Na noite de 2 de outubro de 2022, os brasileiros residentes em Portugal falaram com uma voz surpreendentemente unida: Lula da Silva venceu com folga em Lisboa, Porto e Faro, reunindo em torno de si mais de 60% dos votos da diáspora. Enquanto no Brasil a disputa se desenhava como um empate técnico, a comunidade emigrada revelava uma preferência distinta — como se a distância da terra natal aguçasse, em vez de diluir, as convicções políticas.
Lula vence com margem confortável entre brasileiros em Portugal
Quase o dobro dos votos que Bolsonaro recebeu
Por que a votação em Portugal foi tão diferente do que estava acontecendo no Brasil naquele momento?
A diáspora brasileira em Portugal tem características próprias — muitas vezes pessoas que saíram do Brasil em busca de oportunidades, com acesso a informação diversa, vivendo numa democracia consolidada. Isso pode influenciar perspectivas políticas.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Não sabemos exatamente quem são essas pessoas, por que emigraram, ou se representam a população brasileira como um todo. Estamos vendo um padrão de voto, não necessariamente uma explicação para ele.
Lisboa é descrita como o maior círculo eleitoral fora do Brasil. O que isso significa na prática?
Significa que mais brasileiros votaram em Lisboa do que em qualquer outra cidade fora do Brasil. É onde a comunidade brasileira é mais concentrada e organizada para participar do processo eleitoral.
Exato. Mas o número absoluto — 10.873 votos em Lisboa — é pequeno comparado aos milhões que votaram no Brasil. Não podemos extrapolar isso como indicador do que toda a diáspora pensa.
A margem de Lula em Portugal era muito maior que no Brasil. Isso sugere algo sobre quem emigra?
Pode sugerir que pessoas com certas preferências políticas ou situações econômicas foram mais propensas a emigrar. Ou que a experiência de viver fora muda perspectivas. Mas são especulações.
Concordo. O que sabemos é o resultado do voto. O porquê fica em aberto. Precisaríamos de pesquisa demográfica e de intenção de voto para ir além disso.
El Pulso
- Em Lisboa, o maior círculo eleitoral brasileiro fora do Brasil, Lula obteve quase o dobro dos votos de Bolsonaro — uma margem de trinta pontos percentuais que não deixava margem para ambiguidade.
- O mesmo padrão se repetiu no Porto e em Faro, tornando a preferência da diáspora portuguesa um sinal coerente e consistente, independente da cidade.
- Ciro Gomes e Simone Tebet, os outros candidatos com alguma expressão, ficaram muito aquém — com menos de 5% em todos os círculos —, confirmando que a disputa real era entre dois nomes.
- No Brasil, porém, o cenário era radicalmente diferente: com mais de metade das urnas apuradas, Bolsonaro liderava por pouco mais de um ponto percentual, mantendo a tensão sobre o resultado final.
- A noite terminava com duas realidades paralelas: uma diáspora que escolheu com clareza e um país que ainda contava os votos numa disputa que prometia ir até ao limite.
Na noite de 2 de outubro de 2022, os brasileiros residentes em Portugal falaram com uma voz surpreendentemente unida: Lula da Silva venceu com folga em Lisboa, Porto e Faro, reunindo em torno de si mais de 60% dos votos da diáspora. Enquanto no Brasil a disputa se desenhava como um empate técnico, a comunidade emigrada revelava uma preferência distinta — como se a distância da terra natal aguçasse, em vez de diluir, as convicções políticas.
Em Lisboa, o maior reduto eleitoral brasileiro fora do Brasil, Lula da Silva conquistou 60,90% dos votos na eleição presidencial de 2022, com quase 91% da apuração concluída. Jair Bolsonaro ficou com 31,15% — uma diferença de quase trinta pontos percentuais que tornava o resultado inequívoco entre os eleitores da capital portuguesa.
O padrão repetiu-se nas outras cidades com comunidades brasileiras expressivas. No Porto, Lula venceu com 60,48%, deixando Bolsonaro em segundo com 30,03%. Em Faro, onde a contagem chegou a 100%, a margem foi menor mas ainda confortável: 49,13% para Lula contra 41,08% para Bolsonaro. Os restantes candidatos — Ciro Gomes e Simone Tebet — ficaram muito distantes, sem ultrapassar os 5% em nenhum dos três círculos.
Essa preferência clara da diáspora contrastava com o que se passava no Brasil naquele momento. Com 55% das urnas apuradas no território nacional, Bolsonaro liderava com 46,31% contra 44,87% de Lula — uma disputa praticamente empatada, que prometia prolongar a tensão pela noite dentro. Enquanto os brasileiros em Portugal haviam escolhido com margem e consistência, os que viviam no Brasil ainda aguardavam saber o destino do seu país.
Em Lisboa, o maior reduto eleitoral brasileiro fora do Brasil, Lula da Silva conquistou 10.873 votos na eleição presidencial de 2022, quase o dobro do que recebeu Jair Bolsonaro. Com 91,38% da apuração concluída, o candidato do Partido dos Trabalhadores garantiu 60,90% dos votos na capital portuguesa, enquanto o presidente em exercício ficou com 31,15%, totalizando 5.561 votos. A diferença era clara e expressiva: uma margem de quase trinta pontos percentuais separava os dois principais candidatos entre os eleitores portugueses.
O cenário se repetiu em outras cidades. No Porto, com 94,87% dos votos já contabilizados, Lula venceu novamente com 60,48% — 8.471 votos no total — deixando Bolsonaro em segundo lugar com 30,03% (4.206 votos). Em Faro, onde a contagem chegou a 100%, a vitória de Lula foi menos expressiva, mas ainda confortável: 49,13% dos votos (873 votos) contra 41,08% de Bolsonaro (730 votos). Nesses três círculos eleitorais, que concentravam a maior parte da diáspora brasileira em Portugal, o padrão era inequívoco — os eleitores brasileiros residentes no país europeu preferiam claramente o candidato petista.
Os demais candidatos ficaram bem distantes. Ciro Gomes, em terceiro lugar em Lisboa, conquistou apenas 3,85% dos votos (687 votos), enquanto Simone Tebet obteve 2,97% (498 votos). No Porto, Ciro Gomes arrecadou 4,93% (690 votos) e Tebet 2,85% (399 votos). Em Faro, Ciro Gomes recebeu 5,23% (93 votos), sendo o segundo colocado entre os candidatos menores.
Essa preferência clara pela candidatura de Lula entre brasileiros em Portugal contrastava com o quadro que se desenhava no Brasil naquele momento. Com 55% das urnas apuradas no território nacional, Bolsonaro ainda liderava com 46,31% dos votos, enquanto Lula se aproximava com 44,87%. Simone Tebet registrava 4,52% e Ciro Gomes 3,08%. A disputa no Brasil era acirrada, praticamente empatada, mas entre os brasileiros que viviam em Portugal, a escolha havia sido feita com margem confortável e consistente em todos os principais centros urbanos onde votaram.
Citas Notables
Com a grande maioria dos votos dos brasileiros que votaram em Portugal contados nesta altura, já é certo que Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), venceu em Lisboa — o maior círculo eleitoral fora do Brasil — e também no Porto e em Faro.— Tribunal Superior Eleitoral