Lula, Flávio, Caiado e Cury estreiam propaganda eleitoral com estratégias distintas

Apresentar o problema e, depois, a solução
A estratégia de Flávio Bolsonaro para os próximos programas, focando em segurança e custo de vida.
Mark

Por que Lula abriu o programa atacando Flávio em vez de falar só de propostas?

Mimi

Porque o começo é quando as pessoas começam a prestar atenção. O PT avaliou que era o momento certo para mostrar quem é Flávio, sua história, seu currículo — e isso incluía as investigações.

Luke

Mas as provas das rachadinhas foram anuladas. Ele tem foro privilegiado. Então tecnicamente aquele caso não resultou em condenação.

Mimi

Verdade. Mas a investigação aconteceu, a denúncia foi feita, e a campanha escolheu mencionar isso. São fatos que existem.

Mark

E Flávio? Por que ele começou falando de família?

Mimi

Estratégia oposta. Ele quer se apresentar como pessoa antes de atacar. Deixa os ataques diretos a Lula para depois, quando já tiver criado uma imagem.

Luke

Mas por quanto tempo ele pode manter essa abordagem "homem de família" se Lula está atacando desde o primeiro dia?

Mimi

Boa pergunta. A campanha dele disse que vai abordar segurança e custo de vida nos próximos programas, e aí sim vai para cima de Lula com o caso do Lulinha.

Mark

E os candidatos sem tempo de TV? Renan e Zema conseguem competir?

Luke

Não sabemos ainda. Eles apostam em redes sociais e viralização, mas é um jogo completamente diferente. Sem o alcance da TV aberta, é muito mais difícil.

Mimi

Exato. Renan está gravando vídeos no carro, em viagens. Zema diz que redes sociais não são cem por cento determinantes, mas também não tem escolha — seu partido não cumpriu a cláusula de desempenho.

  • Lula: 5m31s; Flávio Bolsonaro: 4m20s; Caiado: 2m02s; Cury: 35 segundos
  • Lula atacou Flávio nas rachadinhas, caso Vorcaro e financiamento do filme Dark Horse
  • Flávio se apresentou como 'homem de família' e deixa ataques diretos a Lula para próximos programas
  • Renan Santos e Romeu Zema apostam em redes sociais por não terem acesso à propaganda gratuita

Apenas quatro candidatos têm direito a tempo de propaganda: Lula lidera com 5m31s, seguido por Flávio Bolsonaro com 4m20s, Caiado com 2m02s e Cury com 35 segundos. Lula destaca propostas como fim da escala 6x1 e critica Flávio por casos como rachadinhas; Flávio se apresenta como 'homem de família' e deixa ataques diretos para próximos programas.

Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury iniciaram suas campanhas de propaganda eleitoral gratuita com estratégias distintas: Lula focou em propostas e ataques ao adversário, Flávio apostou na imagem familiar.

A propaganda eleitoral gratuita começou no sábado com quatro candidatos à presidência dividindo o tempo de rádio e televisão — e cada um escolheu um caminho completamente diferente para se apresentar ao país.

Lula recebeu o maior tempo: cinco minutos e trinta e um segundos. Flávio Bolsonaro ganhou quatro minutos e vinte segundos. Ronaldo Caiado, dois minutos e dois segundos. Augusto Cury, apenas trinta e cinco segundos. Esses números refletem a força de cada partido na Câmara dos Deputados. O PT, aliado a PSB, PDT e à federação PSOL/Rede, comanda a maior bancada. O PL vem em seguida. O PSD e o Avante ficam com fatias menores. A distribuição segue uma regra: dez por cento do tempo vai igualmente para partidos que cumprem a cláusula de desempenho; os outros noventa por cento são divididos proporcionalmente à representação parlamentar.

O presidente abriu seu programa focando em duas frentes. Primeiro, destacou realizações e propostas do governo — o fim da escala seis por um, a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais, a defesa da soberania. Depois, atacou Flávio Bolsonaro. A campanha petista apresentou um "currículo" do senador carregado de críticas: mencionou as rachadinhas, a investigação de 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro (as provas foram anuladas porque tribunais decidiram que Flávio tinha direito a foro privilegiado como parlamentar), e o pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro. O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, explicou que o início do programa é quando a sociedade começa a prestar atenção nas eleições. "Neste sentido, avaliamos ser importante mostrar quem é Flávio, qual é sua história e apresentar seu currículo", escreveu.

Flávio escolheu uma estratégia oposta. Sua campanha preparou uma peça focada em apresentação pessoal, retratando-o como um "homem de família". O senador se descreveu como "advogado e empresário, casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol". O restante do tempo foi dedicado à família, com ênfase especial nas mulheres — Fernanda, sua esposa, chegou a dizer que o "reeducou" e que ele é o "mais moderado dos Bolsonaros". A campanha busca atrair o voto feminino. Integrantes da equipe disseram que deixarão ataques mais diretos a Lula para os próximos programas, incluindo menções ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado sob suspeita de tráfico de influência. Nos próximos blocos, Flávio também deve abordar segurança pública e custo de vida, com foco na perda do poder de compra dos brasileiros.

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, usou seus dois minutos para falar de trajetória política e segurança pública. A campanha associa "coragem" à sua atuação como médico e ao enfrentamento do PT. Mencionou grupos que invadem terras "de quem plantava" — Caiado começou sua carreira como liderança ruralista ligada ao agronegócio. Foi candidato à presidência em 1989, depois deputado, senador e governador. A peça citou seu casamento de trinta e cinco anos com Gracinha Caiado e creditou a ele o enfrentamento de facções criminosas em Goiás, além de avanços em hospitais, escolas, transporte e inteligência artificial. Na segunda metade, o tom mudou para ataques ao PT, com a afirmação de que há uma crise de segurança no país causada por "vinte anos" de gestões petistas.

Augusto Cury, com apenas trinta e cinco segundos, se posicionou como "agente da despolarização". Usou clipes de reportagens sobre o mensalão e o ataque de oito de janeiro, fazendo um trocadilho com seu nome e a palavra cura: "Cury este país".

Os programas são veiculados em dois blocos de doze minutos e trinta segundos cada — no rádio às sete da manhã e ao meio-dia, na TV aberta às treze horas e às vinte e trinta. No primeiro dia, a ordem foi definida por sorteio: Avante, PSD, PL e coligação Brasil Pronto pra Mais (PT). A partir do segundo dia, funciona em rodízio: quem vai por último em um dia abre o próximo. Há revezamento com propaganda de candidatos a governador em dias alternados, e parte do tempo é reservada a candidatos a cargos do Legislativo.

Candidatos cujos partidos não cumpriram a cláusula de desempenho — como Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) — não têm acesso à propaganda gratuita, mas podem fazer campanha nas redes sociais desde dezesseis de agosto. A coordenadora da campanha de Renan, vereadora Amanda Vettorazzo, disse que a estratégia é produzir conteúdo constantemente, aproveitando a rotina do candidato: vídeos gravados durante viagens, eventos e até dentro do carro. "Como a gente não tem tempo de TV, não gravou em estúdio", afirmou. Zema disse que aposta na relevância das redes sociais, argumentando que presença em meios tradicionais não é cem por cento determinante para o sucesso de uma campanha. Membros do Novo tentam mobilizar a militância em grupos de WhatsApp para aumentar a exposição do candidato em vídeos, buscando viralização.

Neste sentido, avaliamos ser importante mostrar quem é Flávio, qual é sua história e apresentar seu currículo
— Éden Valadares, secretário nacional de comunicação do PT
Como a gente não tem tempo de TV, não gravou em estúdio
— Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Renan Santos
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