De uma cela em Brooklyn, Nicolás Maduro fez circular as primeiras fotografias públicas desde a sua detenção em janeiro, escolhendo a imagem de um homem sereno — de fato cinzento, sinal de paz nas mãos — para comunicar ao mundo que ainda existe. A captura do ex-presidente venezuelano por forças norte-americanas, as acusações que nega, e o julgamento marcado para 2027 compõem um dos episódios mais invulgares da relação entre Washington e Caracas em décadas. Enquanto isso, a Venezuela que ele deixou para trás negocia petróleo com a mesma potência que o mantém preso.
Maduro divulga fotos inéditas da prisão em Brooklyn e afirma estar firme
Estamos firmes, com o coração cheio do vosso amor
Porque é que Maduro publicou estas fotografias agora, passados sete meses de detenção?
Parece ser um gesto de comunicação com a família e apoiantes. Ele não tem acesso a jornais ou Internet, portanto as fotos são uma forma de mostrar que está vivo e bem, apesar das circunstâncias.
Mas temos de ser claros: não sabemos se foi ele próprio que as enviou ou se alguém no exterior as publicou em seu nome. A fonte diz que tem permissão para telefonar, mas não especifica se pode enviar imagens.
A perda de peso é significativa?
Visualmente, sim — é notória nas imagens. Mas não temos declarações médicas sobre a sua saúde, portanto não podemos especular sobre as causas.
Exatamente. Pode ser stress, pode ser a alimentação da prisão, pode ser uma escolha deliberada. As fotos mostram um facto visual, mas o significado por trás disso permanece interpretação.
E quanto ao timing — porque é que as fotos foram tiradas a 25 de junho, um dia depois dos sismos?
Não há explicação clara para isso. Pode ter sido coincidência, ou pode ter sido intencional — talvez para mostrar que ele estava a pensar na Venezuela durante a tragédia.
Ou pode ter sido simplesmente o dia em que alguém o fotografou. Não temos informação suficiente para atribuir significado ao timing específico.
Delcy Rodríguez está a fazer um acordo com os Estados Unidos enquanto Maduro está preso. Isso não é uma traição?
Depende da perspectiva. Rodríguez diz que está a escolher a diplomacia e a tentar transformar a Venezuela numa potência energética. Mas é verdade que está a negociar com o país que prendeu o seu antecessor.
O que sabemos é que ela governa sob pressão de Washington. O que não sabemos é se este acordo foi uma condição para a sua própria liberdade ou se foi uma decisão estratégica independente.
Le Pouls
- Maduro publicou fotografias tiradas a 25 de junho, as primeiras desde a sua detenção, revelando uma perda de peso visível e um gesto deliberado de serenidade pública.
- O ex-presidente e a sua mulher Cilia Flores permanecem em prisão preventiva em Nova Iorque, acusados de tráfico de droga e porte ilegal de armas — acusações que ambos rejeitam categoricamente.
- O acesso ao mundo exterior é drasticamente restringido: sem internet, sem jornais, apenas cerca de 300 minutos mensais de chamadas telefónicas com família e advogados.
- A mensagem enviada pelo Telegram apela à resistência e à fé, mas chega dois dias depois de a sua sucessora, Delcy Rodríguez, ter fechado um acordo petrolífero com os Estados Unidos.
- O julgamento está agendado para 1 de junho de 2027, e o contraste entre a retórica de resistência de Maduro e a diplomacia pragmática de Rodríguez define a Venezuela deste momento.
De uma cela em Brooklyn, Nicolás Maduro fez circular as primeiras fotografias públicas desde a sua detenção em janeiro, escolhendo a imagem de um homem sereno — de fato cinzento, sinal de paz nas mãos — para comunicar ao mundo que ainda existe. A captura do ex-presidente venezuelano por forças norte-americanas, as acusações que nega, e o julgamento marcado para 2027 compõem um dos episódios mais invulgares da relação entre Washington e Caracas em décadas. Enquanto isso, a Venezuela que ele deixou para trás negocia petróleo com a mesma potência que o mantém preso.
Nicolás Maduro divulgou no domingo fotografias tiradas há dois meses na prisão preventiva onde cumpre detenção em Brooklyn. São as primeiras imagens públicas desde que foi capturado em Caracas, a 3 de janeiro, numa operação militar norte-americana. Aparecem num fato de treino cinzento, com o sinal de paz nas mãos — e quem o conhece nota que perdeu bastante peso.
A mensagem que acompanhava as fotos foi enviada pelo Telegram, o único canal de comunicação que lhe está disponível. "Envio estas fotografias como um pequeno presente para todos os meus netos e para todas as pessoas boas que nos amam", escreveu. "Quero que saibam que estamos firmes, com o coração cheio do vosso amor." As imagens foram tiradas a 25 de junho, um dia após dois sismos devastadores terem matado mais de 6.500 pessoas no Norte da Venezuela.
A vida dentro da prisão é de isolamento controlado: sem internet, sem jornais, com cerca de 300 minutos mensais de chamadas telefónicas divididas em blocos de 15 minutos. O filho Nicolás Maduro Guerra garante que o pai está bem e ocupa o tempo a estudar a Bíblia. Cilia Flores, detida nas mesmas circunstâncias, aguarda igualmente julgamento.
O contraste com o exterior é agudo. Dois dias antes da publicação das fotografias, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou um acordo que permite aos Estados Unidos operar campos petrolíferos venezuelanos — negociando com a mesma potência que mantém Maduro preso. Ele termina a sua mensagem com palavras de fé: "Deus está connosco. A Venezuela reerguerá." O julgamento está marcado para 1 de junho de 2027.
Nicolás Maduro divulgou no domingo fotografias tiradas há dois meses atrás, enquanto cumpre prisão preventiva numa cela de Brooklyn. As imagens, as primeiras que circulam publicamente desde a sua detenção em janeiro, mostram o ex-presidente venezuelano vestido num fato de treino cinzento, fazendo o sinal de paz com ambas as mãos. Quem o conhece há anos nota a mudança no seu corpo — perdeu bastante peso desde que foi capturado.
Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram detidos em Caracas no dia 3 de janeiro durante uma operação militar norte-americana. Ambos aguardam julgamento numa prisão de Nova Iorque, acusados de tráfico de droga e porte ilegal de armas — acusações que negam categoricamente. O casal permanece em prisão preventiva enquanto o sistema judicial avança no processo.
A mensagem que acompanhava as fotografias foi enviada através do Telegram, a aplicação de mensagens que Maduro consegue usar apesar do confinamento. "Envio estas fotografias como um pequeno presente para todos os meus netos, para os rapazes e raparigas, e para todas as pessoas boas que nos amam", escreveu. "Quero que saibam que estamos firmes, com o coração cheio do vosso amor." As imagens foram capturadas a 25 de junho, um dia depois de dois sismos devastadores terem matado mais de 6.500 pessoas no Norte da Venezuela e causado destruição generalizada em várias cidades.
O acesso de Maduro ao mundo exterior é severamente limitado. Não tem jornais, não tem Internet, não pode navegar livremente pela informação. O que tem é permissão para falar por telefone com a sua família e com os seus advogados — aproximadamente 300 minutos por mês, divididos em chamadas de no máximo 15 minutos cada uma, segundo fontes próximas do ex-líder. O seu filho, Nicolás Maduro Guerra, afirma que o pai está bem e passa o tempo a estudar a Bíblia.
A mensagem de Maduro terminou com uma declaração de fé e esperança: "Permaneceremos fortes, calmos e confiantes: Deus está connosco. Deus proverá. A Venezuela reerguerá." Estas palavras chegaram dois dias depois de a sua sucessora, a presidente interina Delcy Rodríguez, ter anunciado um acordo petrolífero que permite aos Estados Unidos operar campos petrolíferos na Venezuela. Rodríguez governa sob intensa pressão de Washington e justifica o acordo dizendo que escolheu "o caminho da diplomacia" porque deseja transformar a Venezuela numa "potência energética".
O contraste é notório: enquanto Maduro escreve mensagens de resistência de uma cela em Brooklyn, a mulher que o substituiu está a negociar com a mesma potência que o prendeu. O julgamento de Maduro e de Cilia Flores nos Estados Unidos está marcado para começar a 1 de junho de 2027, segundo anúncio de um tribunal federal de Nova Iorque no final de julho. Até lá, o casal permanecerá em prisão preventiva, com comunicações limitadas e o tempo a passar lentamente.
Citations marquantes
Envio estas fotografias como um pequeno presente para todos os meus netos, para os rapazes e raparigas, e para todas as pessoas boas que nos amam— Nicolás Maduro, em mensagem pelo Telegram
Permaneceremos fortes, calmos e confiantes: Deus está connosco. Deus proverá. A Venezuela reerguerá— Nicolás Maduro, em mensagem pelo Telegram