Mãe que se acorrentou em hospital consegue transferência de filho para cirurgia em SP

Criança de 5 anos com malformação cardíaca congênita (um ventrículo funcional) não anda, não fala e apresenta dificuldades respiratórias, dependendo de alimentação por sonda.
Dois anos de luta, e só depois que se acorrentou é que as coisas aconteceram
A mãe de Kauan reflete sobre o tempo que levou para conseguir a transferência do filho para cirurgia em São Paulo.
Mark

Por que levou dois anos para conseguir essa transferência se a Justiça já tinha determinado em julho de 2025?

Mimi

Porque determinar e cumprir são coisas diferentes. A decisão saiu, mas o Estado não executou. Laise seguiu os canais formais, esperou, e nada acontecia. Kauan continuava internado, piorando.

Luke

Mas há uma questão médica aqui que não fica clara. A Secretaria de Saúde disse que a cirurgia de Fontan seria contraindicada para Kauan. Depois, quando a mãe se acorrentou, a equipe médica do HGP emitiu um relatório dizendo que era urgente. Qual é a verdade?

Mimi

Essa é a tensão real. Os médicos de Araguaína tinham uma avaliação. Os médicos de Palmas tinham outra. E o hospital em São Paulo, onde Kauan já havia feito duas cirurgias, tinha uma terceira opinião.

Mark

Então o protesto funcionou porque forçou uma reavaliação?

Mimi

Ou porque deixou claro que a situação era insustentável. Quando você se acorrenta a um portão de hospital, você está dizendo que o sistema falhou. E às vezes isso é o que faz as pessoas agirem.

Luke

Mas precisamos ser precisos: o relatório urgente saiu depois do protesto, não antes. Não sabemos se a avaliação médica mudou ou se a prioridade administrativa mudou.

Mark

E agora? Kauan vai fazer a cirurgia?

Mimi

Sim. Ele foi transferido em UTI aérea na noite de 25 de setembro. Sua mãe o acompanha. A cirurgia de Fontan é a terceira dele — deve ser a que encerra o tratamento.

Luke

Se tudo correr bem. Mas sim, ele está a caminho.

  • Kauan aguardava há dois anos por uma cirurgia cardíaca complexa — a Fontan — enquanto seu corpo se deteriorava: sem andar, sem falar, respirando com dificuldade e dependendo de sonda para se alimentar.
  • A Justiça havia ordenado a transferência em julho de 2025, bloqueado os recursos necessários e determinado o custeio da estadia, mas o Estado simplesmente não cumpriu a decisão por mais de um ano.
  • No limite do suportável, Laise se acorrentou ao portão do Hospital Geral de Palmas e marchou ainda acorrentada até o Ministério Público — um gesto que transformou o silêncio burocrático em urgência médica.
  • Dias após o protesto, a equipe do HGP emitiu relatório reconhecendo a necessidade urgente de transferência, e o Estado finalmente liberou o processo que havia paralisado por meses.
  • Na noite de 25 de setembro, mãe e filho embarcaram juntos em UTI aérea rumo a São José do Rio Preto — a terceira cirurgia cardíaca de Kauan, e a que pode encerrar anos de tratamento, agora está ao alcance.

Há histórias em que o amor materno se converte em ato político — e este é um deles. Kauan, cinco anos, nasceu com um coração que nunca funcionou como deveria, e sua mãe, Laise, passou dois anos navegando entre decisões judiciais ignoradas e promessas estatais não cumpridas. Foi somente quando ela se acorrentou ao portão de um hospital em Palmas, em 9 de setembro, que o sistema se moveu: na noite de 25 de setembro, Kauan foi transferido em UTI aérea para São José do Rio Preto, onde a cirurgia que pode transformar sua vida finalmente o aguarda.

Kauan nasceu com apenas um ventrículo funcional — uma malformação congênita que o impede de andar, falar e respirar sem esforço, e que o mantém dependente de sonda para se alimentar. Desde o início da vida, ele precisava de uma sequência de cirurgias cardíacas, e a última delas, a cirurgia de Fontan, representava o encerramento de um tratamento que começou no nascimento. Sua mãe, Laise Sousa Carvalho, de Paraíso do Tocantins, sabia disso. E lutava por isso há dois anos.

Em setembro de 2024, Laise pediu formalmente o tratamento fora de domicílio. A Justiça respondeu em julho de 2025 com uma ordem clara: o Estado deveria transferir Kauan para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, em São Paulo, via UTI aérea. Os recursos foram bloqueados. A estadia seria custeada. Mas os meses passaram, Kauan continuou internado no Hospital Geral de Palmas, e nada aconteceu.

Na manhã de 9 de setembro deste ano, Laise se acorrentou ao portão do hospital. Não era impulsividade — era o ponto de ruptura de dois anos de promessas não cumpridas. Ainda acorrentada, ela se deslocou até o Ministério Público, que a recebeu e ouviu suas equipes. A Defensoria Pública já havia ajuizado a ação. Havia, porém, uma complicação: a Secretaria Estadual de Saúde alegava que a cirurgia seria contraindicada, dado o comprometimento vascular e a fragilidade clínica do menino.

O protesto mudou o curso. Após o ato de Laise, a equipe médica do HGP emitiu relatório reconhecendo a urgência da transferência. Em 12 de setembro, o Estado informou que a transferência estava liberada, aguardando apenas o aceite do hospital paulista — onde Kauan já havia passado por duas cirurgias anteriores. Na noite de 25 de setembro, ele foi transferido em UTI aérea, com a mãe ao lado. 'Tem dois anos que eu já vinha lutando, e agora, graças a Deus, depois de muita batalha, deu certo', disse Laise. O que a Justiça ordenou, o Estado ignorou — até que uma mãe decidiu que não esperaria mais.

Kauan tinha cinco anos quando sua mãe se acorrentou ao portão do Hospital Geral de Palmas. O menino esperava há dois anos por uma cirurgia de coração — a cirurgia de Fontan, um procedimento complexo que marcaria o fim de um tratamento iniciado desde o nascimento. Ele nasceu com uma malformação congênita grave: apenas um ventrículo funcional, o que significa que seu coração não funciona como deveria. Desde muito pequeno, precisava de sonda para se alimentar. Não andava, não falava, respirava com dificuldade. Sua mãe, Laise Sousa Carvalho, era de Paraíso do Tocantins e havia passado dois anos lutando pelo acesso ao procedimento que poderia mudar a vida do filho.

Em setembro de 2024, Laise pediu formalmente o tratamento fora de domicílio. A Justiça respondeu em julho de 2025 com uma decisão clara: o Estado deveria transferir Kauan para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, em São Paulo, via UTI aérea, com direito a um acompanhante e custeio da estadia. Um ano se passou. A Justiça bloqueou o valor necessário para a cirurgia. Mas nada acontecia. Kauan continuava internado no HGP, esperando.

Na manhã de 9 de setembro deste ano, Laise se acorrentou ao portão do hospital. Não era um gesto impulsivo — era o ponto final de dois anos de promessas não cumpridas. No mesmo dia, ela se moveu para a frente do Ministério Público, ainda acorrentada, pedindo a transferência do filho. O Ministério Público a recebeu, ouviu suas equipes de Assistência Social e Atendimento ao Cidadão. A Defensoria Pública já havia ajuizado a ação pela assistência à saúde de Kauan. Mas havia uma complicação: a Secretaria Estadual de Saúde havia informado que a cirurgia de Fontan seria contraindicada para o menino. Os médicos do Hospital Municipal de Araguaína apontavam que Kauan tinha comprometimento dos acessos vasculares e fragilidade clínica demais para o procedimento.

O protesto de uma mãe desesperada mudou o curso das coisas. Após Laise se acorrentar, a equipe médica do HGP emitiu um relatório indicando a necessidade urgente de transferência do paciente. A gravidade e a complexidade do quadro não permitiam mais espera. No sábado 12 de setembro, o Estado informou que a transferência estava liberada, aguardando apenas o aceite da unidade de destino em São Paulo. Kauan já havia passado por duas cirurgias cardíacas no hospital paulista. Esta seria a terceira — a que encerraria o tratamento.

Na noite de 25 de setembro, Kauan foi transferido em UTI aérea para São José do Rio Preto. Sua mãe o acompanhava. "Tem dois anos que eu já vinha lutando, dois anos que saiu a decisão e o Estado não cumpriu. E agora, graças à Deus, depois de muita luta, muita batalha, deu certo", disse Laise. O menino de cinco anos que não andava, não falava e respirava com dificuldade finalmente estava a caminho da cirurgia que poderia transformar sua vida. A transferência que deveria ter acontecido há meses, que a Justiça havia ordenado, que as promessas do Estado não haviam entregue — aconteceu quando uma mãe decidiu que não esperaria mais.

Tem dois anos que eu já vinha lutando, dois anos que saiu a decisão e o Estado não cumpriu. E agora, graças à Deus, depois de muita luta, muita batalha, deu certo
— Laise Sousa Carvalho, mãe de Kauan
Quer a matéria completa? Leia o original em g1.globo.com ↗
Fale Conosco FAQ