Lula mantém vantagem e vence no exterior com 51,11% dos votos válidos

Lula reverteu uma derrota de 71,01% para 28,99% em 2018
A votação no exterior em 2022 marcou uma inversão dramática em relação ao pleito anterior, quando Bolsonaro havia dominado a diáspora brasileira.
Mark

Como é possível que Lula tenha vencido tão claramente no exterior quando Bolsonaro havia dominado tão amplamente em 2018?

Mimi

A mudança reflete tanto uma transformação no eleitorado quanto na composição da diáspora. O número de brasileiros aptos a votar cresceu 39,21% em quatro anos, e essa nova população pode ter perfis diferentes dos que votavam antes.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Sabemos que 697 mil pessoas estavam aptas a votar, mas apenas 45,32% compareceram no segundo turno. Não sabemos quem são os 54,68% que não votaram, e isso pode mudar completamente a interpretação.

Mark

Então a abstenção alta é um fator importante?

Mimi

Muito. Em 2018, a abstenção foi ainda maior, 59,76%, então tecnicamente houve melhora. Mas em números absolutos, estamos falando de centenas de milhares de brasileiros que não participaram.

Luke

E há outra coisa: os dados mostram resultados por cidade, mas não sabemos o tamanho exato de cada colégio eleitoral. Miami pode ter tido 81,18% para Bolsonaro, mas quantas pessoas votaram lá? Sem esses números, é difícil pesar a importância relativa.

Mark

Qual é a mudança mais significativa entre 2018 e 2022?

Mimi

A Europa. Em 2018, Bolsonaro vencia em Lisboa com 64,4% e em Londres com 61,53%. Agora Lula tem 64,50% em Lisboa e 60,15% em Londres. É uma inversão quase perfeita.

Luke

Verdade, mas em cidades como Boston e Miami, Bolsonaro ainda domina, mesmo que com percentuais um pouco menores. Então não é uma inversão completa, é mais uma reconfiguração geográfica.

Mark

O que explica essa reconfiguração?

Mimi

Pode ser migração — pessoas se mudando para diferentes cidades — ou mudança de preferência entre os mesmos eleitores. Paris, por exemplo, entrou nas dez maiores cidades de eleitores brasileiros em 2022, quando era a 14ª em 2018. Isso sugere movimento populacional.

Luke

Exatamente, mas o artigo não nos diz se Paris cresceu porque mais brasileiros se mudaram para lá ou porque menos brasileiros se mudaram para outras cidades. São interpretações diferentes.

Mark

Então há muita incerteza por baixo desses números?

Mimi

Há contexto que falta. Mas o fato central é sólido: Lula venceu no exterior com 51,11% contra 48,89%, revertendo uma derrota de 2018 onde Bolsonaro tinha 71,01%.

Luke

Isso é verificável. O que não sabemos é por quê, exatamente. E isso importa para entender o que aconteceu.

  • A virada foi dramática: em 2018, Bolsonaro venceu no exterior com 71% dos votos; em 2022, Lula inverteu o placar e conquistou a maioria dos brasileiros que vivem fora do país.
  • O eleitorado externo cresceu 39,21% em relação a 2018, superando 697 mil eleitores aptos — um sinal de que a diáspora brasileira se expandiu e se transformou demograficamente.
  • A Europa tornou-se território quase exclusivo de Lula, com cidades como Berlim, Paris e Estocolmo registrando mais de 73% de apoio ao petista, enquanto Lisboa e Londres também seguiram essa tendência.
  • Na contramão, Miami e Boston permaneceram fortemente bolsonaristas, com 81% e 75% respectivamente, e cidades japonesas como Nagóia e Tóquio mantiveram lealdade ao candidato do PL.
  • A abstenção de 54,68% no exterior revelou que, apesar do crescimento do eleitorado, mais da metade dos brasileiros registrados fora do país ainda não compareceu às urnas — uma tensão entre presença formal e participação efetiva.

A cada eleição, a diáspora brasileira reescreve, à sua maneira, o mapa político do país. No segundo turno de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 51,11% dos votos válidos entre os brasileiros residentes no exterior — uma inversão expressiva em relação a 2018, quando Bolsonaro havia dominado o pleito internacional com mais de 70%. O resultado, colhido em 181 cidades espalhadas por seis continentes, revela não apenas uma mudança de preferência, mas uma transformação silenciosa na composição e no olhar político de quem escolheu viver longe do Brasil.

Quando as urnas fecharam no segundo turno de 2022, Lula havia consolidado uma vitória clara entre os brasileiros que vivem fora do país. Com 91,07% das urnas apuradas, o candidato petista alcançou 51,11% dos votos válidos no exterior, contra 48,89% de Bolsonaro — uma inversão dramática em relação a 2018, quando Bolsonaro havia dominado o pleito internacional com 71,01%.

Mais de 697 mil brasileiros residindo no exterior estavam aptos a votar, um crescimento de 39,21% em relação ao pleito anterior. Eles compareceram a urnas espalhadas por 181 cidades em seis continentes. A abstenção, porém, permaneceu elevada: apenas 45,32% dos eleitores registrados no exterior votaram, embora esse índice representasse uma melhora em relação a 2018.

O mapa político da votação internacional revelou padrões geográficos nítidos. Na Europa, Lula dominou amplamente — Berlim, Paris, Estocolmo e Dublin registraram votações acima de 73% para o petista, enquanto Lisboa e Londres ultrapassaram 60%. A única exceção europeia relevante foi Atenas, onde Bolsonaro venceu com 55,63%.

Na América do Norte, o cenário foi inverso: Miami e Boston votaram massivamente em Bolsonaro, com 81,18% e 75,75%. Na Ásia, Nagóia e Tóquio seguiram a mesma direção, com mais de 80% para o candidato do PL. Já na Oceania e em capitais sul-americanas como Buenos Aires e Montevidéu, Lula prevaleceu.

A comparação com 2018 evidenciou uma reconfiguração profunda. Quatro anos antes, Bolsonaro havia vencido em todas as dez cidades com maior número de eleitores brasileiros no exterior — incluindo Lisboa e Londres. A mudança mais notável foi Paris, que saltou para o grupo das dez maiores cidades eleitorais e votou em Lula com 82,94%. O crescimento do eleitorado externo e a redistribuição de suas preferências marcaram um ponto de inflexão no modo como a diáspora brasileira se posiciona politicamente.

Quando as urnas fecharam no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva havia consolidado uma vitória clara entre os brasileiros que vivem fora do país. Com 91,07% das urnas apuradas até as 20h05, o candidato petista alcançou 51,11% dos votos válidos no exterior, deixando Jair Bolsonaro com 48,89%. O resultado representava uma inversão dramática em relação a quatro anos antes, quando Bolsonaro havia dominado a votação internacional com 71,01% dos votos contra 28,99% de Fernando Haddad.

A votação no exterior envolveu uma população eleitoral significativamente maior do que em 2018. Mais de 697 mil brasileiros residindo em outros países estavam aptos a votar, um aumento de 39,21% em relação ao pleito anterior. Esses eleitores compareceram às urnas espalhadas por 181 cidades em seis continentes, com as maiores concentrações em Lisboa, Miami, Boston, Nagóia e Londres. A participação, porém, permanecia modesta: no segundo turno, apenas 45,32% dos eleitores registrados no exterior compareceram, deixando uma taxa de abstenção de 54,68%. Ainda assim, esse índice representava uma melhora em relação a 2018, quando pouco mais de 40% dos eleitores do exterior haviam votado.

O mapa político da votação internacional revelava padrões geográficos claros. Na Europa, Lula dominava amplamente. Cidades como Berlim, Copenhague, Dublin, Paris e Estocolmo registraram votações acima de 73% para o candidato petista. Em Lisboa e Porto, ambas em Portugal, Lula obteve aproximadamente 64% dos votos. Londres e Amsterdã também seguiram essa tendência europeia, com Lula ultrapassando 60%. A única exceção europeia significativa era Atenas, onde Bolsonaro venceu com 55,63%.

Na América do Norte, o cenário era inverso. Miami e Boston, cidades com grande concentração de eleitores brasileiros, votaram massivamente em Bolsonaro, com 81,18% e 75,75% respectivamente. Nova York apresentava um resultado mais equilibrado, com Bolsonaro ainda à frente com 53,23%. Na América do Sul, a votação era fragmentada. Buenos Aires e Montevidéu apoiaram Lula, com 66,13% e 57,98% respectivamente, enquanto Assunção e Ciudad Del Este, ambas no Paraguai, registraram votações esmagadoramente favoráveis a Bolsonaro, com 74,37% e 91,95%. Santiago, no Chile, ficou praticamente dividida, com Bolsonaro levando por margem mínima de 50,47%.

Na Ásia, Bolsonaro vencia em cidades japonesas. Nagóia e Tóquio registraram 85,72% e 80,33% para o candidato do PL, respectivamente. Pequim, Seul, Xangai e Hong Kong apresentavam resultados mais próximos ou favoráveis a Lula. Na Oceania, Wellington, Sydney e Camberra votaram em Lula com percentuais entre 62% e 70%.

A comparação com 2018 evidenciava uma reconfiguração do eleitorado brasileiro no exterior. Quatro anos antes, Bolsonaro havia vencido em todas as dez cidades com maior número de eleitores brasileiros. Em Boston, sua votação havia alcançado 86,58%; em Miami, 91,04%; em Tóquio, 89,33%. Nagóia havia registrado 92,03% para Bolsonaro. Mesmo em cidades que agora apoiavam Lula, como Lisboa e Londres, Bolsonaro havia vencido com 64,4% e 61,53% respectivamente. A mudança era particularmente notável em Paris, que em 2018 ocupava apenas a 14ª posição entre as cidades com mais eleitores brasileiros e agora se encontrava entre as dez maiores, votando em Lula com 82,94%.

O crescimento de 39,21% no número de eleitores brasileiros no exterior entre 2018 e 2022 sugeria uma mudança na composição demográfica da diáspora. A votação de segundo turno, embora com abstenção elevada, consolidava a vitória de Lula no pleito internacional e marcava um ponto de inflexão em como os brasileiros que vivem fora do país se posicionavam politicamente.

Lula terminou o 1º turno com 47,17% dos votos válidos do exterior. Bolsonaro, com 41,61%.
— Dados do Tribunal Superior Eleitoral
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