Lula reúne 5 mil mulheres em BH para ampliar vantagem sobre Flávio Bolsonaro

As mulheres são a maioria do eleitorado e Lula quer ampliar sua vantagem
Com 83,8 milhões de eleitoras e uma liderança de 12 pontos sobre Flávio Bolsonaro, a campanha petista concentra esforços em consolidar esse eleitorado.
Mark

Por que a campanha de Lula está investindo tanto especificamente em mulheres neste momento?

Mimi

Porque elas são a maioria do eleitorado — 52,83% — e Lula lidera com 12 pontos de vantagem. Ampliar isso é multiplicar votos onde ele já está forte.

Luke

Mas uma pesquisa de agosto é um ponto no tempo. Quanto dessa vantagem é estrutural, ligada aos programas sociais, e quanto é volátil?

Mark

O que vai ser discutido nesse encontro em Belo Horizonte?

Mimi

Violência contra mulheres, igualdade salarial, saúde, presença em espaços de poder. E também como conectar isso aos programas que já beneficiam mulheres — Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida.

Luke

Isso é estratégia de campanha ou diagnóstico de política pública? Porque a campanha pode prometer discussão, mas a execução é outra coisa.

Mark

E Flávio Bolsonaro, como está respondendo?

Mimi

Lançou o plano "Brasil por Elas" com propostas de autonomia financeira e segurança. Mas sofreu desgastes — disse que teve filhas para cuidar dele na velhice, escolheu um vice investigado por suspeita de estupro, e apoiadores dele fizeram declarações ruins sobre mulheres.

Luke

Esses desgastes são da campanha dele ou refletem posições que já existiam? Porque há uma diferença entre um deslize de comunicação e um padrão.

Mark

Qual é o papel de Janja nessa estratégia?

Mimi

Ela tem agenda própria, discursa em atos, participa da divulgação do pacto contra feminicídio. É uma presença feminina de peso na campanha.

Luke

Mas quanto disso é presença simbólica e quanto é poder de decisão? Porque primeira-dama falando é diferente de primeira-dama definindo política.

Mark

Isso muda a dinâmica da eleição?

Mimi

Pode mudar. Se Lula ampliar a vantagem entre mulheres, fica muito difícil Flávio compensar em outros grupos.

Luke

Tudo depende de quanto essa vantagem é resistente. Se for baseada em programas sociais, é sólida. Se for reação aos desgastes de Flávio, pode ser mais frágil.

  • Com 83,8 milhões de eleitoras representando 52,83% do eleitorado, o voto feminino não é nicho — é a arena central da eleição.
  • A vantagem de Lula entre mulheres chega a 12 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, e a campanha petista quer ampliar esse fosso antes de outubro.
  • O encontro de 29 de agosto em BH reúne 5 mil lideranças para debater feminicídio, igualdade salarial e saúde, ancorando a agenda em programas como Bolsa Família que já tocaram a vida de milhões de brasileiras.
  • Flávio Bolsonaro lança o plano 'Brasil por Elas', mas enfrenta turbulências: declarações sobre filhas como cuidadoras na velhice, vice investigado por suspeita de estupro e aliados que afirmam que mulheres solteiras 'votam mal'.
  • Janja Lula da Silva emerge como protagonista ativa da campanha, com agenda própria junto ao eleitorado feminino e presença crescente em atos e convenções partidárias.

Em um país onde as mulheres somam mais da metade do eleitorado, a política se curva diante de um fato demográfico irrefutável: quem conquista esse voto, conquista o poder. Lula, liderando com 12 pontos de vantagem entre as eleitoras, convoca 5 mil lideranças femininas a Belo Horizonte para transformar números em movimento — enquanto seu adversário tropeça em declarações que revelam, mais do que qualquer pesquisa, a distância cultural entre os dois projetos. A disputa eleitoral de 2026 se desenha, em grande medida, como um espelho das tensões que o Brasil ainda carrega sobre o lugar da mulher na vida pública e privada.

A campanha de Lula está construindo uma operação de grande escala para o eleitorado feminino. No dia 29 de agosto, em Belo Horizonte, o PT pretende reunir cerca de 5 mil lideranças de mulheres para definir a estratégia presidencial nos meses finais antes da eleição. O motivo é direto: as mulheres são 52,83% dos votantes brasileiros — a maioria absoluta do eleitorado — e os números mostram que essa maioria pode ser decisiva.

Uma pesquisa Quaest de agosto colocou Lula com 47% das intenções de voto entre mulheres, contra 35% de Flávio Bolsonaro. A coordenadora da campanha, Lucinha do MST, explica a aposta: programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida beneficiaram diretamente mulheres que chefiam famílias, criando um vínculo que a campanha quer transformar em votos. O encontro em BH discutirá violência contra a mulher, igualdade salarial, saúde e representação feminina no poder — pautas já incorporadas ao programa de governo e ao Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado com participação dos três Poderes.

A primeira-dama Janja Lula da Silva terá papel ativo nessa estratégia, com agenda própria voltada ao eleitorado feminino. Sua presença crescente em atos eleitorais — ao lado de figuras como Benedita da Silva — sinaliza que a campanha entende o voto feminino como uma construção coletiva, não apenas institucional.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro tenta reduzir a desvantagem com o plano 'Brasil por Elas' e o apoio de senadoras como Damares Alves e Tereza Cristina. Mas a campanha bolsonarista acumula tropeços: Flávio disse que teve filhas para que cuidassem dele na velhice, escolheu como vice um deputado investigado por suspeita de estupro de vulnerável, e um aliado influente declarou que mulheres solteiras 'votam mal'. Cada episódio aprofunda o fosso que a campanha tenta atravessar. Com apenas duas candidatas mulheres entre os demais postulantes, a batalha pelo voto feminino é, na prática, um duelo entre dois projetos de país — e os números, por ora, favorecem um deles.

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva está montando uma operação de grande escala voltada para o eleitorado feminino. No dia 29 de agosto, em Belo Horizonte, o PT pretende reunir aproximadamente 5 mil lideranças de mulheres para traçar os rumos da estratégia presidencial nos meses finais antes da eleição. O encontro não é casual: as mulheres representam 83,8 milhões de eleitoras brasileiras, ou 52,83% do total de votantes no país. Elas são, em números absolutos, a maioria do eleitorado, e a campanha petista reconhece que essa maioria será decisiva para a reeleição.

Os números mostram por que a atenção é tão concentrada. Uma pesquisa Quaest divulgada no início de agosto apontou Lula com 47% das intenções de voto entre mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro, seu principal concorrente, aparecia com 35%. A diferença de 12 pontos percentuais é substancial em uma disputa eleitoral, e a campanha quer ampliá-la ainda mais. Lucinha do MST, secretária nacional de Movimentos Populares do PT e coordenadora da campanha, explicou a lógica por trás da aposta: as políticas dos governos petistas — Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida — beneficiaram diretamente as mulheres, especialmente aquelas que chefiam famílias. "As políticas dos nossos governos beneficiaram diretamente as mulheres. Então, é esse público que eu acho que a gente precisa trabalhar porque terá um peso muito grande", afirmou.

O encontro em Belo Horizonte vai discutir temas que a campanha considera centrais para o eleitorado feminino: combate à violência contra a mulher, inclusive no ambiente digital, igualdade salarial, saúde e ampliação da presença feminina em espaços de poder. Lula já incluiu essas pautas em seu programa de governo e lançou o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, uma iniciativa que envolveu os três Poderes. A primeira-dama Janja Lula da Silva também terá papel ativo na campanha, com agenda própria voltada ao eleitorado feminino e participação na divulgação do pacto contra o feminicídio. Ela já vem discursando em atos eleitorais do presidente e em eventos nos estados. Na convenção que oficializou a candidatura de Lula, o presidente reclamou da ausência de mulheres no púlpito e chamou Janja para falar. Em São Bernardo do Campo, ela dividiu os discursos com Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, e homenageou Marisa Letícia, primeira-dama durante os governos petistas anteriores.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta uma desvantagem considerável e tenta reduzi-la. Sua campanha lançou o plano "Brasil por Elas", com propostas de autonomia financeira e segurança para as mulheres. Ele conta com o apoio das senadoras Damares Alves e Tereza Cristina, além da ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Mas a campanha bolsonarista sofre com desgastes recentes. Flávio afirmou em um evento que teve filhas para que cuidassem dele na velhice — uma declaração que gerou críticas. Escolheu como vice o deputado federal Alfredo Gaspar, que é alvo de um pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável. O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo também fez declarações polêmicas, afirmando que mulheres solteiras "votam mal". Esses episódios criaram um ambiente desfavorável para a campanha entre o eleitorado feminino.

Entre os demais candidatos à presidência, apenas duas são mulheres: Samara Martins, pela UP, e Clariana Barão, pela DC. A disputa pelo voto feminino, portanto, é fundamentalmente uma batalha entre Lula e Flávio Bolsonaro, e os números sugerem que o presidente sai na frente. A reunião de Belo Horizonte é um passo para consolidar e expandir essa vantagem nos meses que faltam.

As políticas dos nossos governos beneficiaram diretamente as mulheres. Então, é esse público que a gente precisa trabalhar porque terá um peso muito grande
— Lucinha do MST, secretária nacional de Movimentos Populares do PT
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