marcas estão apostando que vai crescer rápido.

Mark

E se essas técnicas de otimização ficarem obsoletas? Shamny fala em vetores e espaços matemáticos, mas isso não muda constantemente?

Mimi

Exatamente. Toby Coulthard da Jacquard disse que os modelos mudam mais rápido do que a capacidade de manipulá-los. É um alvo em movimento.

Luke

Então as startups estão vendendo soluções para um problema que pode não existir daqui a dois anos? Ou é mais como SEO — sempre haverá otimização, só que as regras mudam?

Mimi

Provavelmente é como SEO. Os primeiros adotantes ganham muito, depois o mercado se equilibra. Mas a velocidade dessa mudança agora é assustadora.

Mark

A RTA Store pagou US$ 15 mil e depois pode gastar US$ 12 mil por mês. Isso é sustentável para pequenas empresas?

Mimi

Essa é a grande questão. Ackerman é um varejista de médio porte. Para pequenas marcas, esses custos podem ser proibitivos.

Luke

E não sabemos ainda se esses investimentos realmente resultam em vendas. A New Generation tem métricas de sucesso publicadas?

Mimi

Não vi números de conversão no artigo. Sabemos que Ackerman diz que funcionou, mas é um relato anedótico.

  • Tráfego de IA em sites de varejo dos EUA cresceu 393% em 2026
  • Gastos influenciados por agentes podem atingir US$ 385 bilhões até 2030
  • RTA Store pagou US$ 15 mil à New Generation para otimizar seu catálogo para agentes de IA
  • Startups como Limy e Gauge ajudam marcas a tornar produtos visíveis para bots

Startups como Limy e Gauge ajudam marcas a otimizar produtos para serem descobertos por agentes de IA, mudando radicalmente a abordagem da publicidade tradicional. Tráfego de IA em sites de varejo dos EUA cresceu 393% em 2026; gastos influenciados por agentes podem atingir US$ 385 bilhões até 2030.

Empresas desenvolvem novas estratégias de marketing focadas em agentes de IA que fazem compras em nome de consumidores, usando lógica matemática em vez de emoção para atrair recomendações de chatbots.

Os executivos de marketing estão enfrentando uma pergunta que não tinham há poucos meses: como vender para um cliente que não é humano? À medida que consumidores recorrem cada vez mais a agentes de inteligência artificial para fazer compras em seu nome — ferramentas oferecidas por Meta, OpenAI e outras gigantes de tecnologia — as marcas percebem que precisam aprender uma linguagem completamente diferente.

A publicidade tradicional apela para emoção, para os olhos, para a dopamina. Mas quando o cliente é um bot, a lógica matemática é o que importa. Aviv Shamny, cofundador e CEO da Limy, uma plataforma de busca baseada em IA financiada pela Andreessen Horowitz, resumiu a mudança de paradigma: anunciar para agentes significa "anunciar para a lógica — uma lógica muito matemática". Uma nova geração de startups está surgindo justamente nessa fronteira entre tecnologia e marketing, oferecendo aos varejistas ferramentas para tornar seus produtos visíveis e compreensíveis para máquinas.

Os números sugerem que essa não é uma preocupação distante. O tráfego de sites de varejo dos Estados Unidos originário de fontes de IA cresceu 393% em 2026, segundo um relatório da Adobe. Analistas do Morgan Stanley estimam que até 2030, os gastos influenciados por agentes poderão representar até 20% de todo o comércio eletrônico americano — aproximadamente US$ 385 bilhões. Alguns varejistas já estão investindo pesadamente. A RTA Store, uma empresa familiar que vende armários e móveis planejados pela internet, pagou US$ 15 mil à New Generation, uma startup de São Francisco, para transformar seu catálogo estático em dados estruturados que agentes de IA conseguem ler e compreender.

O trabalho envolveu mudanças no código básico do site, adição de widgets de IA capazes de responder perguntas tanto de humanos quanto de bots, e — crucialmente — muito mais conteúdo. Os agentes leem mais do que consumidores humanos e preferem "conteúdo que seja muito factual, direto e com muitas estatísticas", segundo Caelean Barnes, fundadora da Gauge, outra startup focada em preparar empresas para essa nova realidade. Isso significa mais descrições de produtos, mais posts em blogs, mais atividade nas redes sociais. A New Generation, em parceria com a Visa, até desenvolveu um sistema de pontuação que classifica sites de 1 a 100 de acordo com sua "preparação para interagir com agentes", simulando as tentativas de bots navegarem pelo site.

Jeff Blackman, diretor-gerente da Barbarian Group, uma agência de marketing apostando nessa transformação, vê o risco com clareza: "Cada vez mais, você simplesmente precisará clicar em 'comprar' na interface de conversa da IA — nunca chegará ao site da marca. O risco de não estar preparado pode significar que você simplesmente não será exibido." Tyler Ackerman, CEO da RTA Store, aprendeu essa lição quando sua equipe percebeu que a empresa havia desaparecido das recomendações dos grandes modelos de linguagem. "Se não estivermos focados em 'como fazer com que nossos produtos sejam lidos facilmente por esses agentes, de forma rápida e segura?', vamos ficar para trás", disse ele.

As estratégias para otimizar para agentes podem ser altamente técnicas. Shamny explicou que a Limy trabalha com a forma como sistemas de IA representam linguagem como vetores — sequências de números que capturam o significado. Um comando como "melhores tênis de corrida para uma maratona" é transformado em representação numérica, e o conteúdo de um site pode ser igualmente codificado. A Limy ajuda marcas a "identificar os espaços vetoriais nos quais os agentes estão interessados" e também identifica os prompts mais valiosos — aqueles que resultam no maior número de compras.

Nem todos estão convencidos de que essas técnicas de otimização terão vida longa. Toby Coulthard, fundador da Jacquard, uma plataforma de marketing baseada em IA, alertou que os modelos estão mudando "mais rápido do que nossa capacidade de tentar manipulá-los". Akshat Trivedi, analista da FTI Consulting, vê paralelos com transições anteriores — a mudança para comércio móvel, a corrida do SEO — onde os primeiros adotantes ganharam muito, mas o mercado eventualmente se equilibrou. A diferença agora é a velocidade. Trivedi imagina um futuro onde produtos sejam lançados primeiro na IA, ou onde marcas escolham seus nomes especificamente para serem identificadas por agentes. Tudo isso provavelmente significa que uma parcela crescente dos orçamentos de marketing será desviada para essa nova fronteira. Ackerman estima que em breve poderá gastar até US$ 12 mil por mês apenas para chamar a atenção de sua clientela de bots.

Quando você faz publicidade para seres humanos, direciona sua mensagem para os olhos, as emoções e a dopamina. Mas, quando faz publicidade para agentes, você anuncia para a lógica — uma lógica muito matemática
— Aviv Shamny, cofundador e CEO da Limy
Se não estivermos focados em 'como fazer com que nossos produtos sejam lidos facilmente por esses agentes, de forma rápida e segura?', vamos ficar para trás
— Tyler Ackerman, CEO da RTA Store
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