Mãe revela que enfermeira confessou pensamentos de machucar filhos um mês antes dos crimes

Três crianças foram mortas por sua mãe em 24 de janeiro de 2023 em Plymouth, Massachusetts, e a acusada tentou suicídio em seguida.
Ela nos disse que estava tendo pensamentos de machucar as crianças
A confissão que Paula Musgrove testemunhou ter ouvido de sua filha um mês antes dos crimes.
Mark

O que você acha que Paula Musgrove sentiu ao testemunhar sobre aquela confissão na cozinha?

Mimi

Provavelmente uma mistura de culpa e impotência. Ela ouviu a filha dizer que tinha pensamentos de machucar as crianças e, mesmo assim, um mês depois, aquilo aconteceu. Não há como se recuperar disso.

Mark

A defesa diz que o sistema de saúde mental falhou. Você acredita que isso muda algo no julgamento?

Mimi

Muda tudo e nada ao mesmo tempo. Muda porque explica como uma mulher que procurou ajuda, que se internou voluntariamente, caiu entre as rachaduras. Nada muda porque três crianças ainda estão mortas.

Mark

Os médicos disseram que nunca viram sinais de psicose. Como a defesa argumenta que ela sofria de psicose pós-parto?

Mimi

Porque psicose pós-parto é invisível até que não é. Ela falava sobre pensamentos suicidas repetidamente. Estava paranoia. Tinha medo de dormir sozinha. Os sinais estavam lá, mas ninguém conectou os pontos.

Mark

E aquela ligação que Patrick recebeu uma semana depois? Ela disse que ouviu uma voz?

Mimi

Sim. Uma voz dizendo que se não fizesse aquilo naquele momento, perderia a chance. Isso é psicose. Alucinações comandando ações. Mas como você prova isso em um tribunal quando a pessoa já cometeu o crime?

Mark

O que você acha que os jurados estão pensando?

Mimi

Estão vendo uma mulher que chorou quando viram as fotos das autópsias. Estão ouvindo a mãe descrever uma filha que piorava a cada semana. E estão tentando decidir se responsabilidade criminal significa a mesma coisa que doença mental.

  • Lindsay Clancy matou três filhos em 24 de janeiro de 2023 em Plymouth, Massachusetts
  • Em dezembro de 2022, ela confessou à mãe que tinha pensamentos de machucar as crianças
  • Defesa argumenta psicose pós-parto; promotoria sustenta que houve planejamento deliberado
  • Lindsay se internou voluntariamente em hospital psiquiátrico mas recebeu alta após um dia

A mãe testemunhou que Lindsay relatou pensamentos perturbadores sobre machucar as crianças em dezembro de 2022, além de paranoia crescente e medo de dormir sozinha. Promotoria apresenta evidências de que Lindsay planejou os assassinatos e afastou o marido de casa, enquanto defesa sustenta que ela não era criminalmente responsável devido à psicose pós-parto.

Durante julgamento nos EUA, mãe de Lindsay Clancy revelou que filha confessou ter pensamentos de machucar os filhos um mês antes de matá-los em janeiro de 2023. Defesa argumenta que ela sofria de psicose pós-parto.

Paula Musgrove sentou-se no banco das testemunhas em Plymouth, Massachusetts, e contou aos jurados algo que sua filha havia confessado meses antes de tudo desabar. Em dezembro de 2022, Lindsay Clancy, enfermeira de parto e pós-parto, procurou a mãe e o marido na cozinha com algo urgente para dizer. Estava tendo pensamentos de machucar as crianças. Aquela confissão, feita cerca de um mês antes de Lindsay matar os três filhos em 24 de janeiro de 2023, agora ocupava o centro do julgamento por homicídio que se desenrolava naquela segunda-feira de agosto.

O quadro que Paula descreveu aos jurados era o de uma mulher em deterioração mental acelerada. Começou em outubro de 2022, quando Lindsay começou a relatar que algo estava errado. A mãe, que vivia em Connecticut, passava períodos em Massachusetts com a filha durante aqueles meses críticos. Em uma mensagem que Paula apresentou ao tribunal, Lindsay escreveu pedindo que a mãe viesse ficar com ela. "Eu estou muito doente. Alguma coisa está errada", dizia o texto. Ela descrevia insônia severa, medicamentos para ansiedade que pareciam piorar as coisas, e um medo paralisante de ficar sozinha. Além dos pensamentos sobre machucar os filhos, Paula testemunhou que Lindsay estava cada vez mais paranoica, acreditava que os medicamentos estavam destruindo sua mente e tinha medo de dormir sozinha.

A promotoria construiu seu caso argumentando que Lindsay planejou deliberadamente os assassinatos. Ela pediu ao marido, Patrick Clancy, que saísse de casa para buscar comida e ir a uma farmácia, criando a oportunidade. Quando Patrick voltou, encontrou os três filhos mortos. Uma gravação de sete minutos da chamada que ele fez para o 911, reproduzida durante o julgamento, capturou o horror bruto do momento: ele gritando, chorando, dizendo ao atendente que ela havia matado as crianças. Semana depois, Lindsay ligou para Patrick. Não mencionou os filhos, mas contou que havia ouvido a voz de um homem dizendo que se não fizesse aquilo naquele momento, perderia a chance.

A defesa não contestava os fatos básicos. Lindsay havia matado os filhos. Mas argumentava que ela não era criminalmente responsável porque sofria de psicose pós-parto, uma doença mental rara ligada ao estresse, privação de sono e alterações hormonais após o parto. Também apontava que ela tinha transtorno bipolar e que antidepressivos prescritos após o nascimento do terceiro filho pioraram significativamente seu estado. O advogado Kevin Reddington apresentou evidências de que Lindsay havia buscado ajuda. Ela se internou voluntariamente em uma unidade psiquiátrica. Mas o sistema de saúde mental falhou em múltiplos pontos. Recebeu alta após um dia. Em outra ocasião, não conseguiu acesso a um nível mais alto de cuidado porque não havia demonstrado um plano específico de suicídio. Os médicos que a atenderam não conversavam entre si, não compartilhavam informações sobre seu tratamento, e ela nem sempre tomava os medicamentos prescritos para insônia, ansiedade e depressão, temendo vício.

Os médicos que a trataram afirmaram nunca ter visto sinais claros de mania ou psicose, embora relatassem que ela falava repetidamente sobre pensamentos suicidas. A promotoria questionou a gravidade de sua intenção suicida apresentando mensagens e fotos que mostravam Lindsay realizando atividades aparentemente normais no dia dos crimes: levando os filhos ao médico, brincando com eles na neve. Lindsay não prestou depoimento e não era obrigada a fazê-lo. Os jurados, porém, a viram chorar em vários momentos do julgamento, inclusive quando a promotoria apresentou fotos das autópsias das crianças. O julgamento, que entrava em sua quarta semana com os depoimentos de Paula e da irmã de Lindsay, revelava não apenas o que aconteceu naquele dia de janeiro, mas as fraturas no sistema que deveria tê-la protegido e protegido seus filhos.

Eu estou muito doente. Alguma coisa está errada. Tive uma insônia horrível a noite toda e não sei como vou passar pelo dia.
— Lindsay Clancy, em mensagem à mãe em dezembro de 2022
Ela nos disse que estava tendo pensamentos de machucar as crianças
— Paula Musgrove, mãe de Lindsay, durante depoimento no julgamento
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