Em Belo Horizonte, uma mãe sentou-se diante de um júri para responder pela morte do próprio filho de 1 ano e 8 meses — um crime que remonta a janeiro de 2014 e que a investigação atribuiu não ao ódio, mas à frustração: a insatisfação com um ex-marido que não pagava pensão teria se voltado, de forma devastadora, contra a criança mais vulnerável da história. O julgamento de Dayse Amâncio dos Reis no Fórum Lafayette, em maio de 2022, convocou a sociedade a contemplar como o desamparo econômico e a violência doméstica podem convergir nas vidas mais frágeis.
Mãe acusada de matar filho de 1 ano é julgada em Belo Horizonte
Negou as agressões, depois entrava em contradições
Por que esse julgamento acontece oito anos depois do crime?
Os processos criminais no Brasil, especialmente os que envolvem júri, podem levar muito tempo. Há investigações, denúncias, recursos. Oito anos não é incomum.
Mas a gente não sabe exatamente por que demorou tanto. A reportagem não explica os atrasos processuais específicos.
O que levou a mãe a fazer isso? A falta de pensão alimentícia é razão suficiente?
A polícia investigou e concluiu que havia uma conexão entre a frustração dela com o ex-marido e o ato contra a criança. Mas a gente não tem acesso aos detalhes psicológicos ou às circunstâncias exatas daquele dia.
Exatamente. A reportagem diz que a polícia "apurou" isso, mas não fica claro como chegaram a essa conclusão. Há confissão? Há evidências circunstanciais? Não sabemos.
E as contradições dela — negou, depois disse que engasgou, depois falou em reanimação. Isso é evidência de culpa?
Para um júri, sim, pode ser muito significativo. Quando alguém muda de história, levanta suspeitas. O delegado até descreveu ela como tendo personalidade fria.
Mas a gente precisa ser cuidadoso. Uma pessoa em choque pode dizer coisas contraditórias. Não sabemos se ela tinha advogado, se foi orientada, se estava sob pressão psicológica no interrogatório.
O júri vai decidir se ela é culpada ou não?
Sim. Sete pessoas comuns vão avaliar toda a prova e decidir. É assim que funciona no Brasil para crimes graves.
E a reportagem não nos diz qual é a pena máxima, qual é a acusação formal exata, ou se há qualquer evidência forense descrita. Sabemos que a criança teve lesões abdominais, mas não sabemos como a polícia determinou que foram causadas por agressão e não por outra coisa.
The Pulse
- Uma criança de menos de dois anos morreu após ser agredida na região abdominal enquanto dormia — a violência foi descrita nos autos como extrema e deliberada.
- A investigação revelou um motivo perturbador: a mãe teria descarregado no filho a raiva acumulada pelo não pagamento de pensão alimentícia pelo ex-marido.
- As contradições de Dayse — que ora falou em engasgo, ora em tentativa de reanimação — fragilizaram qualquer linha de defesa coerente desde o início.
- O delegado responsável pelo caso descreveu a acusada como fria e seca, sugerindo uma desconexão emocional que pesou sobre a percepção pública do crime.
- Em 2022, oito anos após a morte de Nathan, júri composto por sete pessoas ouvia testemunhas e avaliava provas para decidir o destino legal da acusada.
Em Belo Horizonte, uma mãe sentou-se diante de um júri para responder pela morte do próprio filho de 1 ano e 8 meses — um crime que remonta a janeiro de 2014 e que a investigação atribuiu não ao ódio, mas à frustração: a insatisfação com um ex-marido que não pagava pensão teria se voltado, de forma devastadora, contra a criança mais vulnerável da história. O julgamento de Dayse Amâncio dos Reis no Fórum Lafayette, em maio de 2022, convocou a sociedade a contemplar como o desamparo econômico e a violência doméstica podem convergir nas vidas mais frágeis.
Na manhã de 2 de maio de 2022, Dayse Amâncio dos Reis sentou-se perante um júri de sete pessoas no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, para responder pela morte de seu filho Nathan Henrique, ocorrida em janeiro de 2014 no bairro Parque São João. O menino tinha 1 ano e 8 meses quando morreu após ser agredido na região abdominal enquanto dormia, sofrendo múltiplas lesões internas.
As investigações policiais apontaram um motivo que chocou pela frieza: Dayse teria agredido o filho motivada pela insatisfação com o ex-marido, pai da criança, que se recusava a pagar pensão alimentícia. A frustração financeira teria se convertido em violência contra quem menos poderia se defender.
Desde os primeiros momentos após o crime, a acusada apresentou versões contraditórias. Negou as agressões, depois sugeriu que Nathan havia engasgado, e em seguida insinuou que os ferimentos poderiam ter ocorrido durante uma tentativa de reanimação. Nenhuma das explicações resistiu ao escrutínio. O delegado Alexandre Oliveira Fonseca, que conduziu as investigações, descreveu a personalidade de Dayse como fria e seca — uma caracterização que acompanhou o caso ao longo dos anos.
O julgamento seguia seu curso com depoimentos de testemunhas e apresentação de provas, enquanto a acusação do Ministério Público de Minas Gerais buscava estabelecer a culpabilidade. Oito anos depois da morte de Nathan, o processo legal chegava ao momento em que sete cidadãos teriam de decidir o que a Justiça reconheceria como verdade.
Dayse Amâncio dos Reis estava diante de um júri em Belo Horizonte na segunda-feira, 2 de maio de 2022, respondendo pela morte de seu filho Nathan Henrique Amâncio de Oliveira. A criança tinha 1 ano e 8 meses quando morreu em janeiro de 2014, no bairro Parque São João. Os autos descrevem o que aconteceu naquela noite como um crime de violência extrema: o menino foi agredido na região abdominal enquanto dormia, sofrendo múltiplas lesões que resultaram em sua morte.
O julgamento ocorria no Fórum Lafayette, na região Centro-Sul da capital mineira. Um júri composto por quatro homens e três mulheres ouvia testemunhas e as respostas da acusada aos questionamentos. A acusação, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais, havia sido iniciada pelo promotor às 11h30 daquela manhã. O processo se desenrolava em ritmo deliberado, com pausas para almoço e retomadas conforme o andamento das apresentações.
Segundo as investigações da polícia, o móvel do crime estava ligado a questões financeiras. Dayse teria agredido o filho motivada pela insatisfação com o ex-marido, pai da criança, que não pagava pensão alimentícia. A investigação apontava para uma conexão entre a frustração materna e o ato violento contra o menino indefeso.
O que complicava a defesa era o padrão de contradições que Dayse havia apresentado desde o momento do crime. Na época dos fatos, ela negou ter agredido Nathan. Mas suas explicações alternativas não se sustentavam uma à outra. Em um momento, disse que o filho tinha engasgado. Em outro, sugeriu que ele poderia ter se machucado enquanto ela tentava reanimá-lo. O delegado Alexandre Oliveira Fonseca, responsável pelas investigações, havia caracterizado a personalidade da suspeita como fria e seca — uma observação que sugeria uma desconexão emocional diante dos fatos.
O julgamento prosseguia com a apresentação de provas e depoimentos. Testemunhas compareciam perante o júri para relatar o que sabiam sobre os eventos daquela noite de janeiro de 2014. Dayse continuava à disposição dos jurados, respondendo às perguntas que lhe faziam. O processo seguia seu curso legal, com a acusação buscando estabelecer a culpabilidade e a defesa trabalhando com as contradições e as interpretações dos fatos.
Notable Quotes
Delegado descreveu a personalidade da suspeita como fria e seca— Delegado Alexandre Oliveira Fonseca, responsável pelas investigações