Pelotas aplica 3 mil doses de gripe em um dia, mas cobertura segue abaixo da meta

qualquer gripe pode evoluir para um caso mais grave
Vera Neto, diretora de Vigilância em Saúde, explica por que a vacinação é urgente em contexto de aumento de SRAG.

Em pleno inverno, Pelotas trava uma corrida silenciosa contra o tempo: enquanto os hospitais acumulam pacientes com síndrome respiratória grave, a cidade já vacinou mais de 70 mil pessoas contra a gripe — mas apenas quatro em cada dez dos que mais precisam de proteção responderam ao chamado. O mutirão de sábado foi um gesto de força, mas também um espelho de uma vulnerabilidade coletiva que nenhuma dose isolada consegue resolver.

  • A cobertura vacinal entre idosos, gestantes e crianças pequenas parou em 41%, muito abaixo da meta, enquanto os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem e pressionam o sistema hospitalar.
  • Pelotas decretou situação de emergência em saúde pública há poucos dias, com Pronto-Socorro e UPA registrando demanda crescente e escassez de leitos.
  • O mutirão do Dia D aplicou mais de 3 mil doses em um único sábado, demonstrando capacidade de mobilização, mas o alcance entre os grupos prioritários ainda é insuficiente.
  • Equipes da Secretaria de Saúde percorrem instituições de longa permanência para idosos — 67 das 74 já foram visitadas — numa tentativa de chegar a quem tem mais dificuldade de se deslocar.
  • A vacinação segue aberta para toda a população a partir dos seis meses em UBSs, na Casa da Vacina e no Mercado Central, mas a pergunta central permanece: os grupos prioritários aparecerão a tempo?

No último sábado, Pelotas realizou um mutirão de vacinação que aplicou mais de três mil doses em um único dia — 2,6 mil contra a gripe e cerca de quinhentas de outras vacinas de rotina. Quando a prefeitura divulgou os resultados na segunda-feira, porém, o quadro revelado era mais complexo do que o volume impressionante sugeria.

Desde o início da campanha, em março, a cidade imunizou 70,5 mil pessoas. O problema está em quem são essas pessoas: apenas 39,6 mil pertencem aos grupos prioritários — idosos, gestantes e crianças menores de seis anos. A cobertura entre esse público ficou em 41%, número considerado baixo pela Secretaria Municipal de Saúde, justamente no momento em que os hospitais enfrentam uma onda de doenças respiratórias. Pelotas decretou situação de emergência em saúde pública há poucos dias, pressionada pela alta demanda relacionada à Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Vera Neto, diretora de Vigilância em Saúde, não esconde a preocupação: os casos de síndrome respiratória crescem, o Pronto-Socorro e a UPA recebem cada vez mais pacientes e os leitos começam a faltar. A lógica é direta — uma gripe não tratada pode evoluir para algo grave, e quando isso acontece em escala, o sistema entra em colapso.

Para aliviar essa pressão, a prefeitura aposta na ampliação da vacinação como estratégia central. Equipes percorrem instituições de longa permanência para idosos — 67 das 74 existentes no município já foram visitadas. As doses seguem disponíveis de segunda a sexta-feira nas Unidades Básicas de Saúde, na Casa da Vacina e no Mercado Central. O mutirão de sábado provou que Pelotas consegue mobilizar recursos. O desafio agora é convencer os grupos prioritários a buscar proteção antes que o inverno aprofunde a crise.

No último sábado, Pelotas realizou um mutirão de vacinação que injetou mais de três mil doses em um único dia — 2,6 mil contra a gripe e cerca de quinhentas de outras vacinas de rotina. O esforço foi real, o número impressionante. Mas quando a prefeitura divulgou os números na segunda-feira, a história que emergiu foi mais complicada: a cidade havia imunizado 70,5 mil pessoas desde o início da campanha em março, e ainda assim estava longe da meta.

O problema não é a quantidade absoluta. É quem está sendo vacinado. Dos 70,5 mil imunizados, apenas 39,6 mil pertencem aos grupos que mais precisam — idosos, gestantes, crianças menores de seis anos. A cobertura entre esse público prioritário parou em 41%, um número que a Secretaria Municipal de Saúde considera baixo demais. Enquanto isso, os hospitais da cidade começam a sentir o peso de uma onda de doenças respiratórias. Pelotas decretou situação de emergência em saúde pública há poucos dias, justamente por causa da alta demanda relacionada à Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Vera Neto, diretora de Vigilância em Saúde do município, não disfarça a preocupação. Ela observa que os casos de síndrome respiratória aguda estão crescendo, que o Pronto-Socorro e a UPA recebem uma procura cada vez maior, e que depois faltam leitos. A lógica é simples e brutal: quem não se vacina corre o risco de que uma gripe comum evolua para algo muito mais grave. E quando isso acontece em massa, o sistema de saúde entra em colapso.

A estratégia da prefeitura é clara: ampliar a vacinação é uma das principais formas de aliviar essa pressão sobre a rede hospitalar durante o inverno. Não é apenas uma questão de números — é sobre evitar que pessoas acabem internadas, que leitos se esgotem, que o sistema entre em crise. Por isso, além de campanhas gerais, equipes da secretaria estão percorrendo instituições de longa permanência para idosos. Até agora, passaram por 67 das 74 instituições que existem no município. As restantes devem ser alcançadas nos próximos dias.

A vacinação contra a gripe segue aberta para toda a população a partir dos seis meses de idade. As doses estão disponíveis de segunda a sexta-feira em três locais: nas Unidades Básicas de Saúde, das oito da manhã às cinco da tarde; na Casa da Vacina, das sete e meia às cinco; e no Mercado Central, das nove às cinco. O mutirão de sábado mostrou que Pelotas consegue mobilizar recursos e aplicar doses em volume. A questão agora é se conseguirá convencer os grupos prioritários a aparecer antes que o inverno aprofunde a crise.

O índice de síndrome respiratória aguda está cada vez mais alto. Há uma procura grande no Pronto-Socorro e na UPA, e depois acaba faltando leito.
— Vera Neto, diretora de Vigilância em Saúde de Pelotas
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que 41% de cobertura é considerado baixo? Qual seria o número aceitável?

Model

A Secretaria de Saúde não especificou a meta exata, mas em campanhas de gripe, o ideal é alcançar pelo menos 80% dos grupos prioritários. Estamos falando de pessoas que, se pegarem gripe, têm muito mais risco de complicações graves. Quando a cobertura cai para 41%, significa que a maioria dos idosos, gestantes e crianças pequenas ainda está desprotegida.

Inventor

E por que o mutirão de sábado, com 3 mil doses, não foi suficiente para mudar esse quadro?

Model

Porque 3 mil doses em um dia é bom, mas Pelotas tem uma população muito maior. Além disso, nem todas essas doses foram contra a gripe — 500 foram de outras vacinas. E o mais importante: não sabemos quantas daquelas 2,6 mil doses de gripe foram para os grupos prioritários. Pode ser que muita gente do público geral tenha se vacinado, enquanto os idosos e gestantes continuam fora.

Inventor

A cidade decretou emergência em saúde pública. Isso é comum?

Model

Não é comum, não. Significa que os hospitais estão sob pressão real. A SRAG — a síndrome respiratória aguda grave — está aumentando, os prontos-socorros estão cheios, e faltam leitos. É um sinal de que o sistema está começando a falhar. A vacinação é a forma mais barata e rápida de evitar que isso piore.

Inventor

Por que as equipes estão indo até as instituições de idosos?

Model

Porque idosos são o grupo de maior risco e, muitas vezes, têm dificuldade de se deslocar até um posto de saúde. Se você espera que eles venham até você, muitos não vão aparecer. Então a prefeitura está levando a vacina até eles. É uma estratégia de alcance, não de espera.

Inventor

O que acontece se a cobertura não melhorar antes do inverno?

Model

O sistema de saúde fica sobrecarregado. Mais pessoas internadas, mais complicações, mais mortes entre os grupos vulneráveis. E uma crise hospitalar afeta todo mundo — não é só quem tem gripe que sofre, é quem precisa de leito para qualquer outra coisa e não consegue.

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