Lula mantém 41% contra 31% de Flávio em primeira pesquisa após aprovação da PEC 6x1

Flávio estancou o prejuízo, mas Lula ainda não capitalizou suas apostas
A pesquisa mostra estabilidade após semanas de turbulência, mas ambos os candidatos enfrentam desafios para ampliar apoio.
Mark

Por que essa pesquisa é importante se os números praticamente não mudaram?

Mimi

Porque mostra que Flávio conseguiu estancar a hemorragia do escândalo Dark Horse. Ele estava em queda livre, e agora está estável. Para um candidato que sofreu um baque daquele tamanho, manter a posição já é uma vitória.

Luke

Mas a pesquisa foi feita nos dias 17 e 18 de junho, e a operação contra Jaques Wagner aconteceu justamente nesse período. Os números não capturam o impacto completo disso.

Mimi

Exato. O levantamento é um retrato de um momento muito específico, quando o escândalo do PT ainda estava se desdobrando. Precisamos de mais pesquisas para ver como isso afeta Lula.

Mark

E quanto à PEC 6x1? O governo não conseguiu capitalizar isso?

Mimi

A Câmara aprovou, mas está parada no Senado. Sem a aprovação final, é difícil o governo usar como bandeira eleitoral. É uma promessa ainda não entregue.

Luke

Também vale notar que a avaliação de governo de Lula está abaixo dos seus próprios mandatos anteriores. Com 32% de aprovação positiva, ele está em 32% — em 2006 era 39%, em 2010 era 76%. Isso é um contexto importante.

Mark

Flávio está tentando se posicionar como alternativa, mas em que temas ele consegue vencer Lula?

Mimi

Entre empresários ele lidera com 69% contra 25%. E conseguiu capitalizar a questão de segurança pública e alinhamento com os EUA, especialmente depois que Trump classificou as facções como terroristas.

Luke

Mas a rejeição dele é praticamente igual à de Lula — 48% contra 46%. Tecnicamente estão empatados nesse quesito dentro da margem de erro. Nenhum dos dois tem uma vantagem clara em rejeição.

Mark

O que muda daqui até outubro?

Mimi

Tudo depende de como o escândalo do Banco Master afeta Lula, se a PEC 6x1 sai do Senado, e como as campanhas conseguem mobilizar suas bases. Os números mostram que o eleitorado já tem preferências bem definidas por perfil.

Luke

E também não podemos esquecer que essa é uma pesquisa de intenção de voto, não uma previsão. Muita coisa pode mudar entre junho e outubro.

  • Lula marca 41% no primeiro turno contra 31% de Flávio — margem de 10 pontos
  • No segundo turno, Lula tem 47% contra 43% de Flávio — diferença de 4 pontos
  • Pesquisa ouviu 2.004 eleitores nos dias 17 e 18 de junho em 139 cidades
  • Avaliação de governo: 38% negativa, 32% positiva, 29% regular
  • PEC 6x1 aprovada na Câmara mas parada no Senado

Lula lidera com 10 pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno, enquanto no segundo turno a diferença é de 4 pontos (47% a 43%). Escândalo 'Dark Horse' afetou Flávio em abril, reduzindo sua vantagem no segundo turno de empate para 4 pontos atrás, mas situação se estabilizou.

Pesquisa Datafolha mostra Lula com 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mantendo estabilidade após escândalo 'Dark Horse'. Avaliação de governo permanece em 38% negativa e 32% positiva.

A primeira pesquisa Datafolha divulgada após a aprovação da PEC que encerra a escala 6x1 mostra Lula mantendo sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro, mas sem ganhos significativos. O presidente marca 41% no cenário de primeiro turno contra 31% do senador — uma margem de dez pontos que permanece estável em relação ao levantamento anterior, quando Lula tinha 40% e Flávio também 31%. A pesquisa, realizada nos dias 17 e 18 de junho, ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

O que chama atenção é a contenção do dano causado pelo escândalo "Dark Horse". Meses atrás, a revelação de que Flávio havia solicitado recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, provocou uma queda acentuada nas intenções de voto do senador. Na época, a vantagem de Lula no primeiro turno saltou de três para nove pontos. No segundo turno, Flávio havia conseguido empatar com o presidente em abril, mas o escândalo abriu uma diferença de quatro pontos. Agora, essa situação se estabilizou — Lula segue com 47% e Flávio com 43% em um eventual segundo turno, repetindo o placar de um mês antes.

O timing da pesquisa, porém, captura apenas parcialmente os efeitos de um novo desenvolvimento: o escândalo do Banco Master chegou à cúpula do Partido dos Trabalhadores. A Polícia Federal realizou uma operação na quarta-feira anterior ao levantamento que mirou Jaques Wagner, senador e líder do governo no Senado, suspeito de ter recebido pagamentos de Vorcaro. Esse desdobramento, que potencialmente prejudicaria Lula tanto quanto prejudicou Flávio, ainda não está completamente refletido nos números.

No primeiro turno, Lula e Flávio dominam isolados a disputa. Atrás deles, Ronaldo Caiado aparece com 3%, assim como Renan Santos pela Missão. Romeu Zema, Aécio Neves, Samara Martins e Augusto Cury marcam 2% cada. Joaquim Barbosa, que substituiu Aldo Rebelo como pré-candidato do Democracia Cristã, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta somam 1% cada. Hertz Dias e Edmilson Costa não pontuaram. Brancos e nulos totalizam 7%, com 4% declarando não saber em quem votar.

Em simulações de segundo turno contra outros candidatos, Lula mantém vantagens confortáveis. Contra Caiado, o presidente marca 47% ante 41% do ex-governador de Goiás — uma diferença de seis pontos que representa uma oscilação em relação ao levantamento anterior, quando era de nove pontos. Contra Zema, o placar é 48% para Lula e 39% para o ex-governador de Minas Gerais, mantendo a mesma diferença da pesquisa anterior.

Os perfis de voto revelam divisões claras. Lula concentra apoio entre os mais pobres, menos escolarizados, pessoas pretas, homossexuais e bissexuais, chegando a 61% no Nordeste. Entre donas de casa, marca 56% contra 38% de Flávio. Entre estudantes, a vantagem é igualmente expressiva: 55% contra 38%. Flávio, por sua vez, lidera entre os mais ricos com 69% contra 25% de Lula, tem melhor desempenho entre evangélicos, brancos e alcança 54% no Sul. O senador busca uma vice mulher para melhorar sua imagem entre eleitoras, onde marca apenas 37% contra 52% de Lula.

A avaliação do governo Lula permanece estável. Trinta e oito por cento dos eleitores a consideram negativa, 32% positiva e 29% regular — praticamente os mesmos números do levantamento de final de maio. Quando questionados sobre aprovação ou desaprovação do trabalho presidencial, 48% aprovam enquanto 49% desaprovam, com 3% não sabendo responder. Essa avaliação é crucial: entre quem declara voto em Lula, 69% avaliam o governo positivamente contra apenas 2% que o veem como negativo. No grupo de Flávio, apenas 3% consideram o trabalho bom ou ótimo, enquanto 77% o classificam como ruim ou péssimo.

O governo apostava na aprovação da PEC 6x1 como ferramenta para ampliar seus pontos eleitorais. A Câmara dos Deputados aprovou a medida, que encerra a escala de seis dias trabalhados para um de descanso, mas ela está travada no Senado com risco real de ficar para depois de outubro. Simultaneamente, o governo enfrenta pressões internacionais: a administração Trump propôs novas tarifas de 25% sobre bens brasileiros e oficializou a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como terroristas — movimento que Flávio capitalizou para reforçar sua imagem linha-dura. A campanha de Lula responde com promessas de combate ao roubo de celulares e cobrança pela presença de ministros em inaugurações de obras pelo país.

O senador estancou por ora o prejuízo eleitoral causado pelo caso Dark Horse
— Análise da pesquisa Datafolha
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