Lula é reeleito presidente com 51,75% dos votos válidos e vence virada inédita sobre Flávio Bolsonaro

Lula perdeu em 4 de outubro e virou o jogo em 21 dias
Primeira virada de segundo turno desde a redemocratização, com 51,75% dos votos válidos.
Mark

O que torna esta vitória diferente das anteriores?

Mimi

Ninguém, desde a redemocratização, tinha virado no segundo turno depois de sair atrás no primeiro. Lula perdeu em 4 de outubro e venceu 21 dias depois, com 51,75% dos válidos.

Mark

E o que mudou nesse intervalo?

Mimi

A campanha foi refeita: mais digital, mais jovem, com Fonteles, Camilo e Rui Costa no núcleo, vídeos diários em selfie e o canal Exército do Lula, com mais de 10 milhões de inscritos.

Luke

Cuidado com o nexo. O texto relata essas mudanças, mas não prova que foram elas que decidiram a eleição. Que os vídeos "furaram a bolha" é opinião de apoiadores.

Mimi

Justo. É uma leitura de quem estava dentro, não uma medição de efeito.

Mark

O debate dos sigilos pesou?

Mimi

Foi o ápice do embate. Flávio aceitou abrir seus dados, mas, segundo o texto, o desgaste foi inevitável.

Luke

"desgaste" não vem com número. Não sabemos o quanto custou em votos.

Mark

E o que vem agora?

Mimi

Um Senado de maioria de direita, com 28 senadores só do PL, mais de um terço da Casa.

Luke

E o número de 99,32% apurado ainda não é o resultado final; o texto fala em reeleição matemática segundo o TSE, mas os percentuais podem variar um pouco.

  • A apuração quase completa mostrou uma diferença estreita, e a eleição mais acirrada da história recente terminou com uma virada inédita.
  • Após o primeiro turno, a campanha petista foi reconstruída em vinte dias, com vídeos em selfie do próprio Lula e a volta de André Janones às transmissões ao vivo.
  • O confronto escalou no fim da disputa, com a cobrança de sigilos bancário, fiscal e telefônico e o uso do termo 'tesouraço' contra o adversário.
  • Alckmin percorreu o Sudeste e buscou o centro, enquanto o Centrão se alinhou a Flávio e o Senado ficou com o PL como maior bancada.
  • O novo governo começa com o desafio de negociar com um Congresso mais conservador, tendo o PL com 28 senadores e o Supremo sob pressão.

Num domingo de outubro, quando a apuração já alcançava quase toda a contagem das urnas, o Brasil confirmou que Luiz Inácio Lula da Silva retornará à Presidência para um quarto mandato, com 51,75% dos votos válidos contra 48,25% de Flávio Bolsonaro. É um desfecho que quebra uma regra da política brasileira desde a redemocratização: ninguém que tinha ficado atrás no primeiro turno havia conseguido virar no segundo. A vitória nasce de uma campanha reorganizada em duas semanas, mais digital e mais próxima do cotidiano das pessoas, e inaugura um período em que o governo terá de conviver com um Senado mais à direita e um Supremo sob tensão.

Às 21h10 deste domingo, com 99,32% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral já tratava como encerrada a disputa: Lula tinha 51,75% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 48,25%. Ao fim de uma campanha que o Valor descreve como a mais acirrada da história do país, o presidente foi reeleito.

O resultado tem peso histórico. Desde a redemocratização, nenhum candidato que tinha ficado atrás no primeiro turno conseguira virar no segundo. Lula havia perdido o primeiro turno para Flávio em 4 de outubro. Ele assume o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027, pouco antes de completar 81 anos.

A virada começou com uma reunião logo após o primeiro turno, em que Lula ouviu aliados e adversários internos sobre como mudar o rumo nas três semanas finais. A resposta foi uma campanha mais jovem, mais digital e focada no dia a dia das pessoas. Lula, que resistia, passou a gravar vídeos em selfie todos os dias, e o canal do 'Exército do Lula', com André Janones, ultrapassou 10 milhões de inscritos em menos de vinte dias.

A estratégia combinou destacar as entregas do governo e aumentar a rejeição a Flávio, associando-o a condenados por milícia, ao caso Master e às mortes na pandemia. O confronto chegou ao auge após o debate da Band, quando Lula desafiou o adversário a abrir seus sigilos, desgaste que o TSE acabou levando adiante.

Geraldo Alckmin teve papel ampliado, percorrendo o Sudeste e buscando o voto de centro. O Centrão, porém, em sua maioria ficou com Flávio.

O desafio agora é governar. O PL terá 28 senadores, o Senado será majoritariamente de direita e o Supremo segue abalado pela crise do Banco Master, com a direita fazendo do impeachment de ministros uma bandeira de campanha.

Às 21h10 deste domingo (25), com 99,32% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tratava como matemática a conclusão da eleição: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL). Depois do que o Valor descreve como a campanha mais acirrada da história do país, o presidente está reeleito.

O resultado carrega um marco. Desde a redemocratização, nenhum candidato que saiu atrás no primeiro turno havia conseguido virar no segundo. Lula ficou atrás de Flávio em 4 de outubro e conseguiu. Ele assume o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027, às vésperas de completar 81 anos. Se cumprir o período até 2030, quando não poderá mais concorrer, somará 16 anos na Presidência. O PT, contando os governos desde 2003, passaria de 21 anos no comando do Executivo federal.

A virada começou numa reunião logo após o primeiro turno. Lula ouviu aliados, derrotados e vencedores, sobre como mudar a estratégia para os 20 dias seguintes. A orientação foi uma campanha mais jovem, mais digital e voltada a temas que tocam o dia a dia da população. O núcleo duro foi reformulado: o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, o líder do PT no Senado, Camilo Santana, e o senador eleito pela Bahia Rui Costa passaram a atuar ao lado do presidente, com foco na comunicação e nas redes.

Lula, até então resistente, reservou um horário diário para gravar vídeos em formato selfie, com mensagens que iam de convocações à mobilização de rua a ataques mais duros ao adversário. Segundo apoiadores, os vídeos viralizaram e furaram a bolha da esquerda. O PT também retomou a fórmula de 2022 e acionou o deputado André Janones (Rede-MG). O canal "Exército do Lula" passou de 10 milhões de inscritos em menos de 20 dias. Na quinta-feira (22), Lula fez uma live com Janones, que depois comandou uma transmissão de 24 horas, iniciada na noite de sexta (23), após o debate da TV Globo.

No conteúdo, a campanha apostou em duas frentes: destacar entregas do governo e elevar a rejeição a Flávio. Explorou o receio de que programas sociais fossem cortados e se apropriou do termo "tesouraço", que o candidato do PL usava, sem detalhar, para defender ajuste fiscal. A propaganda na TV e nas redes vinculou o senador a condenados por envolvimento com milícia e ao caso Master. Com o mote "Flávio é o pai", lembrou as mortes na pandemia de covid-19 e o aumento da extrema pobreza no governo de Jair Bolsonaro.

O confronto atingiu o auge na última semana. Após o debate da Band, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de familiares. O caso chegou ao TSE e, embora Flávio tenha aceitado revelar os dados, o desgaste foi inevitável. Nos bastidores, interlocutores diziam que a comunicação "finalmente" tinha encontrado um rumo.

O vice Geraldo Alckmin (PSB) teve papel ampliado: viajou pelo Sudeste, onde é mais forte, reuniu-se com empresários e lideranças religiosas para buscar votos de centro que se abstiveram no primeiro turno, e passou a dar entrevistas quase diárias, com canal próprio no WhatsApp para a imprensa. Lula ainda enfrentou a falta de apoio do Centrão, cuja maioria das legendas ficou com Flávio, que também recebeu o apoio de Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).

O desafio agora é governar. O Senado será majoritariamente de direita e o Centrão encolheu. Só o PL terá 28 senadores, mais de um terço do plenário, sendo 19 eleitos neste ano. O MDB elegeu sete e perdeu Renan Calheiros (AL), com quatro mandatos; o PT elegeu seis. PSB, Novo, União e PP fizeram três cada; Podemos, Republicanos, PSD e PSDB, dois; a Rede, uma senadora. Esse Congresso mais conservador pesa na relação com o Supremo, abalado pela crise do Banco Master, e a direita fez do impeachment de Alexandre de Moraes e Flávio Dino uma bandeira de campanha.

A campanha precisava se tornar mais jovem, mais digital e tratar de questões que impactassem o dia a dia da população.
— Orientação que Lula ouviu de aliados após o primeiro turno, segundo o Valor Econômico
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