Lula e Flávio disputam segundo turno com placar apertado

Flávio consolidou-se como o líder da direita e principal aglutinador do voto antipetista
O senador chegou ao segundo turno em posição mais forte do que o esperado, superando candidatos que não decolaram nas pesquisas.
Mark

Como um senador que começou tão desacreditado conseguiu chegar ao segundo turno na frente de um presidente em exercício?

Mimi

Flávio se beneficiou de duas coisas simultâneas. Primeiro, a crise no STF com o caso Moraes prejudicou Lula diretamente, porque a imagem do presidente ficou associada a um ministro que é visto como inimigo pelos bolsonaristas. Segundo, Flávio consolidou o voto antipetista enquanto outros candidatos não decolavam. Ele virou a opção clara para quem queria votar contra Lula.

Luke

Mas precisamos ser precisos: Flávio tinha 47,22% e Lula 44%. Isso é uma vantagem real, mas estamos falando de menos de 3 pontos percentuais com 98,95% das urnas apuradas. Em um segundo turno, muita coisa pode mudar. Os apoios que Flávio vai receber são confirmados ou ainda são promessas?

Mimi

Romeu Zema já declarou apoio. Caiado e Cury ainda não formalizaram, mas sinalizaram. O PT está tentando negociar com os mesmos partidos, mas reconhece que é mais difícil.

Mark

Por que Lula não participou dos debates?

Mimi

A reportagem não explica a razão da decisão, apenas que ele não participou. Flávio até anunciou que compareceria ao último debate da Globo, mas recuou no último momento após decisões judiciais.

Luke

Isso é importante notar: não sabemos por que Lula tomou essa decisão. A ausência dele nos debates é um fato, mas a motivação não está clara na reportagem. Não podemos especular.

Mark

E quanto às acusações contra Flávio? A relação com Vorcaro e o financiamento do filme do pai não prejudicaram sua campanha?

Mimi

Não prejudicaram tanto quanto poderiam ter prejudicado. Flávio conseguiu evitar que essas acusações afetassem seu desempenho. Talvez porque a crise do STF tenha dominado o debate público, ou porque seus apoiadores priorizassem o voto antipetista.

Luke

A reportagem diz que ele "conseguiu evitar", mas não explica como ou por quê. Isso é uma constatação, não uma explicação. No segundo turno, essas acusações podem voltar com força.

Mimi

Com certeza. O PT já começou a atacar duramente esses pontos, e deve intensificar no segundo turno. Flávio também será cobrado a se explicar.

Mark

Qual é o maior risco para cada um deles agora?

Mimi

Para Lula, é recuperar a confiança que perdeu com a crise do STF e convencer os eleitores de que merece um quarto mandato. Para Flávio, é que suas acusações e sua falta de experiência como presidente sejam exploradas de forma que afastem eleitores moderados que votaram nele como voto antipetista.

  • Flávio Bolsonaro (PL) lidera com 47,22% dos votos contra 44% de Lula (PT)
  • Segundo turno marcado para 25 de outubro de 2026
  • Placar mais apertado em um primeiro turno presidencial desde 1994
  • Crise no STF com caso Moraes prejudicou campanha de Lula em setembro
  • Lula não participou dos debates no primeiro turno

Flávio lidera com 47,22% dos votos contra 44% de Lula, marcando o placar mais apertado em um primeiro turno presidencial desde 1994. Lula enfrenta desafio maior na reta final após crise no STF envolver seu governo; Flávio consolida-se como líder da direita e principal aglutinador do voto antipetista.

Com 98,95% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) avançam para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para 25 de outubro, em disputa extremamente apertada.

Com quase 99% das urnas apuradas, o Brasil se encaminha para um segundo turno presidencial que ninguém esperava ser tão equilibrado. Flávio Bolsonaro, senador de 45 anos, chegou à reta final com 47,22% dos votos. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente em exercício com 80 anos, ficou com 44%. O confronto está marcado para 25 de outubro, e a margem entre eles é a mais estreita registrada em um primeiro turno desde 1994.

Esta será a oitava vez que uma eleição presidencial brasileira vai para o segundo turno. Mas nenhuma delas começou com um placar tão apertado quanto este. Flávio passou boa parte da campanha atrás de Lula, depois empatou tecnicamente com ele nas semanas finais, e agora avança com uma pequena vantagem. Ambas as campanhas já esperavam este resultado e começam agora a negociar apoios entre os candidatos derrotados e os partidos do centrão.

O desafio maior recai sobre Lula. Ele tenta conquistar seu quarto mandato presidencial, mas enfrentou críticas severas de outros candidatos durante a campanha. Mais preocupante ainda foi o crescimento acelerado de Flávio nas últimas semanas, impulsionado por uma crise no Supremo Tribunal Federal que afetou diretamente a imagem do presidente. Quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de uma investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, expondo trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono da empresa Master, Flávio começou a subir nas pesquisas. Como a imagem de Lula ficou associada a Moraes, considerado o principal adversário do bolsonarismo, a reeleição presidencial começou a ser seriamente ameaçada em setembro.

Lula reagiu anunciando uma série de medidas de forte apelo eleitoral: reajuste de 15% no Bolsa Família, fim da taxa sobre compras internacionais de baixo valor, inclusão de canetas emagrecedoras no SUS e proibição das casas de apostas em todo o país. O PT também usou seu tempo de TV para atacar duramente Flávio, explorando sua relação com milicianos do Rio de Janeiro e os repasses milionários feitos por Vorcaro para financiar um filme biográfico de Jair Bolsonaro, investigado no STF.

Flávio começou a campanha isolado, sem apoio de outros partidos e desacreditado. Mas consolidou-se como o líder da direita e o principal aglutinador do voto antipetista, enquanto outros candidatos não decolavam nas pesquisas. Ele conseguiu evitar que as acusações envolvendo Vorcaro prejudicassem seu desempenho eleitoral. Agora chega ao segundo turno em posição consideravelmente mais forte do que o PT e os partidos do centrão projetavam há alguns meses. Setores do mercado financeiro já o colocam como favorito para derrotar Lula.

Flávio deve ter o apoio imediato de Romeu Zema, do Novo, declaradamente antipetista, e ainda pode contar com Ronaldo Caiado, do PSD, e Augusto Cury, do Avante. Enquanto isso, o PT reconhece a dificuldade de obter apoios formais das legendas de centro, mas busca atrair lideranças regionais ou garantir a neutralidade dos partidos. No primeiro turno, a coligação de Lula contou apenas com seis partidos, todos de esquerda.

No segundo turno, Flávio deve explorar ainda mais o caso Moraes e as suspeitas envolvendo o filho mais velho de Lula e seu ex-chefe de gabinete com a lobista Roberta Luchsinger, também alvo de inquérito no STF. O senador tem utilizado o racha no Supremo para sustentar a narrativa de que uma ala da Corte atua alinhada ao Palácio do Planalto e que é preciso derrotar Lula porque o próximo presidente terá o direito de indicar mais quatro ministros. Ele conseguiu conciliar os ataques a ministros com a imagem de "Bolsonaro moderado", replicando locais e símbolos consagrados pelo pai, como motociatas e transmissões ao vivo semanais.

Lula não participou dos debates no primeiro turno, mas deve intensificar os ataques diretos a Flávio no segundo turno. O confronto que não ocorreu na primeira fase agora será inevitável. Ambas as campanhas entram na reta final com narrativas claras: Flávio explora a crise no Supremo e a possibilidade de renovação da Corte; Lula tenta se recuperar com medidas sociais e ataques ao histórico do adversário. O resultado em 25 de outubro dirá se a vantagem de três pontos que Flávio carrega é suficiente para vencer um presidente em exercício que ainda controla a máquina estatal.

O PT reconhece a dificuldade de obter apoios formais das siglas, mas busca atrair lideranças regionais ou garantir a neutralidade dos partidos
— Coordenação da campanha de Lula
É preciso derrotar Lula porque o próximo presidente terá o direito de indicar mais quatro ministros para o Supremo
— Narrativa da campanha de Flávio Bolsonaro
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