Lulinha admite a interlocutores que Careca do INSS pagou viagem a Portugal

Viajou para ver uma fábrica, mas nega ter recebido qualquer outro pagamento
Lulinha admite que Antunes pagou sua viagem a Portugal, mas sustenta que não houve negócio fechado nem valores adicionais recebidos.
Mark

Por que Lulinha está admitindo agora algo que sempre negou publicamente?

Mimi

Porque a investigação da PF está fechando o cerco. Mensagens, depoimentos de ex-funcionários, a própria viagem documentada — ele percebeu que negar seria inútil. Então mudou para uma narrativa de "sim, viajei, mas foi só para olhar um negócio de cannabis, nada ilegal".

Luke

Mas a defesa dele diz que essas informações não vieram dele. Então quem está contando isso ao Estadão? Interlocutores anônimos. Isso é importante porque muda o peso da admissão.

Mark

E quanto aos R$ 300 mil mensais que o ex-funcionário disse que Antunes pagava a ele?

Mimi

Lulinha nega completamente. Diz que vai provar com seus extratos bancários que nunca recebeu isso. E é verdade que a defesa aponta que as contas dele mostram apenas dividendos de empresas.

Luke

Mas a PF ainda não tem documentação sobre quem pagou a viagem. Se Antunes pagou a viagem, por que não teria pago outras coisas? A investigação está aberta.

Mark

Quem é Roberta Luchsinger nessa história?

Mimi

Ela é a ponte. Apresentou Lulinha a Antunes. Trabalha com lobby em Brasília, também recebeu pagamentos de Antunes e também está sendo investigada. Os três se encontravam na mansão dela.

Luke

E ela desapareceu. O Estadão não a localizou. Isso deixa uma lacuna na história — não temos a versão dela sobre como essas relações começaram.

Mark

O negócio de cannabis em Portugal era real?

Mimi

Parece que sim. Antunes realmente assinou contrato, pagou 100 mil euros de entrada para comprar um galpão em Aveiro. Mas o negócio não avançou porque ele virou alvo da operação da PF.

Luke

Então a viagem tinha propósito comercial documentado. Mas isso não explica por que um lobista investigado por corrupção no INSS estaria financiando viagens do filho do presidente para avaliar negócios privados de cannabis.

Mark

O que o STF vai fazer com isso?

Mimi

A defesa de Lulinha quer que tudo seja discutido lá, não na imprensa. Mas a PF já tem a investigação aberta, já quebrou sigilo bancário. O STF vai ter que decidir se há crime ou não.

Luke

E enquanto isso, a CPI do INSS também está investigando. Então há múltiplos foros apurando a mesma coisa — PF, CPI, STF. Isso pode criar conflitos sobre quem tem jurisdição.

  • A admissão reservada de Lulinha sobre a viagem paga por Antunes rompe meses de silêncio e eleva a pressão sobre o filho do presidente em plena investigação federal.
  • Um ex-funcionário do lobista afirmou à PF que Antunes transferia R$ 300 mil mensais ao 'filho do rapaz', expressão que investigadores associam a Lulinha — tornando o caso explosivo politicamente.
  • A CPMI do INSS já quebrou o sigilo bancário do empresário, e a PF abriu linha de investigação específica para determinar se ele era sócio oculto do lobista.
  • Lulinha sustenta que a aproximação com Antunes se deu por interesse em cannabis medicinal e que a parceria nunca se concretizou, negando qualquer vínculo com as fraudes ao sistema previdenciário.
  • Seu advogado reafirma que os esclarecimentos serão prestados ao STF e que extratos bancários provarão que o cliente recebeu apenas dividendos legítimos de suas próprias empresas.

No entrelaçamento entre poder, negócios e investigação, o filho do presidente Lula reconheceu, em círculos reservados, que sua viagem a Portugal em novembro de 2024 foi bancada pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — figura central em um esquema bilionário de fraudes no INSS. A admissão, feita longe dos holofotes públicos, coloca Fábio Luís Lula da Silva no centro de uma investigação que questiona os limites entre relações pessoais e cumplicidade em corrupção. Enquanto a defesa insiste na inocência do empresário, a Polícia Federal e o STF avançam na tentativa de distinguir o que foi convite e o que foi conluio.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reconheceu a pessoas de confiança que sua viagem a Portugal em novembro de 2024 — passagens em classe executiva e hospedagem — foi integralmente paga pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, investigado por fraudes bilionárias que lesaram aposentados. Era a primeira vez que o empresário admitia qualquer relação com Antunes, ainda que em caráter reservado.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Lulinha afirmou que o destino era uma fábrica de cannabis medicinal na região de Aveiro, Portugal, e que recebeu um convite para se associar ao empreendimento — parceria que, segundo ele, nunca se concretizou. Ele nega ter fechado negócios ou recebido pagamentos de Antunes, e diz que desconhecia o envolvimento do lobista com os esquemas do INSS.

A aproximação entre os dois teria sido intermediada por Roberta Luchsinger, empresária de advocacy em Brasília também investigada por receber pagamentos do lobista. Os três se encontravam na mansão dela no Lago Sul, onde discutiam negócios ligados à cannabis medicinal e questões regulatórias na Anvisa. Antunes, além dos esquemas previdenciários, é dono da World Cannabis e havia montado uma empresa em Porto, Portugal, chegando a pagar 100 mil euros de entrada por um galpão de cultivo — negócio que não avançou após ele se tornar alvo da Operação Sem Desconto da PF.

O peso da investigação cresceu quando um ex-funcionário de Antunes relatou à Polícia Federal que o lobista transferia R$ 300 mil mensais ao filho do presidente. Mensagens apreendidas mencionam pagamentos ao 'filho do rapaz', expressão que levou a PF a abrir investigação específica. A CPMI do INSS já quebrou o sigilo bancário de Lulinha em razão dessas alegações.

O advogado Guilherme Suguimori Santos negou que as informações partissem de seu cliente e reafirmou que Lulinha não tem relação com o esquema do INSS, não foi sócio do lobista e não recebeu valores indevidos. Os esclarecimentos, disse, serão prestados ao Supremo Tribunal Federal.

Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, admitiu reservadamente a pessoas próximas que sua viagem a Portugal no final de 2024 foi integralmente custeada pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — passagens aéreas em classe executiva e hospedagem. A revelação marca uma mudança significativa na postura do empresário, que até então nunca havia reconhecido publicamente qualquer relação com Antunes, investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção de agentes públicos e fraudes bilionárias no INSS que prejudicaram aposentados.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Lulinha afirmou que viajou com Antunes para visitar uma fábrica de produção de cannabis medicinal na região de Aveiro, Portugal, conhecida como a "Veneza" portuguesa. O filho do presidente disse que recebeu um convite para se associar ao lobista no empreendimento, mas que a parceria não se concretizou. Ele nega ter fechado qualquer negócio ou recebido pagamentos adicionais de Antunes, e sustenta que desconhecia o envolvimento do lobista com os esquemas investigados no INSS.

A conexão entre os dois homens ganhou força quando um ex-funcionário do Careca do INSS relatou à Polícia Federal que eram sócios e que o lobista transferia R$ 300 mil mensais ao filho do presidente. Investigadores também localizaram trocas de mensagens em que Antunes providenciava pagamentos de R$ 300 mil ao "filho do rapaz" — expressão que não identifica o destinatário nas conversas, mas que levou a PF a abrir investigação específica para determinar se se tratava de Lulinha. Além disso, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS quebrou o sigilo bancário do empresário em razão dessa relação alegada.

A versão que Lulinha apresenta aos seus interlocutores é que se aproximou de Antunes através de Roberta Luchsinger, empresária que também é investigada por ter recebido pagamentos do lobista. Luchsinger, ex-mulher do ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz, trabalha com serviços de advocacy em Brasília para empresas com interesses em ministérios e agências reguladoras. Nos últimos anos, ela ganhou proximidade com Lulinha e sua família. Segundo as fontes próximas ao filho do presidente, os três — Lulinha, Antunes e Luchsinger — passaram a se encontrar na mansão de Roberta no Lago Sul, em Brasília, onde faziam churrascos e conversas sobre negócios de cannabis medicinal, particularmente questões regulatórias relacionadas à Anvisa.

Antunes, além de seus esquemas no INSS, é proprietário da World Cannabis, empresa de maconha medicinal sediada em Brasília. Ele havia montado também a Candango Consulting em Porto, Portugal, da qual é sócio ao lado de seu filho Romeu. Segundo informações obtidas pela PF, Antunes chegou a assinar contrato e pagar uma entrada de 100 mil euros para adquirir um galpão onde a cannabis seria cultivada. Interlocutores que acompanharam as negociações afirmam que o negócio não avançou porque Antunes se tornou alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal.

No dia 8 de novembro de 2024, Lulinha e Antunes embarcaram juntos em voo de classe executiva de Guarulhos para Lisboa. A viagem foi revelada inicialmente pelo site Metrópoles e também mencionada por Edson Claro, ex-funcionário do Careca, em depoimento à Polícia Federal, mas até o momento a investigação não havia obtido documentação sobre quem pagou o deslocamento. Lulinha agora afirma que pretende admitir que foi Antunes quem custeou tudo.

Em sua defesa, Lulinha sustenta que não tem qualquer relação com o esquema do INSS e que isso será comprovado através de seus extratos bancários, que mostram apenas recebimentos de dividendos de suas empresas. Ele afirma que suas empresas nunca prestaram serviços a Antunes. Seu advogado, Guilherme Suguimori Santos, emitiu nota após a publicação da reportagem afirmando que as informações não vieram de Lulinha ou de sua defesa, e que esclarecimentos serão prestados ao Supremo Tribunal Federal, que considera o foro adequado para apuração. O advogado reafirmou que seu cliente não tem relação com o esquema do INSS, não foi sócio do lobista, não prestou serviços a ele e não recebeu valores.

Fábio não tem relação com o esquema do INSS, só soube do envolvimento de Antonio Camilo Antunes após a exposição da imprensa, não foi seu sócio, não prestou serviços a ele e não recebeu valores
— Guilherme Suguimori Santos, advogado de Lulinha
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