No cruzamento entre a vigilância digital e o crime financeiro, surge o Manic — um malware para Android identificado pela ThreatFabric que combina roubo bancário com espionagem sofisticada. Ativo principalmente na Ucrânia, mas com alcance pela Europa e além, o Manic monitoriza 169 aplicações e é capaz de transmitir dados roubados entre dispositivos infetados por proximidade, mesmo sem acesso à internet. A sua existência lembra-nos que a fronteira entre o mundo físico e o digital é cada vez mais porosa, e que a vigilância começa, muitas vezes, por uma permissão concedida sem atenção.
Malware Manic rouba dados bancários do Android através de telemóveis próximos
O malware passa dados por vários telemóveis infetados, contornando desconexões de internet
Como é que um malware consegue roubar um PIN sem a pessoa ver nada de estranho?
Coloca uma camada invisível sobre o teclado. Quando tocas num número, o malware regista onde tocaste e depois deixa o toque passar para o teclado real. Tudo funciona normalmente, mas o atacante já tem o código.
Mas isso só funciona se o malware já tiver permissões de acessibilidade, certo? Não é automático.
Exato. Precisa que o utilizador conceda essas permissões, geralmente quando instala a aplicação infetada.
E quanto àquela parte de transmitir dados através de outros telemóveis? Como é que isso funciona?
Se o teu telemóvel não tem internet, o malware procura outro telemóvel infetado por perto usando Bluetooth ou Wi-Fi Direct. Passa os dados para esse equipamento, que depois os envia para o servidor dos atacantes.
Portanto, desligar a internet não resolve o problema se houver outro telemóvel infetado perto de ti.
Correto. Os dados podem passar por vários dispositivos em cadeia.
Quantas aplicações é que o Manic consegue monitorizar?
169 aplicações diferentes — bancos, serviços de pagamento, carteiras de criptomoedas, aplicações governamentais, autenticadores, navegadores.
E a ThreatFabric descobriu isto, mas não sabemos quantas pessoas foram realmente afetadas, certo?
Não. Sabemos que está a ser distribuído ativamente e que o foco principal é a Ucrânia, mas números específicos de vítimas não foram divulgados.
Der Puls
- O Manic combina roubo de credenciais bancárias com capacidades de spyware completo, tornando-o uma das ameaças Android mais abrangentes identificadas em 2026.
- A técnica de captura de PIN por camada transparente sobre o teclado permite roubar códigos sem que a vítima perceba qualquer anomalia no comportamento do dispositivo.
- A propagação por Wi-Fi Direct e Bluetooth entre dispositivos infetados significa que cortar a internet não é suficiente para impedir a fuga de dados roubados.
- O malware tenta ativamente desativar o Google Play Protect, transformando uma alteração silenciosa nessa definição num sinal de alerta crítico para os utilizadores.
- Utilizadores na Ucrânia, Rússia, Europa Central e Ocidental e Reino Unido estão entre os principais alvos, com 169 aplicações financeiras e de criptomoedas na mira dos atacantes.
No cruzamento entre a vigilância digital e o crime financeiro, surge o Manic — um malware para Android identificado pela ThreatFabric que combina roubo bancário com espionagem sofisticada. Ativo principalmente na Ucrânia, mas com alcance pela Europa e além, o Manic monitoriza 169 aplicações e é capaz de transmitir dados roubados entre dispositivos infetados por proximidade, mesmo sem acesso à internet. A sua existência lembra-nos que a fronteira entre o mundo físico e o digital é cada vez mais porosa, e que a vigilância começa, muitas vezes, por uma permissão concedida sem atenção.
Um novo malware para Android chamado Manic foi identificado pela empresa de cibersegurança ThreatFabric, representando uma ameaça híbrida que combina roubo de dados bancários com vigilância extensiva. Os utilizadores mais expostos encontram-se na Ucrânia, mas o alcance estende-se à Rússia, Europa Central e Ocidental, Reino Unido e serviços globais de fintech e criptomoedas.
Depois de obter acesso aos Serviços de Acessibilidade e às notificações do sistema, o Manic consegue monitorizar 169 aplicações — desde bancos e carteiras digitais até autenticadores e clientes de email. Recolhe palavras-passe, PINs, códigos SMS e frases de recuperação, mas também contactos, histórico de chamadas, localização e capturas de ecrã, permitindo ainda controlo remoto do dispositivo.
Uma das suas técnicas mais sofisticadas envolve uma camada transparente sobre o teclado numérico: quando o utilizador toca num número, o malware regista a posição exata e reproduz o toque no teclado real, capturando o PIN sem levantar qualquer suspeita. O malware funciona também como keylogger através dos Serviços de Acessibilidade.
O que distingue verdadeiramente o Manic é a sua capacidade de transmitir dados mesmo sem ligação à internet. Os dados ficam encriptados no dispositivo e são transferidos para outros telemóveis infetados nas proximidades via Wi-Fi Direct ou Bluetooth, podendo passar por até quatro dispositivos em cadeia antes de chegarem ao servidor dos atacantes.
Para se proteger, os utilizadores devem evitar aplicações de fontes desconhecidas, desconfiar de pedidos de acesso aos Serviços de Acessibilidade ou notificações, e manter o Google Play Protect ativo — sabendo que o próprio Manic tenta desativá-lo. Qualquer alteração inesperada nessa definição deve ser tratada como sinal de alerta imediato.
Um novo malware chamado Manic está a circular ativamente pela internet, visando utilizadores de Android com uma combinação sofisticada de roubo de dados bancários e vigilância. A ameaça foi identificada pela empresa de cibersegurança ThreatFabric e representa um risco particular para utilizadores na Ucrânia, mas também se estende a alvos na Rússia, Europa Central e Ocidental, Reino Unido, e serviços globais de fintech e criptomoedas.
O Manic funciona como um híbrido entre malware bancário tradicional e spyware. Depois de obter acesso a duas permissões específicas — os Serviços de Acessibilidade e as notificações do sistema — o malware consegue monitorizar 169 aplicações diferentes, incluindo bancos, serviços de pagamento, carteiras de criptomoedas, aplicações governamentais, autenticadores, navegadores, clientes de email e plataformas de mensagens. Uma vez instalado, consegue recolher palavras-passe, códigos de verificação enviados por SMS, PINs e frases de recuperação de carteiras digitais. Mas o alcance vai muito além: o malware também captura contactos, histórico de chamadas, mensagens, ficheiros, localização do dispositivo e capturas de ecrã, permitindo ainda que o atacante veja e controle remotamente o smartphone.
O que torna o Manic particularmente perigoso é a sofisticação das suas técnicas de roubo de credenciais. Uma das suas funcionalidades mais avançadas permite capturar o PIN de um utilizador sem nunca mostrar uma aplicação bancária falsa — o que significa que a vítima não suspeita de nada enquanto digita. O malware coloca uma camada transparente sobre o teclado numérico. Quando o utilizador toca num número, o malware regista a posição exata do toque e depois reproduz esse mesmo toque no teclado verdadeiro. Para a vítima, tudo funciona normalmente; para o atacante, o código foi capturado. O malware também pode funcionar como um keylogger através dos Serviços de Acessibilidade, registando tudo o que é escrito no dispositivo.
Mas a característica mais invulgar do Manic é a forma como consegue transmitir dados roubados mesmo quando o telemóvel infetado não tem ligação direta à internet. Os dados ficam armazenados e encriptados no dispositivo. O malware procura então outros telemóveis infetados nas proximidades utilizando tecnologias como Wi-Fi Direct e Bluetooth. Se encontrar um, transfere os dados para esse equipamento, que os encaminha posteriormente para o servidor dos atacantes. O sistema é ainda mais sofisticado: a informação pode passar por vários dispositivos infetados em cadeia, com até quatro retransmissões por defeito. Isto significa que desligar simplesmente a internet de um telemóvel comprometido não impede necessariamente que os dados roubados saiam do dispositivo, desde que exista outro equipamento infetado nas proximidades.
O Manic continua em desenvolvimento ativo, mas existem medidas que os utilizadores podem tomar para reduzir o risco de infeção. A primeira é evitar instalar aplicações descarregadas através de links suspeitos, sites desconhecidos ou mensagens de phishing, especialmente quando se apresentam como ferramentas ou utilitários. É crucial prestar atenção quando uma aplicação pede acesso aos Serviços de Acessibilidade ou às notificações — estas são precisamente as permissões que o Manic necessita para funcionar. Manter o Google Play Protect ativo é igualmente importante; o próprio malware tenta desativar esta proteção através da automatização dos menus do Android, portanto qualquer alteração inesperada nesta definição deve ser considerada um sinal de alerta. Se houver suspeita de infeção, os utilizadores devem verificar as aplicações instaladas e as permissões que foram concedidas, removendo qualquer coisa que pareça suspeita.
Bemerkenswerte Zitate
O malware coloca uma camada transparente sobre o teclado numérico. Quando o utilizador toca num número, o malware regista a posição e depois reproduz o mesmo toque no teclado verdadeiro.— ThreatFabric (análise técnica)