Em um movimento que redefine o alcance do Estado brasileiro na educação básica, o presidente Lula ordenou que o programa Pé-de-Meia — hoje restrito às famílias mais vulneráveis — seja universalizado até 2027, beneficiando todos os estudantes do ensino médio público. O anúncio, feito pelo ministro Leonardo Barchini sem previsão no plano de governo original, eleva o número de beneficiários de 4,6 para cerca de 7 milhões de jovens. A medida carrega o peso de uma promessa social ambiciosa e, ao mesmo tempo, abre uma interrogação silenciosa sobre de onde virão os recursos sem comprometer outras apo
Lula ordena universalização do Pé-de-Meia até 2027, anuncia ministro da Educação
O presidente nos determinou universalizar o Pé-de-Meia em 2027
Como o governo pretende pagar por essa expansão? O Pé-de-Meia já custa R$ 12 bilhões por ano.
Barchini disse que o programa está dando resultado, diminuindo abandono e reprovação, então merecia mais investimento. Mas é verdade que ele não detalhou o custo total da universalização.
Exatamente. Ele falou em "investimento muito maior" mas não colocou um número. Sabemos que sai de 4,6 para 7 milhões de alunos, mas quanto custa por aluno? Ninguém sabe ainda.
E quanto ao tempo integral? Também é prioridade, não é?
Sim, é. O governo quer atender metade dos alunos da educação básica em tempo integral antes de 2036. Mas Barchini não explicou como faz as duas coisas ao mesmo tempo.
Isso é o ponto fraco da entrevista. Duas prioridades grandes, um orçamento que cresce, mas ninguém diz como se resolve o conflito.
Ele mencionou uma "janela histórica". O que seria isso?
Três coisas: menos crianças nascendo, Fundeb crescendo acima da inflação, e compromisso político do presidente. Teoricamente, menos alunos significa mais recursos por cabeça.
Teoricamente. Mas menos alunos também significa menos receita de impostos no longo prazo. E "compromisso político" não é dinheiro.
O que mais chamou atenção?
Os números da alfabetização. Passaram de 36% para 66% das crianças alfabetizadas na idade certa. Ele quer chegar a 100%.
Novamente, sem detalhar como. E "na idade certa" é um critério que pode variar. Mas sim, é um avanço documentado.
El Pulso
- Uma ordem presidencial inesperada transforma o Pé-de-Meia de programa focalizado nos mais pobres em direito universal para todo aluno do ensino médio público — uma virada de escala sem precedente recente.
- O programa já consome R$ 12 bilhões anuais atendendo 4,6 milhões de estudantes; ampliar para 7 milhões exige um salto orçamentário cujo valor exato o governo ainda não revelou.
- A expansão colide com outra prioridade declarada: o ensino em tempo integral, que o Plano Nacional de Educação exige para metade dos alunos da educação básica até 2036, criando uma disputa silenciosa por recursos escassos.
- O ministro Barchini invoca uma 'janela histórica e única' — queda no número de alunos, crescimento real do Fundeb e vontade política presidencial — para justificar a aposta, mas deixa sem resposta como as duas metas serão financiadas simultaneamente.
- Enquanto o governo celebra avanços na alfabetização e na recomposição salarial de professores, a ausência de um plano fiscal claro para a universalização do Pé-de-Meia mantém a medida suspensa entre a promessa e a execução.
Em um movimento que redefine o alcance do Estado brasileiro na educação básica, o presidente Lula ordenou que o programa Pé-de-Meia — hoje restrito às famílias mais vulneráveis — seja universalizado até 2027, beneficiando todos os estudantes do ensino médio público. O anúncio, feito pelo ministro Leonardo Barchini sem previsão no plano de governo original, eleva o número de beneficiários de 4,6 para cerca de 7 milhões de jovens. A medida carrega o peso de uma promessa social ambiciosa e, ao mesmo tempo, abre uma interrogação silenciosa sobre de onde virão os recursos sem comprometer outras apostas igualmente urgentes.
O ministro da Educação Leonardo Barchini surpreendeu ao anunciar, durante o programa Educação em Debate, que o presidente Lula determinou a universalização do Pé-de-Meia até 2027. O programa, criado para combater o abandono escolar por meio de bolsas e uma poupança vinculada, atende hoje apenas estudantes de famílias inscritas no CadÚnico — aquelas com renda de até meio salário mínimo por pessoa. A nova ordem presidencial pretende estender o benefício a todos os alunos do ensino médio de escolas públicas, saltando de 4,6 milhões para cerca de 7 milhões de beneficiários.
A dimensão financeira da mudança é o ponto mais sensível. Em 2026, mesmo com cobertura restrita aos mais vulneráveis, o programa já consumiu R$ 12 bilhões do orçamento da Educação. Barchini não apresentou o custo total da expansão nem explicou como o governo evitaria que ela absorvesse recursos destinados a outras políticas. A tensão é concreta: o próprio ministro listou o ensino em tempo integral como outra prioridade central, uma meta que o Plano Nacional de Educação exige para metade dos alunos da educação básica antes de 2036.
Para justificar a aposta, Barchini descreveu uma conjuntura que chamou de 'janela histórica e única': a redução gradual do número de estudantes no país, o crescimento do Fundeb acima da inflação — que eleva o investimento por aluno a cada ano — e o comprometimento pessoal do presidente com a pauta educacional. O ministro também destacou avanços recentes, como a elevação da taxa de alfabetização na idade certa de 36% para 66%, e reafirmou a meta de universalizar a alfabetização.
Barchini aproveitou o espaço para defender o financiamento das universidades e institutos federais retomado pelo governo atual e os reajustes concedidos a professores que acumulavam uma década de defasagem salarial. Criticou a proliferação de escolas cívico-militares nas redes estaduais e municipais, argumentando que não há evidência científica de superioridade desse modelo, embora reconhecendo a autonomia dos entes federativos para escolher seu próprio caminho. O anúncio da universalização do Pé-de-Meia ficou, ao final, como o maior símbolo de uma ambição educacional que ainda aguarda seu plano de financiamento.
O ministro da Educação Leonardo Barchini saiu da entrevista no programa Educação em Debate com um anúncio que não constava no plano de governo apresentado ao eleitorado: o presidente Lula determinou que a equipe trabalhe para universalizar o Pé-de-Meia até 2027. O programa, que oferece bolsas e uma poupança para estudantes de ensino médio como forma de combater o abandono escolar, hoje atende apenas quem está inscrito no CadÚnico — famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. A ordem presidencial mobilizou as equipes econômicas e de educação para expandir o benefício a todos os alunos dessa etapa de ensino.
O alcance da mudança é considerável. Atualmente, o Pé-de-Meia chega a 4,6 milhões de estudantes. Com a universalização, esse número saltaria para cerca de 7 milhões de alunos de escolas públicas. Barchini afirmou que o programa está funcionando — diminuindo o abandono escolar e a reprovação — e que por isso merecia um investimento muito maior em 2027. Neste ano, mesmo atendendo apenas aos mais vulneráveis, o Pé-de-Meia já consumiu R$ 12 bilhões do orçamento da Educação. O ministro não explicou qual seria o custo total da expansão nem como o governo evitaria que essa ampliação canibalizasse recursos de outras políticas educacionais.
Essa tensão orçamentária é real. O próprio Barchini citou como outra prioridade do governo a expansão do ensino em tempo integral — meta que também consta do Plano Nacional de Educação e que deveria atingir metade dos alunos da educação básica antes de 2036. O ministro não detalhou como o governo conciliaria essas duas ambições com um orçamento que, embora tenha crescido acima da inflação segundo sua avaliação, não é infinito. A questão de como financiar simultaneamente a universalização do Pé-de-Meia e a expansão do tempo integral permaneceu sem resposta clara.
Barchini argumentou que existe uma "janela histórica e única" para avançar na educação. Citou três fatores: a diminuição do número de estudantes no país, o crescimento do Fundeb acima da inflação — o que aumenta o investimento por aluno anualmente — e o compromisso político do presidente com a educação. Ele também mencionou avanços em outras frentes, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que passou de 36% para 66% das crianças alfabetizadas na idade certa, e reafirmou a meta de chegar a 100%.
O ministro também abordou investimentos na rede federal de ensino. Disse que o governo retomou o financiamento de universidades e institutos federais e concedeu reajustes a professores que estavam há dez anos com salários defasados. Para o próximo ciclo, prometeu continuar esse investimento para evitar o que chamou de "sucateamento" e "descaso" que teria ocorrido no governo anterior. Barchini criticou a expansão de escolas cívico-militares pelas redes estaduais e municipais, afirmando que não há evidência científica de que esse modelo seja superior, mas reconheceu que os entes federativos têm autonomia para adotar o modelo que desejarem.
Citas Notables
O presidente Lula nos determinou que a gente faça todos os estudos para a universalização do Pé-de-Meia em 2027. O programa terá um investimento muito maior para 2027, porque está dando resultado, está diminuindo o abandono escolar, diminuindo a reprovação.— Leonardo Barchini, ministro da Educação
Não há nenhuma evidência científica, nenhuma prova de que a escola cívico-militar seja melhor.— Leonardo Barchini, sobre expansão de escolas cívico-militares