Lula ou Flávio: quem saiu ganhando e quem perdeu com o debate cancelado na Globo

Quem saiu ganhando e perdendo de um debate que não ocorreu?
A pergunta que ficou no ar após o cancelamento do debate da Globo, em 1º de outubro.
Mark

Em resumo, o debate não aconteceu. Por que se discute quem ganhou?

Mimi

Porque o horário não ficou vazio. Lula foi ao Flow Podcast e Flávio abriu uma live, então cada um ocupou a noite à sua maneira.

Mark

E Lula, segundo os analistas, saiu bem?

Mimi

Sim. Venuto e Maziero concordam. Ele evitou ser alvo de todos os adversários e falou a um público mais amplo, com pico de 1,7 milhão de visualizações simultâneas.

Luke

Convém separar as coisas: são avaliações de analistas, não pesquisa de opinião. Os números de audiência mostram alcance, não voto.

Mark

E Flávio?

Mimi

Maziero acha que ele entrou numa enrascada, porque desistiu antes do cancelamento e perdeu a chance de falar ao eleitorado que disputa com Renan Santos. A live dele chegou a quase 980 mil contas simultâneas.

Luke

A razão da desistência é atribuída. Flávio citou censura do TSE; os analistas dizem que foi a liberação de Renan Santos. Isso é interpretação, não algo confirmado.

Mark

Então a justificativa da Globo ajuda quem?

Mimi

Buarque vê vantagem para Flávio, que pode culpar o Judiciário. Ela acha que isso fragiliza Lula por ser governo.

Luke

É uma só voz, e o efeito eleitoral real ainda é desconhecido. Só as urnas dirão.

  • O debate da TV Globo foi cancelado na noite de 1º de outubro, horas antes de ocupar o horário nobre às vésperas do primeiro turno.
  • Lula trocou o confronto televisivo por uma entrevista no Flow Podcast, que alcançou centenas de milhares de conexões simultâneas.
  • Flávio Bolsonaro desistiu citando censura do TSE, mas analistas suspeitam que a presença de Renan Santos pesou mais na decisão.
  • A justificativa da Globo, que aponta interferência do Judiciário, pode virar munição para Flávio contra um governo visto como próximo do STF.
  • Com a disputa ainda aberta, o foco se desloca para a apuração de domingo, quando o eleitorado vai finalmente responder.

Numa noite de outubro, às vésperas do primeiro turno, a cadeira que deveria ser ocupada por um debate televisivo ficou vazia, e o silêncio do confronto foi preenchido por conversas de outro tipo. Como tantas vezes na história das democracias, a ausência de palco também é uma forma de discurso: quem escolhe não aparecer aposta que a ausência fala por si. Analistas ouvidos pelo Terra leem o episódio de maneiras opostas, e essa divergência mostra que, numa eleição, o cancelamento de um encontro pode ser lido tanto como fuga quanto como estratégia. O desfecho ainda está em aberto, à espera das urnas.

Na noite de quinta-feira, 1º de outubro, o horário reservado pela TV Globo para o debate entre os presidenciáveis foi ocupado por outra coisa. Lula concedia entrevista ao Flow Podcast, e Flávio Bolsonaro abria uma transmissão ao vivo. O debate, a poucos dias do primeiro turno, havia sido cancelado, e restava a pergunta de quem saiu ganhando com a noite sem confronto.

Para a advogada Carolina Venuto, a ausência de Lula era um risco enquanto o debate ainda estava marcado. Com o cancelamento, a estratégia de não comparecer se mostrou acertada, já que a exposição do presidente se concentrou no podcast, que chegou a mais de 600 mil aparelhos conectados nos primeiros minutos. O consultor Guilherme Maziero concorda que Lula saiu beneficiado, num ambiente menos hostil do que seria um debate.

Flávio, por sua vez, deixou o palco por motivo declarado de censura do TSE, mas analistas acreditam que o recuo veio da presença de Renan Santos, que disputa o mesmo eleitorado. Sem estar na Globo, o senador perdeu a chance de apresentar propostas, e sua live improvisada alcançou quase 980 mil contas. Para Adriane Buarque, da ESPM, a justificativa da emissora pode, ainda assim, favorecê-lo, ao colocar o Judiciário no centro da crítica a um governo visto como próximo do STF.

Com o primeiro turno marcado para domingo, a disputa segue aberta, e a leitura do que aconteceu naquela noite ainda depende das urnas.

Na noite de quinta-feira, 1º de outubro, o horário que a TV Globo reservara para o debate entre os presidenciáveis foi ocupado por outra coisa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dava entrevista ao Flow Podcast, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) abria uma transmissão ao vivo. O debate, a poucos dias do primeiro turno, foi cancelado. Restou a pergunta de quem ganhou e quem perdeu com a noite sem confronto.

Para os especialistas ouvidos pelo Terra, o cancelamento deu ainda mais visibilidade à entrevista de Lula, que já estava prevista. Já Flávio pode usar a seu favor a justificativa apresentada pela Globo, que menciona o Judiciário. A emissora alegou "interferência indevida" na liberdade da imprensa de organizar debates eleitorais, depois que decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alteraram regras previamente definidas.

Carolina Venuto, advogada especialista em direito público e sócia-diretora da ÉTICA Inteligência Política, lembra que, no início da noite, com o debate ainda marcado e Lula já tendo avisado que não iria, a ausência era um risco para a campanha. A disputa segue aberta entre parte do eleitorado, e o presidente deixaria de ter um espaço para responder diretamente aos adversários e dar sua versão sobre temas sensíveis do governo. Com o cancelamento, avalia ela, a estratégia de não comparecer acabou dando certo: a exposição de Lula se concentrou no podcast, que teve mais de 600 mil aparelhos conectados nos primeiros minutos.

Guilherme Maziero, consultor executivo da Oficina Consultoria, também vê Lula como beneficiado, mas acredita que a decisão de não ir ao debate já era a mais acertada desde o início, ainda que representasse um prejuízo ao eleitor. Segundo ele, Lula, único candidato de esquerda e presidente em busca da reeleição, seria alvo de todos os adversários. No Flow, que não é um podcast de esquerda e tem público mais amplo, encontrou um ambiente de certo modo confortável. Maziero observa que a entrevista foi menos dura do que seria um debate; no auge, a audiência passou de 1,7 milhão de visualizações simultâneas.

Para Flávio, o quadro é menos claro. O senador desistiu de ir ao debate antes do cancelamento, citando uma "censura imposta ao evento pelo TSE". Analistas, porém, entendem que o recuo veio mesmo da liberação da participação de Renan Santos (Missão). Maziero diz que havia expectativa de que Renan avançasse sobre Flávio, já que os dois disputam o mesmo eleitorado. Sem ir, Flávio perdeu a chance de apresentar propostas a esse público na Globo, e Maziero considera que ele pode ter "entrado em uma enrascada". A live aberta pelo senador logo após o cancelamento foi, segundo o consultor, improvisada, e chegou a quase 980 mil contas simultâneas na plataforma.

O cientista político Hilton Fernandes, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), concorda: só valeria a pena para Flávio participar se houvesse garantia de ambiente favorável, sem o risco de virar alvo direto dos rivais.

Há, porém, outra leitura. Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab, laboratório de comunicação política e pública da ESPM, acredita que a justificativa da Globo favorece o senador. Segundo ela, Flávio diz que a interferência foi do Judiciário e do STF e que isso tem de acabar, o que fragiliza a campanha de Lula, por ele ser governo e o STF ser visto como ligado ao governo.

O primeiro turno acontece no domingo, e o Terra fará uma live especial a partir das 17h, com apuração em tempo real.

Flávio está dizendo que foi interferência do Judiciário e que isso tem de acabar; isso fragiliza a campanha de Lula.
— Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab da ESPM
Lula saiu de uma vitrine em que seria alvo de todos e foi para um ambiente de certo modo confortável.
— Guilherme Maziero, Oficina Consultoria
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