Uma empresa centenária fundada por imigrantes libaneses em São Paulo chega ao sistema judicial carregando R$ 140 milhões em dívidas — não apenas como vítima de juros altos, mas de si mesma. A Marabraz, que em seu auge conectou 135 lojas à vida cotidiana da classe média paulista, ilustra uma tensão tão antiga quanto o comércio: a dificuldade de separar os laços de sangue dos laços contratuais. O pedido de recuperação judicial, protocolado com urgência, é tanto um gesto de sobrevivência quanto um reconhecimento de que o tempo para resolver disputas em silêncio já passou.