Lula lança Desenrola Adimplentes com R$ 4 bi para crédito a informais e egressos do Fies

75,06 milhões de consumidores brasileiros estão com nome negativado, representando 44,8% da população adulta, com predominância de mulheres (51,34%) e concentração na faixa etária de 30 a 39 anos.
Pela primeira vez, o governo olha para o trabalhador informal
Ministro da Fazenda destaca a novidade de uma política de crédito específica para quem não tem acesso ao consignado.

Desenrola Adimplentes permite renegociar empréstimos de até R$ 15 mil com juros limitados a 1,99% ao mês para trabalhadores informais. Fies Empreendedor oferece crédito a 11% ao ano para ex-alunos do programa, beneficiando principalmente jovens negros e de baixa renda.

  • R$ 4 bilhões em recursos do Tesouro Nacional para as duas linhas de crédito
  • Desenrola Adimplentes: juros limitados a 1,99% ao mês para empréstimos de até R$ 15 mil
  • Fies Empreendedor: 11% ao ano para ex-alunos, beneficiando cerca de 100 mil pessoas
  • 75,06 milhões de brasileiros com nome negativado em maio de 2026 (44,8% da população adulta)
  • Desenrola Brasil já beneficiou 7,5 milhões de famílias e reduziu dívidas de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões

Governo anuncia R$ 4 bilhões em novas linhas de crédito para trabalhadores informais e egressos do Fies, com juros reduzidos e restrição temporária a plataformas de apostas.

Na segunda-feira, 29 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou dois programas de crédito que buscam alcançar uma população historicamente excluída do sistema financeiro formal: trabalhadores informais e jovens que completaram seus estudos através do financiamento estudantil. O anúncio mobilizou R$ 4 bilhões do Tesouro Nacional — R$ 3 bilhões para o Desenrola Adimplentes e R$ 1 bilhão para o Fies Empreendedor — em operações que, segundo a Fazenda, não afetarão o resultado primário das contas públicas.

O Desenrola Adimplentes funciona como uma porta de saída para quem está preso em empréstimos caros. Trabalhadores informais que tenham pago pelo menos quatro parcelas de um contrato anterior e estejam em dia ou atrasados em até 90 dias podem renegociar dívidas de até R$ 15 mil com juros limitados a 1,99% ao mês. A comparação é brutal: muitos desses trabalhadores contraem empréstimos com taxas entre 6% e 12% ao mês. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ressaltou que essa é a primeira vez que o governo cria uma política específica para o trabalhador informal, um segmento que ficou de fora das linhas de crédito consignado tradicionais. O programa anterior já havia beneficiado 7,5 milhões de famílias.

O Fies Empreendedor, por sua vez, abre caminho para jovens que terminaram a faculdade através do financiamento estudantil e agora enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho ou abrir um negócio. A linha oferece juros de 11% ao ano — 0,87% ao mês — com limite de R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para empresas. O governo espera beneficiar cerca de 100 mil ex-alunos. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a medida visa principalmente jovens negros, indígenas, quilombolas e moradores de periferias que conquistaram o ensino superior através do Fies.

Mas o acesso a esses recursos tem um preço comportamental. Beneficiários do Desenrola Adimplentes e do Fies Empreendedor ficarão impedidos de acessar plataformas de apostas on-line por seis meses — uma restrição que sobe para um ano no caso do Desenrola Inadimplentes, lançado em maio. A medida reflete uma preocupação do governo com a possibilidade de que pessoas em situação de vulnerabilidade financeira gastem seus novos recursos em bets.

O contexto que justifica essas iniciativas é desolador. Em maio deste ano, 75,06 milhões de brasileiros tinham o nome negativado — 44,8% da população adulta do país. Mulheres representam 51,34% desse contingente. A faixa etária mais afetada é a de 30 a 39 anos, com 18,23 milhões de pessoas. Esses números revelam uma crise de endividamento que atravessa gerações e gêneros.

O Desenrola Brasil, que começou em maio, já acumula resultados significativos. Até junho, 7,5 milhões de famílias foram beneficiadas e 4,9 milhões foram desnegativadas. O programa reduziu a dívida total das famílias de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões. O Desenrola Brasil Famílias renegociou 1,4 milhão de dívidas com descontos médios de 85%, permitindo que 854 mil famílias quitassem tudo de uma vez. Outras modalidades também tiveram alcance: o Desenrola Brasil Fies realizou 82 mil operações com 80% de desconto, reduzindo dívidas de R$ 4 bilhões para R$ 940 milhões; o Novo Desenrola Brasil Empresas fez 85 mil renegociações; o Novo Desenrola Rural completou 28 mil operações.

O que esses números sugerem é que o governo identificou uma lacuna real no mercado de crédito brasileiro. Existem dezenas de milhões de pessoas que não se encaixam nas categorias tradicionais — não são servidores públicos elegíveis para consignado, não têm renda formal comprovável, não têm garantias. Ao mesmo tempo, estão presos em ciclos de endividamento com juros que tornam qualquer recuperação financeira quase impossível. As novas linhas tentam quebrar esse ciclo oferecendo uma segunda chance com condições radicalmente melhores. O desafio agora é garantir que essas oportunidades cheguem de fato a quem precisa.

Pela primeira vez, o governo faz um esforço de olhar para o trabalhador informal
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Com essa linha de crédito, que é a mais barata entre todas as linhas subsidiadas do país, conseguiremos dar oportunidade para que esse jovem possa empreender
— Leonardo Barchini, ministro da Educação
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o governo sente necessidade de bloquear o acesso a apostas on-line? Parece uma medida paternalista.

Model

Não é paternalismo, é reconhecimento de um padrão. Quando você oferece crédito a alguém que estava desesperado, há risco real de que a pessoa use esse dinheiro para tentar se recuperar rapidamente através de bets. É um vício que cresce entre pessoas em situação de vulnerabilidade.

Inventor

Mas 75 milhões de brasileiros negativados — isso é quase metade da população adulta. Como um programa de crédito resolve um problema dessa escala?

Model

Não resolve tudo de uma vez. Mas quebra o ciclo para quem consegue acessar. Se você está pagando 10% ao mês em juros, nunca sai do buraco. Com 1,99%, há chance real de respirar.

Inventor

E os jovens do Fies? Por que eles precisam de crédito se já estudaram?

Model

Porque terminar a faculdade não significa conseguir emprego. Muitos saem da universidade sem capital para começar um negócio ou sem experiência que o mercado valoriza. O crédito barato é uma ponte.

Inventor

A restrição a bets é temporária — seis meses. Depois, a pessoa volta a poder apostar?

Model

Sim. A ideia é dar tempo para a pessoa se reorganizar financeiramente, criar hábitos novos. Não é punição permanente, é proteção durante a transição.

Inventor

Qual é o risco real aqui? Que as pessoas não consigam pagar de volta?

Model

Esse é sempre o risco. Mas o governo está apostando que com juros mais baixos e condições mais claras, a taxa de inadimplência será menor do que em empréstimos tradicionais. É um cálculo de probabilidade.

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