A poucos dias das eleições, o governo Lula anunciou o Desenrola 3.0, um programa que propõe comprar diretamente as dívidas atrasadas de famílias brasileiras junto aos bancos, oferecendo descontos de 90% sobre débitos acumulados entre dois e quatro anos e meio. A iniciativa, que mira R$ 150 bilhões em renegociações, inverte a lógica anterior: em vez de o devedor buscar o credor, é o Estado que vai ao mercado. Como tantas medidas que tocam ao mesmo tempo na economia doméstica e no calendário político, ela carrega em si tanto a promessa de alívio quanto a sombra do interesse eleitoral.
Lula lança Desenrola 3.0 com desconto de 90% em dívidas a 9 dias do 1º turno
O governo que vai comprar a dívida e acertar a vida das pessoas
Por que o governo escolheu comprar as dívidas em vez de simplesmente ordenar aos bancos que fizessem o desconto?
Porque assim o governo controla o processo e garante que o desconto chegue inteiro ao devedor. Se deixasse com os bancos, havia risco de negociação mais lenta ou menos favorável.
Mas isso pressupõe que os bancos vão querer vender essas carteiras. O ministro admitiu que tudo depende do apetite deles. Se não venderem, o programa não sai do papel.
Quanto isso vai custar de verdade?
O governo estima R$ 15 bilhões de impacto fiscal, considerando o desconto de 90% sobre R$ 150 bilhões em dívidas.
Mas esse é o cenário otimista — alcançar 50% dos R$ 300 bilhões elegíveis. Se alcançarem menos, o custo cai. Se alcançarem mais, sobe. Ninguém sabe ainda.
Isso vai realmente ajudar as pessoas que mais precisam?
Teoricamente sim. São famílias com dívidas antigas, de dois a quatro anos e meio, que provavelmente já desistiram de pagar. Um desconto de 90% é substancial.
O problema é que a gente não sabe quem são essas pessoas. Podem ser classe média com cartão de crédito ou podem ser pessoas em situação de vulnerabilidade. Os dados não estão públicos.
E o timing, dias antes da eleição?
É claramente uma jogada política. Junto com a proibição das bets, o governo está tentando mostrar ação em favor das famílias.
Sim, mas isso não invalida a medida. Políticas públicas podem ser boas e ter motivação eleitoral ao mesmo tempo. A questão é se ela funciona como prometido.
El Pulso
- Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o governo anunciou o programa nove dias antes, tornando inevitável a leitura política da medida.
- Cerca de R$ 300 bilhões em dívidas de cartão de crédito e crédito pessoal estão elegíveis, afetando milhões de famílias presas em ciclos de inadimplência prolongada.
- O mecanismo rompe com o modelo anterior: o Tesouro comprará carteiras de crédito dos bancos em leilões, repassando 90% de desconto diretamente aos devedores.
- O custo estimado de R$ 15 bilhões ao Tesouro será absorvido nos orçamentos de 2027 e 2028, respeitando as regras fiscais vigentes.
- O volume real negociado e o desconto exato só serão conhecidos após o primeiro leilão, pois dependem do apetite dos bancos em vender suas carteiras.
A poucos dias das eleições, o governo Lula anunciou o Desenrola 3.0, um programa que propõe comprar diretamente as dívidas atrasadas de famílias brasileiras junto aos bancos, oferecendo descontos de 90% sobre débitos acumulados entre dois e quatro anos e meio. A iniciativa, que mira R$ 150 bilhões em renegociações, inverte a lógica anterior: em vez de o devedor buscar o credor, é o Estado que vai ao mercado. Como tantas medidas que tocam ao mesmo tempo na economia doméstica e no calendário político, ela carrega em si tanto a promessa de alívio quanto a sombra do interesse eleitoral.
Na sexta-feira 25 de setembro, o governo Lula apresentou o Desenrola 3.0, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas com atraso entre dois e quatro anos e meio. A novidade central está no mecanismo: diferentemente das versões anteriores, o governo federal comprará diretamente as carteiras de crédito das instituições financeiras por meio de leilões, sem exigir que os devedores tomem a iniciativa de procurar os bancos.
O programa abrange dívidas de cartão de crédito — nas modalidades rotativa e parcelada — e crédito pessoal sem consignação. O universo estimado de débitos elegíveis chega a R$ 300 bilhões, e a meta é renegociar metade desse valor, ou seja, R$ 150 bilhões. O desconto de 90% sobre as dívidas será repassado integralmente às famílias, com custo previsto de R$ 15 bilhões para o Tesouro, distribuídos nos orçamentos de 2027 e 2028.
Ao anunciar a medida, Lula ressaltou que o novo programa representa uma mudança de postura: agora é o Estado que toma a frente para resolver a situação dos endividados, em vez de deixar esse ônus sobre os próprios devedores. O ministro Bruno Moretti, porém, ponderou que os números definitivos — volume negociado e percentual exato de deságio — só serão conhecidos após o primeiro leilão, a depender do interesse dos bancos em ceder suas carteiras.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o governo também proibiu apostas esportivas online no país, compondo uma sequência de medidas de apelo popular às vésperas do primeiro turno eleitoral. O timing, inevitavelmente, alimenta o debate sobre os limites entre política pública e estratégia eleitoral.
Na sexta-feira 25 de setembro, nove dias antes do primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro, o governo Lula anunciou o Desenrola 3.0, um programa destinado a renegociar dívidas de pessoas físicas junto a instituições financeiras. A medida atinge famílias com débitos em atraso há no mínimo dois anos e no máximo quatro anos e meio.
O mecanismo funciona de forma distinta das versões anteriores do programa. Em vez de exigir que devedores procurem individualmente os bancos, o governo federal comprará as carteiras de crédito das instituições financeiras por meio de leilões. A execução poderá ficar a cargo de uma instituição financeira federal ou do Tesouro. O programa abrange dívidas de cartão de crédito — tanto na modalidade rotativa quanto parcelada — e crédito pessoal sem consignação em folha de pagamento.
O governo estima que o universo total de débitos elegíveis alcance aproximadamente R$ 300 bilhões. A meta é negociar 50% desse volume, o que representaria R$ 150 bilhões. O diferencial central da proposta é um desconto de 90% sobre as dívidas, que será repassado integralmente aos devedores. O custo estimado para o Tesouro é de R$ 15 bilhões. Durante o anúncio, Lula destacou que o novo Desenrola representa uma evolução em relação aos programas anteriores, afirmando que agora é o governo que toma a iniciativa de comprar a dívida e "acertar a vida das pessoas", em vez de deixar esse processo nas mãos dos devedores.
O programa terá impacto nas contas públicas e está sujeito às regras fiscais vigentes, sem exceções. Os recursos serão incorporados ao Orçamento de 2027 e previstos nos projetos de Lei Orçamentária Anual de 2027 e 2028. Segundo Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, o volume final de dívida negociada e o percentual exato de desconto só serão conhecidos após a realização do primeiro leilão, uma vez que ambos dependem do interesse das instituições financeiras em vender suas carteiras de crédito.
O timing do anúncio, poucos dias antes do primeiro turno eleitoral, confere à medida um caráter claramente eleitoral. No mesmo dia, o governo também anunciou a proibição de apostas esportivas online no Brasil, reforçando a sequência de ações de apelo popular no período pré-eleitoral.
Citas Notables
Agora é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas— Presidente Lula, durante o anúncio do Desenrola 3.0
O volume final da dívida negociada e o percentual exato de deságio só serão conhecidos após o primeiro leilão— Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento