Mãe denuncia negligência após morte de bebê prematuro no Acre

Morte de bebê prematuro aos 24 dias de vida após internação em UTI neonatal; mãe relata negligência médica e falta de explicações sobre as circunstâncias do óbito.
Eu quero respostas. É uma dor que não passa.
Mayra Silva Chaves, mãe de Lucas Gabriel, dois meses após a morte do filho na UTI neonatal.
Mark

Por que esse caso importa agora, dois meses depois? O que mudou?

Mimi

Nada mudou para Mayra. Ela ainda está esperando respostas. O que importa é que a investigação está acontecendo — Polícia Civil, Ministério Público — mas ela não sabe em que estágio está, não recebeu explicações sobre os machucados, sobre o dedo que faltava.

Luke

Espera. A Secretaria de Saúde diz que não há registro formal de manifestação na ouvidoria. Mayra registrou um boletim de ocorrência, mas não formalizou na ouvidoria da maternidade?

Mimi

Exatamente. Ela foi à polícia, mas a secretaria diz que precisa de uma formalização na ouvidoria para abrir o processo de revisão de óbitos. É um procedimento.

Mark

E a causa da morte? Sepse está confirmada ou é o que a maternidade informou?

Mimi

A certidão de óbito diz sepse. Mas Mayra questiona isso porque os médicos disseram que o tratamento com antibióticos tinha terminado, que ele estava bem. E depois ela viu os hematomas.

Luke

Aqui está o problema: não sabemos o que a autópsia mostrou, se houve autópsia, o que os registros clínicos dizem sobre aquele coágulo que apareceu na ultrassonografia craniana. Temos a versão de Mayra e a versão da secretaria, que diz que vai investigar.

Mimi

Verdade. Mas o silêncio também é um fato. Ninguém explicou nada a ela em dois meses.

Mark

E o CPAP? Pode realmente machucar a cabeça de um bebê?

Mimi

Mayra acredita que sim. Ela alertou os médicos. Eles fizeram uma ultrassonografia e encontraram um coágulo, mas disseram que era normal. Depois medicaram o bebê para que parasse de arrancar o aparelho.

Luke

Mas não sabemos se o coágulo estava relacionado ao CPAP ou se era algo anterior. Não sabemos se a medicação foi apropriada ou não. Isso é o que a investigação precisa esclarecer.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Mayra precisa formalizar na ouvidoria. A Polícia Civil continua investigando. O Ministério Público vai decidir se há responsabilidade criminal ou civil depois que o inquérito terminar.

Luke

E quanto tempo isso leva? Porque dois meses já é muito tempo para uma mãe esperando respostas.

  • Lucas Gabriel Chaves Santiago morreu em 12 de maio aos 24 dias de vida, após 24 dias internado na UTI neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora em Rio Branco
  • Nasceu prematuro em 18 de abril com 32 semanas de gestação; mãe desenvolveu pré-eclâmpsia durante a gravidez
  • Causa oficial de morte registrada como sepse; mãe relata hematomas na cabeça e dedo faltando
  • Caso está sob investigação da Polícia Civil; Ministério Público acompanha como fiscal da lei
  • Mayra alertou médicos sobre possível lesão causada pelo CPAP dias antes da morte; ultrassonografia craniana mostrou pequeno coágulo de sangue

Lucas Gabriel morreu em 12 de maio após 24 dias internado na UTI neonatal, com causa oficial de sepse, mas mãe relata sinais de negligência e lesões na cabeça. Mayra Silva Chaves afirma que alertou médicos sobre dor do filho e possível lesão causada pelo CPAP, mas foi informada que estava tudo bem horas antes da morte.

Mãe acusa Maternidade Bárbara Heliodora de negligência após morte do filho prematuro aos 24 dias. Caso está sob investigação da Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público.

Mayra Silva Chaves recebeu uma ligação às quatro da manhã do dia 12 de maio. Seu filho Lucas Gabriel, internado há 24 dias na UTI neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora em Rio Branco, havia piorado gravemente. Quando ela chegou à unidade uma hora depois, o menino já estava no necrotério, enrolado em um cobertor. Horas antes, a equipe médica havia lhe dito que tudo corria bem, que ele ganhava peso, mamava com força e em quatro dias estaria pronto para o método canguru. Agora, aos 24 dias de vida, Lucas Gabriel estava morto. A causa registrada na certidão: sepse, uma infecção generalizada.

Mas quando Mayra retirou a touca que cobria a cabeça do filho, viu algo que a equipe médica nunca havia mencionado. A cabeça de Lucas apresentava hematomas visíveis. Ela também notou que faltava a ponta de um dos dedos do bebê. Ninguém, até hoje, explicou por quê.

Lucas nasceu prematuro em 18 de abril, com 32 semanas de gestação, após Mayra desenvolver pré-eclâmpsia durante a gravidez. A gestação era considerada de alto risco por conta da idade da mãe e da hipertensão que surgiu durante os nove meses. Dois dias após o nascimento, o bebê sofreu uma parada cardiorrespiratória após receber fórmula e precisou ser entubado. Permaneceu entubado por cerca de duas semanas. Depois, passou a respirar com auxílio do CPAP, um aparelho que auxilia a respiração de recém-nascidos prematuros.

Nos dias anteriores à morte, Mayra começou a notar mudanças no comportamento do filho. Lucas chorava muito, levava a mão à cabeça, puxava os cabelos e arrancava o CPAP. No dia 9 de maio, ela procurou um dos médicos responsáveis pela UTI para relatar que acreditava que o equipamento estava machucando a cabeça do menino. A resposta foi que verificariam e conversariam com a equipe de enfermagem. No dia seguinte, uma ultrassonografia craniana foi realizada. Os profissionais informaram que havia um pequeno coágulo de sangue e manchinhas na cabeça, mas disseram que isso era normal em crianças prematuras. Após o exame, colocaram uma touca sob o CPAP e começaram a medicar o bebê para mantê-lo mais calmo, alegando que ele arrancava muito o aparelho.

No dia 11 de maio, Mayra esteve com o filho pela última vez. Fez o método canguru com Lucas e recebeu informações tranquilizadoras. A médica disse que ela podia ir para casa tranquila, que o menino estava bem, ganhando peso, mamando corretamente. Como familiares não podem permanecer na UTI durante a noite e ela precisava retornar ao local onde estava hospedada em Senador Guiomard, no interior do estado, decidiu sair da maternidade. Horas depois, recebeu a ligação.

Após a morte, Mayra registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. Cerca de uma semana depois, servidores do Centro de Atendimento à Vítima, vinculado ao Ministério Público do Acre, foram até sua casa para colher depoimento, documentos e materiais relacionados ao caso. Ela foi informada de que as informações seriam encaminhadas à 2ª Promotoria Especializada de Defesa da Saúde. Posteriormente, quando entrou em contato com a promotoria, foi informada de que ainda não havia número de processo judicial porque o caso estava em fase de investigação preliminar.

O Ministério Público do Acre confirmou que as circunstâncias da morte estão sendo investigadas pela Polícia Civil por meio de inquérito policial. O órgão afirmou que acompanha o procedimento como fiscal da lei e que, após a conclusão das investigações, adotará as medidas cabíveis em relação aos possíveis responsáveis. A Secretaria de Saúde do Acre informou que não há registro de manifestação formal sobre o caso na ouvidoria da maternidade, nem notificação do Ministério Público relacionada aos fatos relatados pela mãe. A secretaria afirmou que fará contato com Mayra para convidá-la a formalizar sua manifestação na ouvidoria, a partir do qual será instaurado procedimento de investigação.

Mayra espera por esclarecimentos há dois meses. Ela quer saber por que a cabeça de seu filho estava machucada, por que faltava a ponta de um dedo, por que foi informada que tudo estava bem horas antes da morte. "Eu sei que meu filho não volta mais, mas eu quero respostas. Quero que investiguem o que aconteceu para que outras mães não passem pela dor que eu estou passando", disse. A investigação segue em andamento.

Como disseram que o meu filho morreu de infecção generalizada se segundo os médicos ele já tinha terminado o tratamento e estava bem?
— Mayra Silva Chaves, mãe de Lucas Gabriel
A médica disse que eu podia ir para casa tranquila, porque meu filho estava bem, ganhando peso, mamando direitinho e que, em quatro dias, iria para o canguru
— Mayra Silva Chaves, sobre a última conversa com a equipe médica antes da morte do filho
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