Em um país onde a memória eleitoral é curta e os acontecimentos se sucedem com velocidade vertiginosa, uma pesquisa do Datafolha capturou um instante raro de equilíbrio: Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 45% numa simulação de segundo turno, como dois pratos de uma balança ainda à espera do peso que irá decidir. O levantamento, realizado entre 12 e 13 de maio em 139 municípios, foi concluído antes que viesse a público um áudio comprometedor envolvendo o senador — o que torna seus números menos uma resposta e mais uma pergunta sobre o que está por vir.
Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 45% em simulação de 2º turno, aponta Datafolha
Empate perfeito em um cenário aberto
Como uma pesquisa feita antes das denúncias pode ser útil para entender o cenário eleitoral agora?
É um ponto de referência. Mostra onde as coisas estavam antes da tempestade. Se uma próxima pesquisa mostrar movimento, saberemos que as denúncias tiveram efeito.
Mas há um problema: não sabemos qual era a trajetória antes disso. Esse empate de 45% a 45% — é estável ou estava mudando? A pesquisa anterior mostrava empate técnico, mas empate técnico é uma faixa, não um número exato.
Verdade. Mas o que a pesquisa deixa claro é que Lula abriu vantagem sobre Zema e Caiado. Isso é movimento real.
E quanto ao primeiro turno? Por que Lula está à frente ali, mas empatado no segundo?
Porque no primeiro turno há fragmentação. Zema, Caiado, outros candidatos dividem votos. No segundo turno, tudo converge para dois nomes, e aí a dinâmica muda.
Mas precisamos ser cuidadosos: essa pesquisa foi feita com 2.004 pessoas. A margem de erro é de dois pontos. Um empate de 45% a 45% está dentro da margem de erro — tecnicamente, qualquer um poderia estar na frente.
Então o empate é real ou é incerteza?
É ambos. É real que estão muito próximos. Mas a incerteza é genuína.
O que importa é que nenhum dos dois tem vantagem clara. A eleição está aberta.
E as denúncias? Quando saberemos o efeito delas?
Quando a próxima pesquisa sair. Essa aqui é um antes. O depois vai contar a história.
O Pulso
- O empate técnico em 45% entre Lula e Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno revela uma disputa sem favorito claro, acendendo alertas nos dois campos políticos.
- Um áudio divulgado pelo The Intercept Brasil em 13 de maio mostra Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai — denúncia que a pesquisa, em sua maioria, ainda não pôde capturar.
- A janela temporal entre a coleta dos dados e a revelação do escândalo cria uma zona de incerteza: os 45% do senador podem ser uma fotografia prestes a mudar de cor.
- Nos cenários contra Zema e Caiado, Lula avança com 46% e abre vantagem onde antes havia empate, sinalizando que sua base eleitoral está se consolidando fora do duelo principal.
- Com 9% dispostos a votar em branco ou nulo no segundo turno, uma fatia relevante do eleitorado ainda recusa as duas opções — e pode ser decisiva numa corrida tão apertada.
Em um país onde a memória eleitoral é curta e os acontecimentos se sucedem com velocidade vertiginosa, uma pesquisa do Datafolha capturou um instante raro de equilíbrio: Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 45% numa simulação de segundo turno, como dois pratos de uma balança ainda à espera do peso que irá decidir. O levantamento, realizado entre 12 e 13 de maio em 139 municípios, foi concluído antes que viesse a público um áudio comprometedor envolvendo o senador — o que torna seus números menos uma resposta e mais uma pergunta sobre o que está por vir.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada no sábado revelou um cenário de equilíbrio tenso: o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro aparecem empatados em 45% das intenções de voto numa simulação de segundo turno presidencial. Nove por cento dos entrevistados optariam pelo voto em branco ou nulo.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre os dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrado no TSE sob o código BR-00290/2026.
Há, porém, um detalhe que pesa sobre os números: a maioria das entrevistas foi realizada antes de 13 de maio, data em que o The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro pede ao banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O impacto dessa revelação sobre o eleitorado ainda não está refletido nos dados.
Em outros cenários de segundo turno, Lula aparece em posição mais confortável: vence Romeu Zema por 46% a 40% e Ronaldo Caiado por 46% a 39% — vantagens que não existiam na pesquisa anterior, quando havia empate técnico com ambos.
No primeiro turno estimulado, Lula lidera com 38% contra 35% de Flávio Bolsonaro, também em empate técnico. Os demais candidatos testados — Zema, Caiado, Renan Santos e Cabo Daciolo — somam menos de 10% juntos. A pesquisa, capturada antes das denúncias mais recentes, deixa em aberto a pergunta central: como o eleitorado reagirá quando tiver o quadro completo diante de si?
Uma pesquisa do Datafolha divulgada no sábado mostrou um cenário político em suspenso: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, ambos com 45% das intenções de voto, empatados tecnicamente em uma simulação de segundo turno presidencial. Nove por cento dos entrevistados disseram que votariam em branco ou nulo, enquanto 1% não soube responder.
O levantamento foi conduzido entre terça e quarta-feira, 12 e 13 de maio, abrangendo 2.004 pessoas em 139 municípios diferentes. A margem de erro máxima foi estabelecida em dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00290/2026.
Um detalhe temporal importa aqui: a maioria das entrevistas ocorreu antes de 13 de maio, quando o The Intercept Brasil divulgou um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro. Naquela gravação, o senador aparecia em troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, pedindo recursos para financiar a produção de um filme chamado "Dark Horse", que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por esse motivo, os números podem não refletir completamente o impacto dessas denúncias sobre a campanha do senador do PL.
Quando o Datafolha testou outros cenários de segundo turno, a posição de Lula se mostrou mais sólida. Contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, o presidente marcava 46% contra 40%. Diante do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, da PSD, Lula atingia 46% contra 39%. Comparado com a pesquisa anterior, esses números indicam que Lula abriu vantagem sobre Zema e Caiado, enquanto antes havia empate técnico com os três.
No primeiro turno estimulado, o quadro era diferente. Lula aparecia com 38% e Flávio Bolsonaro com 35%, em empate técnico. Romeu Zema e Ronaldo Caiado marcavam 3% cada. Renan Santos, da Missão, tinha 2%, enquanto Cabo Daciolo, do Mobiliza, registrava 1%. Neste cenário, 9% afirmaram que votariam em branco ou nulo, e 3% não sabiam em quem votar.
Os números revelam uma dinâmica eleitoral em movimento. No primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão próximos, mas com o petista à frente. Já em um eventual segundo turno entre os dois, o empate perfeito sugere uma eleição aberta, onde fatores como a repercussão das denúncias recentes poderiam pesar significativamente. A pesquisa, porém, foi capturada em um momento anterior a esses eventos, deixando em aberto como o eleitorado reagirá quando tiver acesso à informação completa sobre as acusações contra o senador.
Citações Notáveis
A pesquisa pode não ter captado a totalidade do efeito das denúncias sobre a campanha do senador do PL— Datafolha