Lula tem 4 pontos de vantagem sobre Flávio; em 2022 tinha 14 sobre Jair

A vantagem encolheu de 14 pontos para 4 em quatro anos
Comparação entre a posição de Lula em pesquisas a dez dias do primeiro turno em 2022 e 2026.
Mark

Como assim Lula perdeu dez pontos de vantagem em quatro anos? Isso é um colapso?

Mimi

Não é bem um colapso. Ele ainda lidera. Mas a base dele encolheu em lugares específicos — entre pobres, entre mulheres. E a rejeição subiu de 39% para 45%.

Luke

Mas espera: em 2022 ele tinha 47% das intenções totais e em 2026 tem quanto? A pesquisa não diz o número absoluto de Lula agora.

Mimi

Boa observação. A pesquisa só diz que ele tem 4 pontos de vantagem sobre Flávio. Não sabemos os números exatos de cada um.

Mark

E por que a rejeição subiu tanto?

Mimi

A pesquisa não explica o porquê. Só mostra que aconteceu. Pode ser desgaste de governo, pode ser polarização, pode ser vários fatores.

Luke

E essa comparação com 2018 que o especialista faz — é válida? Porque em 2018 Bolsonaro tinha 28% a dez dias e ganhou com 46% na primeira votação.

Mimi

É uma comparação de contexto político, não de números. O ponto é que havia espaço para candidaturas disruptivas em 2018, e hoje há espaço para isso de novo.

Mark

Então a eleição vai para segundo turno de novo?

Mimi

Os especialistas acham que sim. Baixa chance de terminar no primeiro turno.

Luke

Mas a pesquisa não perguntou aos eleitores se votariam em Lula ou Flávio no segundo turno, certo? Só tem os números do primeiro turno.

Mimi

Correto. Não sabemos como seria um segundo turno.

Mark

E esse voto útil que estão pedindo para candidatos de esquerda menores — funciona?

Mimi

A pesquisa não diz. Só registra que está acontecendo.

  • A vantagem de Lula caiu de 14 para 4 pontos em relação ao mesmo período de 2022, sinalizando uma disputa muito mais equilibrada e imprevisível.
  • Entre os mais pobres, base histórica do PT, o apoio ao presidente recuou de 57% para 46%, enquanto entre eleitores de renda média Flávio já supera Lula.
  • A rejeição ao presidente saltou de 39% para 45%, empatando com a rejeição ao próprio Flávio Bolsonaro — um dado que preocupa o campo petista.
  • A campanha de Lula retoma a estratégia do voto útil já no primeiro turno, pressionando eleitores de candidatos menores da esquerda a migrarem de voto.
  • Especialistas apontam baixíssima chance de encerramento no primeiro turno, com a eleição caminhando para um segundo turno semelhante ao de 2022.

A dez dias do primeiro turno, o Brasil se aproxima de mais uma eleição presidencial marcada pela incerteza: Lula, que em 2022 chegou ao mesmo momento com fôlego para encerrar a disputa na primeira votação, hoje enfrenta um adversário mais próximo e uma base eleitoral visivelmente erodida. A vantagem de quatro pontos sobre Flávio Bolsonaro — contra os catorze que separavam o petista de Jair há quatro anos — revela não apenas uma corrida mais acirrada, mas uma transformação silenciosa no mapa de lealdades políticas do país.

A dez dias do primeiro turno, uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra Lula com quatro pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro — um contraste marcante com 2022, quando o petista abria 14 pontos sobre Jair Bolsonaro no mesmo período pré-eleitoral. Naquela campanha, Lula chegou perto de vencer no primeiro turno, mas acabou levando a disputa para o segundo, onde venceu com a menor margem proporcional desde a redemocratização.

O enfraquecimento de Lula é visível nos segmentos que sempre foram seu alicerce. Entre eleitores de até dois salários mínimos, sua intenção de voto caiu de 57% para 46%. Na faixa de dois a cinco salários, Flávio já supera o presidente, com 41% contra 33%. Entre mulheres, a vantagem persiste, mas encolheu: de 49% para 42%. A rejeição ao presidente também cresceu, passando de 39% para 45%, igualando-se à rejeição ao próprio Flávio.

Diante desse cenário, a campanha petista intensifica os apelos ao voto útil já no primeiro turno, mirando eleitores de candidatos menores da esquerda. Cientistas políticos consultados pela Folha veem paralelos com 2018, quando crises institucionais abriram espaço para candidaturas disruptivas — papel que hoje, segundo eles, a crise do STF cumpre. A avaliação geral é de que a eleição deve ir ao segundo turno, com os próximos dias sendo decisivos para a consolidação das bases de ambos os candidatos.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios nos dias 22 e 23 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e está registrada na Justiça Eleitoral.

A dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Lula mantém uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, conforme aponta pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira. O resultado marca um contraste acentuado com o cenário de 2022, quando Lula desfrutava de uma dianteira de 14 pontos sobre Jair Bolsonaro no mesmo período pré-eleitoral. Naquela ocasião, o petista registrava 47% das intenções de voto contra 33% do então presidente. A margem de erro em ambos os levantamentos é de dois pontos percentuais.

Há quatro anos, Lula chegava aos últimos dias de campanha com a perspectiva de encerrar a disputa já no primeiro turno. Nos votos válidos, que excluem nulos, em branco e indecisos, o petista marcava 50% das intenções. Nas urnas, porém, obteve 48,4% dos votos válidos contra 43,2% de Bolsonaro, forçando um segundo turno. Lula venceria com 50,9% dos votos válidos, a menor margem proporcional desde a redemocratização. Agora, diante de um cenário mais acirrado, sua base de apoiadores retoma a estratégia de mobilização pelo voto útil já no primeiro turno, direcionando apelos aos eleitores de candidatos de esquerda como Samara, da UP, e Rui Costa Pimenta, do PCO.

O enfraquecimento das bases eleitorais de Lula fica evidente quando se comparam os números por segmento. Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos, sua principal base histórica, Lula marca hoje 46% das intenções contra 32% de Flávio, uma queda significativa em relação aos 57% que tinha contra 24% de Jair Bolsonaro em 2022. Na faixa de renda de dois a cinco salários mínimos, a situação é ainda mais delicada: Lula tem 33% enquanto Flávio alcança 41%, uma inversão em relação a 2022, quando o petista tinha 36% contra 43% de Bolsonaro. Entre mulheres, Lula mantém vantagem, mas reduzida: 42% agora contra 49% há quatro anos, enquanto Flávio sobe de 29% para 33%.

A rejeição ao presidente também cresceu. Em 2022, 39% dos eleitores diziam não votar de jeito nenhum em Lula; hoje esse patamar chegou a 45%, igualando-se à rejeição a Flávio. Bolsonaro, em comparação, registrava 52% de rejeição naquele período. Na aprovação de governo, 40% consideram a gestão Lula ruim ou péssima, enquanto 34% a qualificam como ótima ou boa. Bolsonaro em 2022 tinha 44% de desaprovação e 32% de aprovação.

Especialistas consultados pela Folha avaliam que a probabilidade de a eleição terminar no primeiro turno é baixa. Renato Dorgan Filho, cientista político especializado em pesquisas qualitativas e quantitativas, aponta que o ambiente político atual guarda semelhanças com 2018, quando crises como a Lava Jato e o impeachment de Dilma abriram espaço para candidaturas disruptivas. Hoje, segundo ele, a crise do Supremo Tribunal Federal cumpre papel parecido. Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque, observa que o eleitor tem antecipado para o primeiro turno uma escolha que normalmente faria apenas no segundo, fenômeno mais pronunciado na direita, onde candidatos menores já mostram pequena queda nas pesquisas, mas insuficiente para encerrar a disputa na primeira votação.

A pesquisa do Datafolha ouviu 2.002 eleitores nos dias 22 e 23 de setembro em 125 municípios. O trabalho foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026. Com a eleição apontando para um segundo turno, a dinâmica da campanha nos próximos dias deve ser marcada pela intensificação dos apelos ao voto útil e pela tentativa de ambos os candidatos de consolidar suas bases antes do primeiro turno.

O ambiente lembra 2018, quando crises como a Lava Jato e o impeachment de Dilma abriram espaço para candidaturas disruptivas. A crise do STF, hoje, cumpre papel parecido
— Renato Dorgan Filho, cientista político
O eleitor tem adiantado para o primeiro turno uma escolha que normalmente só faz no segundo. Isso ocorre mais na direita, onde os candidatos menores já mostram uma pequena queda nas pesquisas
— Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque
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