Dias após vencer as eleições presidenciais brasileiras, Lula da Silva escolheu o Egito como destino da sua primeira viagem internacional — não por acaso, mas como declaração de intenções. Na COP27, em Sharm el-Sheikh, o presidente eleito apresenta ao mundo uma promessa que atravessa décadas de debate: devolver ao Brasil o papel de guardião responsável da Amazónia e da agenda climática global. É um gesto que antecede a posse, mas já governa o imaginário do que está por vir.
Lula viaja para COP27 no Egito em primeira missão internacional após vitória eleitoral
O Brasil retomará seu papel de liderança global na crise climática
Por que Lula escolheu a COP27 como sua primeira viagem internacional? Parece uma escolha muito deliberada.
É. Ele está sinalizando que a crise climática e a Amazônia serão prioridades do seu governo desde o primeiro dia. Não é uma viagem de cortesia — é uma declaração de intenção.
Mas vale notar que ele foi convidado pelas autoridades egípcias. Não foi inteiramente sua escolha. E ainda não é presidente — é presidente eleito. Há uma diferença legal e política.
O que significa essa "Carta Amazónica" que ele vai apresentar?
É um documento que reúne governadores de estados amazônicos em torno de uma agenda comum para a transição climática. Mostra que há alinhamento entre o governo federal que virá e os governos estaduais na região.
Mas o documento em si não é descrito no material. Não sabemos exatamente o que contém ou que compromissos específicos estabelece. É uma intenção anunciada, não um resultado.
Ele prometeu parar o desmatamento. Isso é possível?
Tecnicamente, sim. Durante seu governo anterior, o desmatamento caiu significativamente. Mas as pressões econômicas e políticas são enormes, e o desmatamento acelerou muito nos últimos quatro anos.
Certo. Ele prometeu durante a campanha. Agora tem que entregar. A COP27 é onde ele anuncia a intenção; o teste real vem depois, quando tiver poder real.
E a participação no Fórum dos Povos Indígenas — isso marca uma mudança real?
Marca uma mudança de tom e de prioridade. O governo anterior frequentemente entrou em conflito com comunidades indígenas. Incluir povos indígenas na agenda climática é reconhecer que eles são atores centrais, não obstáculos.
Verdade. Mas participar num fórum é diferente de garantir direitos territoriais ou recursos. Precisamos ver o que isso significa em política concreta.
O Pulso
- A Amazónia perdeu terreno durante quatro anos de política ambiental permissiva, e Lula chega à COP27 carregando o peso dessa herança e a promessa de a reverter.
- O palco de Sharm el-Sheikh amplifica a mensagem: ao discursar no plenário da conferência, o presidente eleito reposiciona o Brasil perante a comunidade internacional antes mesmo de tomar posse.
- A inclusão de governadores amazónicos e representantes de povos indígenas na agenda sinaliza uma rutura deliberada com o governo anterior, que frequentemente ignorou ou confrontou essas vozes.
- A sequência Egito–Portugal–Brasil compõe um trajeto diplomático acelerado, como se a urgência climática não pudesse aguardar pelo calendário formal da transição de poder.
Dias após vencer as eleições presidenciais brasileiras, Lula da Silva escolheu o Egito como destino da sua primeira viagem internacional — não por acaso, mas como declaração de intenções. Na COP27, em Sharm el-Sheikh, o presidente eleito apresenta ao mundo uma promessa que atravessa décadas de debate: devolver ao Brasil o papel de guardião responsável da Amazónia e da agenda climática global. É um gesto que antecede a posse, mas já governa o imaginário do que está por vir.
Lula da Silva partiu para o Egito nesta segunda-feira para participar na COP27, a conferência climática anual das Nações Unidas realizada em Sharm el-Sheikh. É a sua primeira viagem internacional desde a vitória eleitoral de 30 de outubro, e a escolha não é simbólica por acidente — é uma declaração de que o combate à crise climática será central no seu regresso ao poder.
A agenda em Sharm el-Sheikh é densa. Na quarta-feira, Lula participará no evento 'Carta Amazónica', acompanhado por governadores de estados da região amazónica, e discursará no plenário da conferência. A Amazónia é o núcleo da narrativa que quer projetar: durante a campanha, prometeu travar o desmatamento que se acelerou nos últimos quatro anos, e antes de partir escreveu que o combate às alterações climáticas 'deve ser um compromisso do Estado brasileiro'.
Na quinta-feira, reunir-se-á com membros da sociedade civil e participará no Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Alterações Climáticas — uma presença que marca uma mudança de tom em relação ao governo anterior, que entrou repetidamente em conflito com comunidades indígenas sobre direitos territoriais e proteção ambiental.
Após a COP27, Lula viajará para Portugal na sexta-feira para reuniões diplomáticas, regressando ao Brasil no sábado. A sequência de viagens compõe um trajeto que reafirma compromissos internacionais antes mesmo de assumir formalmente o cargo em janeiro de 2023 — como se a agenda climática, por sua própria natureza, não pudesse esperar pela posse.
Lula da Silva partiu para o Egito nesta segunda-feira, dias após vencer as eleições presidenciais brasileiras, para participar na COP27 — a conferência anual das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. É sua primeira viagem internacional desde a vitória de 30 de outubro, e a escolha do destino não é casual. Ela sinaliza prioridade: o combate à crise climática será central no seu retorno ao poder.
O Presidente eleito tem agenda densa em Sharm el-Sheikh, o resort à beira do Mar Vermelho que hospeda a conferência. Na quarta-feira, seu primeiro ato oficial será participar do evento "Carta Amazónica: Uma agenda comum para a transição climática", acompanhado por vários governadores de estados da região amazônica brasileira. Nesse mesmo dia, às 17h15 locais (15h15 em Lisboa), discursará no plenário da COP27 — um palco que amplifica sua mensagem para a comunidade internacional.
A Amazônia é o centro da narrativa que Lula quer contar. Durante a campanha eleitoral, prometeu deter o desmatamento que acelerou nos últimos quatro anos sob a administração de Jair Bolsonaro. Antes de partir para o Egito, escreveu no Twitter que o combate às alterações climáticas "deve ser um compromisso do Estado brasileiro". Acrescentou: "Trabalharemos pelo futuro do nosso país e do planeta, que é um só e pertence a todos". Não é retórica vazia — é a moldura em que Lula quer que seu governo seja visto desde o primeiro dia.
Na quinta-feira, reunir-se-á com membros da sociedade civil brasileira e participará no Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Alterações Climáticas. A inclusão de povos indígenas na agenda climática marca uma mudança de tom em relação ao governo anterior, que frequentemente entrou em conflito com comunidades indígenas sobre direitos territoriais e proteção ambiental.
Lula governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornará ao poder em 1º de janeiro de 2023. Recebeu o convite das autoridades egípcias, anfitriãs da conferência. Prometeu também que o Brasil "retomará seu papel de liderança global" no combate à crise climática — uma afirmação que reposiciona o país após anos em que a política ambiental brasileira foi vista como obstáculo às metas climáticas globais.
Após a COP27, viajará para Portugal na sexta-feira para reuniões com autoridades portuguesas, regressando ao Brasil no sábado. A sequência de viagens — Egito, Portugal, Brasil — compõe um trajeto diplomático que reafirma compromissos internacionais antes mesmo de assumir formalmente o cargo. É um gesto que diz: a agenda climática não espera pela posse.
Citações Notáveis
O combate às alterações climáticas deve ser um compromisso do Estado brasileiro. Trabalharemos pelo futuro do nosso país e do planeta, que é um só e pertence a todos.— Lula da Silva, em mensagem no Twitter antes de partir para o Egito
O Brasil retomará seu papel de liderança global no combate à crise climática.— Lula da Silva