Em um gesto que transforma alívio emergencial em política de Estado, o presidente Lula sancionou lei que prorroga até dezembro de 2026 a isenção de PIS/Cofins para companhias aéreas brasileiras — um setor que ainda carrega as cicatrizes financeiras da pandemia. A medida, que zera a alíquota sobre receitas de passageiros com efeito imediato, representa um reconhecimento de que a recuperação de infraestruturas essenciais exige tempo e suporte estrutural. Para Azul e Gol, o benefício não é apenas contábil: é o oxigênio que pode permitir a reconstrução de margens e a reconquista da confiança dos i
Lula sanciona isenção de PIS/Cofins para aéreas até 2026; Azul e Gol ganham até R$ 150 mi/trimestre
Tirar 3,65% de impostos libera dezenas de milhões por trimestre
Por que essa isenção de PIS/Cofins importa tanto para Azul e Gol? Não é só um benefício fiscal qualquer.
Não é. Essas companhias ainda estão se recuperando da pandemia, com margens apertadas. Tirar 3,65% de impostos sobre a receita de passageiros libera dezenas de milhões por trimestre que podem ir para dívida, investimento ou resultado. É estrutural.
Mas espera — a medida começou em 2023 e ia terminar em maio. Agora vai até 2026. Quanto disso já estava precificado no mercado? Os analistas estão contando ganho novo ou ganho que já era esperado?
Boa pergunta. A extensão até 2026 é o novo. Antes era incerto. Agora há visibilidade de três anos e meio de isenção. Isso muda o cálculo de valor presente.
E quanto aos números? R$ 120 a R$ 150 milhões por trimestre — isso é verificado ou é estimativa de analista?
É estimativa. Genial Investimentos fez as contas baseada no Q1 2023. BBI fala em R$ 1,2 bilhão anuais para o setor todo. São projeções, não resultados realizados.
Verdade. Mas as projeções têm base. No Q1 2023, quando a isenção já estava em vigor, Azul e Gol de fato reportaram ganhos de Ebitda nessa magnitude.
Então o risco é: e se a economia desacelera e as receitas de passageiros caem? A isenção não compensa queda de demanda.
Exatamente. A isenção é um multiplicador de receita, não um gerador de receita. Se o setor entra em contração, o benefício encolhe.
Mas por enquanto, com demanda de viagens recuperada, o efeito é real. Os analistas estão apostando que essa recuperação se sustenta até 2026.
The Pulse
- A isenção que expiraria em maio de 2023 ganhou sobrevida de três anos e meio, evitando um choque fiscal imediato sobre empresas ainda frágeis.
- Azul e Gol capturam juntas até R$ 300 milhões por trimestre em ganho de Ebitda — um alívio que muda a conversa sobre solvência e crescimento.
- O setor aéreo como um todo pode acumular R$ 1,2 bilhão anuais em benefícios fiscais, reposicionando as aéreas diante de credores e acionistas.
- Analistas revisam preços-alvo para cima — R$ 2,70 para AZUL4 e R$ 2,90 para GOLL4 — sinalizando que o mercado já precifica a extensão como valor concreto.
- A questão que permanece aberta é se as companhias converterão esse fôlego fiscal em eficiência operacional ou apenas em postergação de ajustes estruturais.
Em um gesto que transforma alívio emergencial em política de Estado, o presidente Lula sancionou lei que prorroga até dezembro de 2026 a isenção de PIS/Cofins para companhias aéreas brasileiras — um setor que ainda carrega as cicatrizes financeiras da pandemia. A medida, que zera a alíquota sobre receitas de passageiros com efeito imediato, representa um reconhecimento de que a recuperação de infraestruturas essenciais exige tempo e suporte estrutural. Para Azul e Gol, o benefício não é apenas contábil: é o oxigênio que pode permitir a reconstrução de margens e a reconquista da confiança dos investidores.
Na última terça-feira de maio, o presidente Lula assinou a Lei nº 14.592/2023, convertendo em política duradoura o que havia nascido como resposta emergencial à pandemia. A nova lei zera a alíquota de PIS/Cofins sobre as receitas de passageiros das companhias aéreas até dezembro de 2026 — três anos e meio além do prazo original, que se encerraria neste mês. Antes da sanção, as aéreas recolhiam 3,65% sobre sua receita bruta; agora, esse custo simplesmente desaparece, com efeito imediato.
Os números traduzem a dimensão do benefício. No primeiro trimestre de 2023, a Azul capturou cerca de R$ 120 milhões em Ebitda graças à isenção, enquanto a Gol registrou aproximadamente R$ 150 milhões no mesmo período. A Genial Investimentos estima que a medida adiciona entre R$ 40 e R$ 50 milhões mensais de Ebitda para cada uma das companhias. No agregado, o BBI calcula que o setor aéreo como um todo pode se beneficiar de cerca de R$ 1,2 bilhão por ano em isenções fiscais.
Para os analistas, a extensão também reescreve as projeções de valor. O BBI estima que a Azul acumulará R$ 1,1 bilhão em valor presente líquido com a medida, justificando elevar o preço-alvo de AZUL4 em R$ 2,70, para R$ 28,00 — com recomendação de compra. A Gol recebe estimativa de R$ 1,2 bilhão em VPL e aumento de R$ 2,90 no alvo de GOLL4, fixado em R$ 11,00, com recomendação neutra. A Genial, mais conservadora, recomenda manter posições em ambas, com alvos de R$ 22,00 e R$ 8,20, respectivamente.
O mercado agora observa se Azul e Gol saberão transformar esse fôlego fiscal em recuperação operacional concreta — ou se o alívio servirá apenas para adiar decisões mais difíceis sobre estrutura de custos e endividamento.
O presidente Lula assinou na terça-feira 30 de maio a Lei nº 14.592/2023, transformando em permanência o que havia começado como medida emergencial. A lei zera a alíquota de PIS/Cofins sobre as receitas de passageiros das companhias aéreas, estendendo uma isenção fiscal que agora vigerá até dezembro de 2026. Antes dessa decisão, as aéreas pagavam 3,65% de PIS/Cofins sobre sua receita bruta — um custo que desaparece agora, com efeito imediato.
O programa nasceu em maio de 2021 como resposta aos impactos da pandemia no setor de turismo e eventos. A medida provisória inicial previa que a isenção terminasse em maio de 2023, mas a sanção presidencial a estende por mais três anos e meio. Analistas do mercado financeiro veem a prorrogação como um alívio estrutural para empresas ainda em recuperação, ajudando-as a reconstruir margens e fluxo de caixa após anos de turbulência.
Os números revelam o peso dessa isenção. No primeiro trimestre de 2023 — período de forte sazonalidade no setor aéreo — a Azul capturou aproximadamente R$ 120 milhões em ganho de Ebitda graças à medida, enquanto a Gol obteve cerca de R$ 150 milhões no mesmo período. A Genial Investimentos, que acompanha o setor, estima que a isenção adiciona entre R$ 40 e R$ 50 milhões mensais de Ebitda para cada uma dessas companhias, o que se traduz em R$ 120 a R$ 150 milhões por trimestre em 2023.
O impacto agregado é substancial. O BBI calcula que a isenção fiscal de PIS/Cofins para todas as aéreas pode totalizar cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. Para a Azul especificamente, o banco estima que a extensão dessa isenção até dezembro de 2026 agregará R$ 1,1 bilhão em valor presente líquido — uma cifra que justifica aumentar o preço-alvo da ação preferencial (AZUL4) em R$ 2,70. A Gol recebe estimativa semelhante: R$ 1,2 bilhão em valor presente líquido, com aumento de R$ 2,90 no preço-alvo das preferenciais (GOLL4).
As recomendações dos analistas refletem essa visibilidade de ganhos. O BBI mantém recomendação de compra para a Azul com preço-alvo de R$ 28,00, enquanto a Gol recebe recomendação neutra com alvo de R$ 11,00. A Genial Investimentos, por sua vez, recomenda manter as posições em ambas, com preço-alvo de R$ 22,00 para Azul e R$ 8,20 para Gol. O mercado aguarda agora como essas companhias converterão o alívio fiscal em crescimento operacional e retorno aos acionistas nos próximos trimestres.
Notable Quotes
A extensão dessa isenção fiscal até dezembro de 2026 agregará R$ 1,1 bilhão em valor presente líquido para a Azul e R$ 1,2 bilhão para a Gol— BBI (estimativa de analistas)