Em um momento em que o custo de vida pressiona famílias brasileiras, o presidente Lula anunciou sua intenção de adquirir uma distribuidora de combustíveis caso seja reeleito em 2026 — sinalizando um retorno à lógica do Estado como regulador direto do mercado. A proposta revive um debate histórico sobre os limites entre intervenção pública e livre iniciativa, e coloca a privatização da BR Distribuidora, realizada em 2019, no centro da disputa política sobre quem deve controlar o abastecimento do país.
Lula promete comprar distribuidora de combustíveis se reeleito
Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez.
Por que Lula quer recomprar uma distribuidora agora, depois de tantos anos de privatização?
Porque ele vê a privatização como um fracasso. Os preços subiram, e o governo não consegue controlar uma empresa privada da mesma forma. Com 47 bilhões em subsídios já sendo gastos, ele acredita que seria mais eficiente ter controle direto.
Mas espera — esses 47 bilhões são subsídios para quem exatamente? Para o consumidor ou para as distribuidoras?
Para o consumidor, para evitar que os preços subam. Mas a lógica de Lula é que se o governo fosse dono da distribuidora, não precisaria subsidiar tanto.
E quanto ao custo de recomprar a empresa? Quanto custaria?
A fonte não diz. Sabemos que a Vibra Energia foi privatizada, mas não temos o preço de recompra estimado. Isso é um detalhe importante que falta.
Verdade. E também não sabemos se a Vibra aceitaria vender ou se haveria resistência política e legal.
Lula mencionou reuniões com órgãos de fiscalização. Isso significa que já há um plano em andamento?
Parece mais uma sinalização de intenção do que um plano concreto. Ele está testando a ideia publicamente, conversando com agências regulatórias.
E a questão internacional que ele levantou — sobre Trump e o Oriente Médio — isso realmente afeta os preços de combustível no Brasil?
Sim, porque o petróleo é negociado globalmente. Conflitos no Oriente Médio afetam a oferta e o preço internacional, que depois se reflete aqui.
Então a recompra de uma distribuidora resolveria esse problema externo?
Não. Lula está misturando dois problemas diferentes: o controle doméstico de preços e as pressões internacionais. Uma distribuidora estatal não muda o preço do barril no mercado global.
O Pulso
- Com R$ 47 bilhões já gastos em subsídios, o governo sente que o controle sobre os preços dos combustíveis escapa de suas mãos — e Lula quer mudar isso estruturalmente.
- A privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021, é apontada pelo presidente como a raiz do problema: sem uma empresa estatal na cadeia, fiscalizar e conter aumentos se torna, segundo ele, quase impossível.
- Lula reuniu-se com a Polícia Federal e a ANP para discutir estratégias imediatas de contenção, enquanto projeta a recompra de uma distribuidora como solução de longo prazo.
- No plano externo, o presidente responsabiliza Trump e os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio pelo agravamento dos preços globais, chamando o americano de figura 'sui generis' — mas garantindo que as relações diplomáticas seguem respeitosas.
- A proposta de recompra estatal, anunciada a criadores de conteúdo no Planalto, já se desenha como um dos eixos centrais da campanha de reeleição de 2026.
Em um momento em que o custo de vida pressiona famílias brasileiras, o presidente Lula anunciou sua intenção de adquirir uma distribuidora de combustíveis caso seja reeleito em 2026 — sinalizando um retorno à lógica do Estado como regulador direto do mercado. A proposta revive um debate histórico sobre os limites entre intervenção pública e livre iniciativa, e coloca a privatização da BR Distribuidora, realizada em 2019, no centro da disputa política sobre quem deve controlar o abastecimento do país.
O presidente Lula anunciou nesta quarta-feira, durante entrevista no Palácio do Planalto a criadores de conteúdo, que pretende adquirir uma distribuidora de combustíveis caso vença as eleições de 2026. A declaração representa um retorno explícito à estratégia de controle estatal sobre o abastecimento — e uma crítica direta à privatização da BR Distribuidora, hoje chamada Vibra Energia S.A., vendida pela Petrobras em 2019 e totalmente privatizada dois anos depois.
Para Lula, a ausência de uma empresa pública na cadeia de distribuição dificulta a fiscalização e abre espaço para aumentos que prejudicam o consumidor. "Nós precisamos fazer com que as empresas que distribuem não aumentem o preço", disse o presidente, que já destina R$ 47 bilhões em subsídios para evitar que gasolina e diesel alcancem os preços do mercado internacional. Ele comparou a urgência do controle de combustíveis à do preço do feijão.
A proposta não é apenas retórica: Lula revelou que se reuniu recentemente com a Polícia Federal e a Agência Nacional de Petróleo para discutir estratégias de contenção. "Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez", afirmou, sinalizando que a medida seria prioridade em um novo mandato.
Na mesma entrevista, o presidente abordou o cenário externo, atribuindo parte das pressões econômicas aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e criticando as ações de Donald Trump no Irã — especialmente o impacto sobre o estreito de Ormuz e os preços globais de energia. Chamou Trump de figura "sui generis", mas garantiu que não teme interferência americana nas eleições brasileiras e que as relações entre os dois líderes seguem pautadas pelo respeito mútuo.
O presidente Lula anunciou nesta quarta-feira que pretende adquirir uma distribuidora de combustíveis caso vença a eleição de 2026. A declaração, feita durante entrevista no Palácio do Planalto a criadores de conteúdo, marca um retorno à estratégia de maior controle estatal sobre a cadeia de abastecimento — uma resposta direta ao que o petista considera um fracasso da privatização.
A BR Distribuidora, hoje conhecida como Vibra Energia S.A., foi vendida pela Petrobras em julho de 2019, com o processo de privatização total concluído dois anos depois. Embora a transação tenha ocorrido durante o governo Bolsonaro, os estudos preliminares começaram ainda na gestão Michel Temer. Lula critica a operação argumentando que uma empresa privada é difícil de fiscalizar e controlar, permitindo aumentos de preço que prejudicam o consumidor final.
"Nós precisamos fazer com que as empresas que distribuem não aumentem o preço", disse o presidente, destacando o esforço do seu governo em conter a inflação de combustíveis. O Palácio do Planalto tem investido 47 bilhões de reais em subsídios para evitar que gasolina e óleo diesel cheguem aos preços de mercado internacional. Lula comparou essa pressão à inflação de alimentos, sugerindo que o controle de combustíveis é tão urgente quanto o controle do preço do feijão.
A proposta de recompra não é isolada. Lula informou que reuniu-se recentemente com órgãos de fiscalização — incluindo a Polícia Federal e a Agência Nacional de Petróleo — para discutir estratégias de contenção de preços. "Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez", afirmou, deixando claro que a ação seria uma prioridade em um eventual novo mandato.
Durante a mesma entrevista, o presidente também abordou pressões econômicas externas. Lula caracterizou a economia brasileira como enfrentando um "problema extra-Brasil" — referindo-se aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio — e responsabilizou as ações do presidente americano Donald Trump por agravar a situação. Segundo Lula, Trump não compreendeu as implicações geopolíticas de suas ações no Irã, particularmente o impacto sobre o estreito de Ormuz e, consequentemente, sobre os preços globais de combustível.
O presidente descreveu Trump como uma figura "sui generis", alguém que "muitas vezes não fala nada com nada". Apesar da crítica, Lula afirmou que não se preocupa com possível interferência americana nas eleições brasileiras de 2026, argumentando que as relações entre chefes de Estado transcendem diferenças ideológicas. Garantiu que Trump o tem tratado com respeito e que ele retribui esse respeito, independentemente de suas divergências políticas.
Citações Notáveis
Nós estamos pagando R$ 47 bilhões de subsídios para não deixar o preço da gasolina e do óleo diesel chegarem ao seu bolso.— Presidente Lula
Eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez.— Presidente Lula